Ontem, o país ficou mais pobre 1269 milhões de euros

O abastecimento de 20% das necessidades de financiamento para o país custou 1269 milhões de euros, a pagar daqui a 10 anos. É um valor que se soma à gigantesca dívida de Portugal, a qual não pára de aumentar de uma forma bastante linear desde 2012. Percebe-se. Depois dos cortes cegos e dos brutais aumentos de impostos, pouco há a espremer agora aos portugueses. Obviamente, a situação não é sustentável.

Os juros a pagar são os mais elevados desde há 3 anos. Descontando o indicador referente ao endividamento, todos os outros melhoraram e alguns, apontados como justificação para a vinda da troika, como é o caso do défice, até melhoraram muito, para os melhores valores de há décadas, até. Sem surpresa, a taxa de juros não tem relação com o estado da economia, mas sim com a oferta e procura, como em qualquer outro negócio. Vejamos um exemplo simples. O preço do Brent dispara quando a OPEP fecha a torneira e desce quando a abre ou quando outros fornecedores, como os EUA, inundam o mercado com petróleo. Portugal precisa de financiamento e poucos o vendem. Se o BCE não lhes fizer concorrência, rapidamente agem em cartel, controlo o preço do dinheiro.

Os Estados, que são representações legítimas das respectivas populações, têm vindo a perder poder a favor de indivíduos e empresas, desde o controlo de capitais à preservação do planeta. São as consequências da globalização, a ditar o empobrecimento individual e generalizado a favor do enriquecimento também individual mas pontual.

Comments

  1. Jorge says:

    Se pedimos emprestado a 4.227% ao ano, o que aumenta na dívida não é essa percentagem, mas sim a diferença entre isso e o crescimento nominal anual ao longo destes 10 anos.

    Em situação normal, sem crises internacionais, o PIB Nominal crescerá entre 3% e 3.5% ao ano, logo o que nos endividamos é a diferença, neste caso, entre 0.7% e 1.2%, o que dá, nestes 10 anos uma quantia entre 210 e 360 milhões de €.

    Ou seja, se agora temos um rendimento de 184 e devemos 239 (130% de endividamento), o que interessa é fazer baixar esse rácio, seja pelo menor crescimento do endividamento, seja pelo maior crescimento do rendimento, ou ambos.
    Para isso será também fundamental o superavit primário, ou seja, o lucro que já temos antes do pagamento de juros, que ronda os 2% do PIB.

    Mas mesmo assim ainda não se pode concluir que ficámos mais pobres neste valor. É preciso ver de que forma o dinheiro é usado. Se for no Investimento Público, o crescimento poderá subir e isso significa que estamos a pedir emprestado para na verdade vir a ganhar mais dinheiro.

    Quanto ao problema dos juros, não é um problema dos mercados, pois eles só fazem o seu trabalho. É um problema de falta de soberania, ou seja, de não termos moeda própria nem banco central próprio cuja emissão de moeda dê garantias aos investidores sobre a dívida soberana.

    Por isso se chamou de “Crise das Dívidas Soberanas Europeias”, não se chamou de “Crise Exclusiva de Portugal”…

    O único problema é que o resgate teve participação do FMI, e a emissão dessa dívida em dólares foi ao abrigo do direito internacional, logo, em caso de regresso a uma moeda própria, essa é a parte da dívida que não é automaticamente convertida na moeda nacional.
    Temos portanto de acabar de pagar os 16 mil milhões de € que faltam.

    O aumento recente dos juros é exatamente a tal lei da oferta e da procura, os níveis dos juros voltam aos pré-crise, à medida que o Quantitative Easing do BCE acaba, e tem acabado mais depressa para Portugal, porque a ajuda já estava perto do limite.

    O que não é normal é um estado (Portugal) ter de esperar que outro estado (ex: Alemanha) decida ou não permitir ao banco central comum (BCE) que assegure a dívida soberana de quem sofre com as desigualdades da zona €uro (Portugal) ao mesmo tempo que quem dá ordens (Alemanha) é quem tem estado a viver à custa dos outros (!) com uma moeda mais fraca do que devia, com excesso de saldo externo (punível pelas regras Europeias, mas como é a Alemanha, fecham os olhos, e com juros negativos dados pelo próprio BCE.

    Manter Portugal no Euro já não é uma questão de preferência monetária. É “O” ERRO cuja tardia solução ditará se temos futuro para dar às próximas gerações, ou se a herança será apenas um estado falhado como a Grécia ou em tempos a Argentina.

    E isto não é uma questão esquerda vs direita, é matemática!

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