Mais salário mínimo e menos TSU, ou como não se deve agradar a gregos e a troianos

O desconto de 1% proposto pelo Governo para um eventual acordo cobre, no mínimo, 14,9% no acréscimo de custos das empresas com o novo salário mínimo. Se forem abrangidas todas as situações, como agora, o desconto pode chegar a superar o acréscimo de custos. (Jornal de Negócios)

Os patrões da competitividade graças a salários baixos, em vez de graças à qualidade e eficiência, estão a levar a água ao seu moinho. Na prática, está-se a baixar a sustentabilidade da Segurança Social em troca do aumento de uns euros num salário miseravelmente baixo.

Se isto não geringonçar, já que PCP e Bloco não estão a alinhar no esquema, falta saber se PSD e CDS vão apoiar o PS. A verificar-se esta situação, o PS parecerá um Dr. Jekyll e Mr. Hyde, que nuns dias é geringonça e noutros é caranguejola. Quanto à direita, nada de novo. Estão do lado do capital, como habitualmente.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Muito bem observado. Durante os quatro anos de Passos Coelho a concertarão social foi uma farsa. Uma palhaçada a um trio, em que o patronato, o governo e a Troika fingiam andar de candeias às avessas apenas para engodo dos mais incautos. E a UGT ainda deu um jeitinho, armados em totós…
    Só alguém muito distraído não percebe que o PS anda com a líbido em alta, pelas últimas sondagens, que lhe tem sido favoráveis. E parece querer agradar a todos com o sacrifício de alguns, porque a Segurança Social sendo para todos, destina-se especialmente áqueles cujo único recurso de sobrevivência vem dali.
    O PS por muitas voltas que lhe dêm não resiste a velha tentativa de fazer a espragata sempre que pode. Vai daí, a maioria absoluta que tanto almejam conquistar, tornar-se-á de novo numa vitória pírrica. É por estas e por outras que eu me recuso a votar nestes gajos, … e depois queixam-se que o BE vai buscar votos ao centro esquerda.
    Porra, que esta gente não aprende!

  2. Rui Naldinho says:

    Ó Jorge Cordeiro, se eu pudesse, hoje dava-lhe uma mão cheia de pontos.
    Se não for nestes espacos, pessoas como você e outros bloguers a denunciar estas táticas da velha política governamental e mesmo partidária, a maioria dos jornalistas nem fala no assunto, tal é a vassalagem que aceitaram prestar aos poderes instituídos.

  3. Ricardo Almeida says:

    Tal e qual. Eis o velho e bolorento PS, o PS dos “tachos para os amiguinhos” e das obras magnânimas a dois dias das eleições. É este PS de falsa esquerda que mina a credibilidade dos portugueses na verdadeira esquerda e no socialismo e dá de comer aos arautos da destruição do costume.
    Enquanto o PS insistir neste tipo de manobras, sejam elas para organizar uma possível maioria absoluta ou simplesmente porque apenas só se conseguem portar bem por um período limitado de tempo, tal como o autor, nunca vão contar com o meu voto.
    Ao contrário de um PSD completamente corroído por dentro pelas jotinhas e os amigos neoliberais, acredito que ainda há esperança no PS. Basta ver a disparidade da bancada na maioria dos votos parlamentares. Há claramente várias camadas no PS actual. A velha camada, a camada do Sócrates e Soares que tanta destruição causou, uma camada assim-assim, como que transitória, que tanto dá para um lado como para o outro, e uma camada mais jovem e idealista, que se associaram ao partido porque afinal de contas este tem “socialista” no nome apesar de tudo.
    Mas lá está, por algum respeito e admiração que possa ter por esta última, não quero de forma alguma, empossar a primeira, por moribunda e decadente que seja. Enquanto o PS continuar com estas crises de identidade as probabilidades de ganharem o meu voto continuam diminutas.

  4. Ana A. says:

    Para mim o PS nunca “desilude”! Precisa de rédea curta, tal como os meninos traquinas.
    Acho muita piada ao facto de se ter que fazer concertação social para o aumento do SM. Se é um imperativo para haver um pouco de decência para quem trabalha, devia ser imposição do governo. Sim, imposição! Os impostos nunca são negociados em concertações: são-nos IMPOSTOS!

  5. martinhopm says:

    Concordo com a Ana A. O SMN, em caso de não acordo na concertação social (que não passa um mero órgão de consulta), deve ser imposto pelo governo. Concordo com Ricardo Almeida em que há várias camadas no ‘PS’. Soares, Sócrates, Costa e outros (Assis, o filósofo do leitão, etc.). E não são compatíveis, sob muitos aspectos. Ou serão? Eu que já sou antigo nunca por nunca ser tive confiança no Mário Soares. Claro que tive/tenho muito menos, quer no Cavaco quer no Coelho. Nunca votei PS. Por isso,e apesar de diferenças de opinião sobre certas matérias, vou continuar a votar na CDU Talvez os mais sérios, dentre esta tropa-fandanga. Quanto ao BE lembra-me o PRD. E além disso há ali demasiada gente junta de demasiadas ‘nuances’ políticas. Parece-me uma manta de retalhos, um pouco à semelhança do PS? E que é particularmente apoiado e promovido pelos ‘media’ ,o que o leva a estar na moda. Mais uma semelhança com o PRD.

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