Rua 25 de Abril – Carta Aberta


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José Miguel Braga

Caros colegas professores da Escola Secundária Dona Maria II e da Escola Secundária Carlos Amarante:

Não pretendo dar lições a ninguém e muito menos a quem, como eu, procura no dia a dia realizar o seu trabalho com rigor, com boa vontade e com sentido de serviço público.
Sei bem que todos somos diferentes e eu respeito a opinião dos que concordam comigo, dos que discordam de mim, mas também dos cépticos, dos que preferem não se manifestar, dos tímidos, enfim… Como todos sabem, está em curso, até “novas ordens”, um estranho processo de remoção de terras, que afecta os terrenos das “Oficinas de São José”.
De momento, não se vê afixado o alvará, mas tudo indica que se prepara a construção de uma superfície comercial “Continente Bom Dia”.Estou convencido que, se tal projecto se concretizar, a vida escolar de toda o imenso quarteirão que se estende a sul da Rua do Raio, do Largo da Senhora-A-Branca e da Rua de São Vítor e a Leste da Avenida da Liberdade, com início no lugar para onde, outrora, olhava a Igreja de São Lázaro, a vida escolar, dizia, vai ser gravemente afectada.
Por quem? Pelo trânsito, pelo “arruído”, pela decadência, pela instabilidade, pela fealdade… Até agora, esta zona da cidade manteve-se harmoniosa, acolhedora e, apesar do trânsito escolar e da pequena e breve agitação permitida pelo comércio local, ainda nos sentimos em casa, quando vamos ao Peninsular, ao Chave D’Ouro ou ao Sábiá. Temo que o projecto “Continente Bom Dia” faça parte de um desígnio ainda mais obscuro, mas eu não sei qual é, pois não tenho acesso à consciência dos seus mentores nem tão pouco aos eventuais estudos de impacto ambiental. Não me importo de continuar para aqui a falar. Os déspotas aprendem, ao longo do exercício do poder, a cansar as vozes discordantes. “Ele há-de cansar-se, deixem-no falar”… Pois é! O problema é que, há muitos anos atrás, o meu pai dizia-me, com algum orgulho e admiração, que eu era livre e a minha mãe, felizmente ainda viva, nascida no coração da cidade, dizia-me há pouco, “continua a escrever, meu filho”. Aproveito para dizer que nem o meu pai nem a minha mãe alguma vez foram ou se consideraram pessoas de esquerda e eu estou apenas a dirigir-me às pessoas de bem, porque tenho a certeza que essas pessoas, as pessoas de bem, são a maioria dos habitantes da cidade de Braga.

Comments

  1. Maria Aurora Araújo says:

    Parabéns.
    Vivo nesta zona desde os meus 10 anos, estudei na Escola Secundária D.Maria II, vi muitos jovens da Oficina de São José que jogavam futebol nesse espaço que vai ser agora um mono que vais estragar esta zona cala e bonita da cidade.
    Infelizmente, o dinheiro fala mais alto e o nosso Presidente da Câmara, que pensamos jamais ser ” levado” pelos magnatas do dinheiro fosse pactuar com eles porque o dinheiro também interessa à Câmara de Braga.
    Provavelmente, para muitas pessoas que vão trabalhar vai ser bom oeste espaço para poderem estacionar as suas viaturas e não terem de pagar estacionamento, já que estão previstos parquímetros também, para toda a zona da Rua Beato Miguel de Carvalho.
    Cumprimentos

  2. Maria Aurora Araújo says:

    *vai
    *calma
    *este

  3. Pedro says:

    Não digas palermices. Vai ver o preço certo.

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