Por mim, não escravizas mais ó palerma


O mundo moderno está cheio destes palermas liberais. O estádio actual do capitalismo selvagem, estádio em que as classes e os interesses mais fortes conseguem por via das marionetes que instalam e vão puxando no poder, permitiu a uma classe diminuta, constituída por meia dúzia de seres parasitas não-produtivos controlar por A+ B as rédeas daqueles que diariamente os enriquecem. Ora pela celebração de tratados e acordos bilaterais ou multilaterais que censuramos, como é o caso do CETA ou do TTIP (remeto-vos para os posts da nossa especialista, a Ana Moreno) ora por via da legislação europeia que na maior parte dos casos, na sua parte laboral, não é mais do que o produto requerido à la carte pelos milhares de lobbistas pagos a peso de ouro pelas grandes multinacionais para pressionar os legisladores europeus em Bruxelas, ora pela criação e modificação de legislação nacional laboral ou pela revogação de direitos adquiridos pelos trabalhadores no passado, ora pela forma que considero ser a mais pródiga de controlo social que é o ordenado mínimo nacional.


Sei que os últimos caracteres que publiquei antes do necessário corte no texto vos indignaram. O Ordenado Mínimo Nacional João Branco? Estás louco? As conquistas de Abril que tanto custaram a Salgueiro Maia? Não. A cartelização do preço do trabalho que vos foi imposta como uma conquista de Abril por todos aqueles que se seguiram no poder aos honestos capitães do MFA! Sim, uma forma de vos controlar! De vos extorquir o vosso corpo, a vossa mercadoria autónoma de trabalho, o vosso cérebro e todas as vossas ideias a trote de chicote e de um vintém para a chicória e para a triga milha… na Padaria Portuguesa!

Os gajos que vos controlam através do salário mínimo, que vos exploram ao ponto de vocês andarem um mês inteiro a contar os tostões para que vocês pensem em 1001 formas de sobrevivência ao invés de andarem a pensar no vosso futuro a longo prazo, que vos desqualificam e não vos deixam estudar porque o ordenado é escasso e não dá nem sequer para a bucha, montam universidades privadas e controlam as públicas para que os novos aventureiros do capitalismo, os filhos, os netos ou os sobrinhos, como estes escroques modernos que vemos na imagem em epígrafe, estudem a sua cartilha nas suas universidades e saiam destas tão ou mais formatados que os seus antecessores.

Estes, qual fordismo em potência no conhecimento, saem das universidades cheios de jargões técnicos que, para vós, todos espremidos, por falta do vosso conhecimento, dão um sumo equiparado aquele que dá a Romã quando espremida. Estes, embutidos de um espírito semelhante ao de um capataz ou de um capitão-do-mato do século XVI dão-vos tretas na hora de contratar, pedem experiência profissional a jovens saídos da escola como se um gajo que se está a iniciar no mercado de trabalho fosse um autêntico nabo naquilo que faz ou que poderá vir a fazer se não tiver trabalhado porque simplesmente estudou ou tentou estudar para ser alguém na vida, oferecem-vos um contrato de salário mínimo para as mãos (isto é, quando não querem que vocês trabalhem na padaria kitsch deles “sem papéis” para poupar mais um bocado na mão-de-obra e nas contribuições para o estado; eu dou-te a história de termos uma Segurança Social segura ó lambuças que foges aos impostos como o diabo foge da cruz!!) e toca a fazer scones para as tias de Cascais comerem à hora do lanche a troco de 3 euros por hora e um coice no rabo quando o contrato terminar ou quando, por algum motivo, o negócio não está a correr bem e é hora de mandar uns quantos para o olho da rua para se poder ir passar férias para as Ilhas Salomão ou para o raio que que vos parta a todos.

Como eles pensam que grande parte de vós não percebe nada de juros, de dívidas, de credit default swaps, de total default swaps, de obrigações, de malparados, de notas de crédito, de letras, de aceites, de imparidades, de business angels, de core ties, de business cores e dessas cenas maradas que os “amaricanos inventaram para se divertir lá na bolsa deles” eles, os vampiros, debitam números e estatísticas, grande parte delas marteladas à pressão ou com base em conjecturas que lhes sejam favoráveis para que vocês não percebam nada de nada e limitem-se a pensar como é que vão comprar o material escolar à vossa Marianinha em Setembro ou o aparelho para o vosso Martimzinho que apesar de ter os dentes tortos, porque para eles ter os dentes tortos é defeito típico dos pobres e o que eles querem é que vocês sejam pobres (de tudo, de carteira, de espírito) “está tão crescido, meu Deus”.

Estes, aproveitam todos os natais para vos oferecer um bolo-rei de tamanho pequeno quando aquele que ganharam dava para alimentar meio país durante 3 meses, com as promessas clássicas de que vos vão aumentar (uns míseros 3 euros e meio ou 5 se vocês se portarem bem, o equivale a dizer que devem estar calados e enterrar a cabeça na areia como a avestruz; ou se o patrão estiver de bom humor naquele dia)  se o negócio correr bem… mas só se o negócio correr muito bem, ou seja, se os lucros passarem de 8 para 10 milhões de euros como aconteceu este ano no caso concreto das finanças da empresa deste palerma.

Estes exploradores são os mesmos que não se importam, sem qualquer pejo de índole moral, sem qualquer remorso ético, de aproveitar os saldos que a legislação oferece para despedir a troco de nada e assim poupar para o seu Ferrari e para o seu investimento a prazo no banco mais à mão do Estado e por conseguinte, sempre resgatado pelo dinheiro dos contribuintes. Se pudessem, estes exploradores voltariam ao tempo em que os latifundiários do Baixo Alentejo iam às praças da vila contratar os praças de jorna ao preço da uva mijona para trabalhar de sol a sol sem receber um único cêntimo extra pelas horas extraordinárias. E fariam tudo isto porque a cartilha que eles estudaram, a mesma cartilha que foi escrita a preceito pelos seus avós e pelos seus pais e tornada lei por todos aqueles que eles subornaram no poder legislativo e executivo, dizia que vocês necessitam de trabalhar. Para o efeito, essa mesma cartilha também dizia que vocês tem que ser convencidos que tem que existir uma alta taxa de desemprego, que o pleno emprego é uma ideia de comunas e que as teorias de Marx ou de Keynes são utópicas só porque sim, sem apresentar um único argumento válido para as rebater. O Exército Industrial de Reserva de Marx dá-vos cá um jeito do caraças de vez em quando não é, seus pulhas?

Estes, são os artistas que não tem qualquer problema em aproveitar este número de circo televisivo para promover a sua marca e o seu modus operandi para que mais do mesmo género apareçam em força.

Estes são os que ciclicamente vivem da teta do estado, ou seja, do nosso bolso. São aqueles que montam negócios altamente lucrativos sem investir um único cêntimo das suas fartas bolsas. São aqueles que beneficiam dos negócios altamente lucrativos que as marionetes que instalaram no poder largam gratuitamente nas suas mãos. São aqueles para quem essas marionetes legislam à medida ao nível de impostos, oferecendo-lhes perdões fiscais quando não cumprem com as suas obrigações fiscais, subvenções fiscais quando precisam de ganhar mais algum, descidas nas contribuições para a Segurança Social que resultam invariavelmente num aumento das contribuições dos trabalhadores, num aumento da idade da resposta, no aumento dos anos de carreira contributiva e na diminuição\cortes nas pensões e reformas, IMI´s mais baratos, possibilidade de venderem a descoberto sem emissão de recibo ou factura, capacidade para colocar o dinheiro que deveriam pagar em impostos em paraísos fiscais ou em ambulâncias dos bombeiros da região escondidos pela capa heróica do mecenato.

São aqueles que minam constantemente os serviços públicos até os tornarem seus já privatizados. São os que colocam na administração desses mesmos serviços gestores da sua laia, completamente alinhados com as suas aspirações para a obtenção de um objectivo comum que é destruí-los, torná-los ineficientes e financeiramente deficitários para não dizer falidos para depois serem privatizados e tornarem-se “inexplicavelmente”, pela lógica da mão invisível e pela sacro santa tia mãezinha de Fátima que salvou João Paulo II da morta ao balázio marado do Ali Agha Khan, negócios altamente lucrativos nas mãos de privados.

Já perceberam que esta gente só vive bem e descansa à custa do vosso caos?

São aqueles que, sabendo que vós só ireis ter dinheiro para o essencial para a vossa sobrevivência com o dinheiro que vos pagam, investem em tudo o que são indústrias de bens de primeira necessidade para recuperar esse mesmo capital que vos remunera. São aqueles que dominam o negócio da saúde e que reinam à grande e à francesa com a vossa desgraça. São os homens poderosos que pagam a publicitários, a copyrighters, a marketeers, a estilistas, a engenheiros, a jornalistas, a críticos de tudo e mais alguma coisa e às administrações dos grandes órgãos de comunicação social para lhes construírem grandes marcas capazes de vos incutir sonhos que vos levam a gastar todo o rendimento que possuem. As férias de uma vida na República Dominicana à sombra de uma folha de bananeira (a crédito; que eles gentilmente sem olhar para a vossa conta bancária) com um mojito com um custo de 3 horas de trabalho mais os respectivos juros e os juros de mora, a troca de automóvel a cada 5 anos (a crédito; que eles voltam a ceder quando sabem que vós ainda não pagaram o anterior) se tudo correr bem e se o Jacinto Leite Capelo Rego se der bem lá no novo trabalho (na Padaria Portuguesa, onde os empregados são aumentados à medida da sua produção), um par daquelas sandálias da moda por mês, o sushizinho ao fim-de-semana com a querida ou com os casais amigos no final de uma semana em que o frigorífico esteve mais depenado que o frango que o Rui Patrício sofreu no domingo passado frente ao Setúbal, aquele iphone (a crédito; só mais um pelo sim pelo não já que vocês o pagam de qualquer maneira) todo da moda que só serve para comprar status social quando a inteligência é pouca e aquela casita comprada a crédito com uma duração de 50 anos, ou seja, o suficiente para que nunca seja vossa e no dia em que os vossos filhos não o paguem o banco vai lá e saca-vos em 3 tempos uma vida inteira de trabalho, são os sonhos que estes bandalhos vos incutem para reaver o que é vosso e o que não é vosso, mas que vão ser vocês e as próximas gerações a pagar. Nas prestações que vos emitem todos os meses. Nos impostos que todos os dias pagam. Nos resgates para os quais não contribuíram nada (aliás, nem percebem nada dessa merda!)  mas são sempre chamados a pagar. É assim que estas sanguessugas da sociedade vos sugam tudo.

No fundo são apenas sonhos que vos conduzem à ilusão, à aparência de terem vivido uma vida cheia quando afinal viveram uma vida vazia, dominados em função da riqueza deles. Eu e vocês morreremos um dia com uma conta bancária com uma soma que não ultrapassará os 2 digitos enquanto as fortunas deles aumentarão de geração em geração.

O povo precisa de acordar. O povo precisa urgentemente de dizer não a esta estirpe de indivíduos. O povo precisa de os desmascarar, de lhes boicotar os negócios através da abstenção à compra dos seus produtos, de tirar os seus representantes no poder político e de criar soluções para que todos os injustiçados pelo encerramento deste tipo de negócios possam encontrar um novo rumo para a sua vida, longe deste tipo de escravidão moderna.

Eu cá não irei comprar um único pão a este tipo. No máximo, serei capaz de ir à Padaria Portuguesa dar uma gorjeta simbólica aos empregados que este gajo explora à frente deste tipo para lhe mostrar que o produto dele, sem o esforço e a dedicação do trabalhador que ele explora, não vale absolutamente nada. Recomendo que façam o mesmo.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Eu acho que a maioria não estudou coisa nenhuma, e a maioria do resto comprou um curso qualquer daqueles onde não é preciso trabalhar muito.

    De economia, isso é óbvio que não percebem pívia, nem de micro quanto mais macro.

    • Foda-se Paulo, finalmente estamos de acordo em alguma coisa porra! Dá cá um abraço!

      • Paulo Marques says:

        Já deve ter acontecido antes de sair do anonimato (era o Nightwish, mas não tenho ligação à banda nem criatividade para outro nick), mas lembro-me mais de outros autores, seja lá por que for.

        • És tu? Caralho! Ainda hoje falava com a minha namorada sobre os pressupostos “trolls” (desculpa lá o termo) que tive de carregar na blogosfera durante anos e lembrei-me precisamente que nos meus primeiros posts no Aventar havia o Nightwish que até era um gajo aguerrido que dava muita luta. Fico surpreso por saber que és tu, agora na versão Paulo Marques. Porra! Se eu soubesse, no outro dia, mandava-te ir dormir com mais carinho, porra!

  2. Muito bem visto e apoiado de todo o coração ; faço minhas as suas palavras !!!

  3. Ana A. says:

    …e dá cá um jeitaço que a malta jovem passe de 5ª a sábado mergulhada nos bares, nos jogos de computador, nas ruas a confrontar-se com as claques rivais…no recato do seu quarto a tentar escapar a este mundo cruel que não pediram e não sabem como abolir!
    Parabéns pelo texto! É o nosso grito de alma!

    • A isso chamo matar a juventude. Matar a juventude é matar o pensamento crítico e é matar o futuro da sociedade. Infelizmente é uma realidade dos dias que correm.

      É uma realidade, em primeiro lugar porque maior parte dos jovens do nosso país nada ambicionam e nada arriscam enquanto estiverem no conforto do lar com uma almofada dos pais a sustentar os seus vícios e passatempos. Em segundo lugar, porque o marketing agressivo que é realizado pelas grandes empresas tecnológicas vende aos jovens a ideia que ter o produto é ter a next big thing, é ter o mundo todo nas mãos, é fazer um vistão junto dos colegas. Não tenha dúvidas que uma grande parte dos telemóveis, tablets e outros dispositivos portáteis de telecomunicações ou entretenimento que são comprados por esse mundo fora não são mais do que um artefacto que é comprado não por ser primordialmente um utilitário indispensável à vida humana mas um produto de imagem que ajuda a disfarçar condições sociais. Costumo até dizer que um bom telemóvel ajuda a preencher alguma falta de inteligência da pessoa que o possui.

      O futebol. O futebol é historicamente a arma predilecta da política para o controlo das massas. Existem milhares de exemplos históricos que poderia citar que o comprovam. Curiosamente, nos primórdios da existência da modalidade, na Inglaterra dos finais do século XIX (em Portugal a partir de 1895 até às primeiras duas décadas do século XX quando começaram a surgir os primeiros grandes clubes de futebol) a modalidade até era usada pelo patronato das grandes empresas como uma forma de promoção do lazer e da manutenção da condição física dos empregados para aumentar a produtividade da empresa. Assim, a jogar futebol, os proveitos eram imensos para os patrões: os empregados passavam a hora de pausa e as folgas a divertir-se no jogo (o que aumentava o bem-estar físico e psíquico dos empregados), a cuidar da forma física (proporcionando trabalhadores mais rápidos, mais ágeis e com uma maior destreza, características que proporcionavam ganhos na produtividade) e um desvio de atenções para outras causas. Como aumentava o bem-estar e a felicidade dos empregados, o futebol era nesse era uma manobra de inversão que garantia a inexistência de protestos e revoltas contra os patrões.

  4. Eu mesma says:

    Grande texto, vou partilhar até onde puder. Deixei de ir ao estabelecimento em causa e nunca mais porei os pés. Não pelos empregados que foram sempre atenciosos e amáveis, não que os produtos não prestassem, mas por este neo-liberalzeco imitação rasca de Trump que consegue perceber de economia ainda menos que eu. Pelo menos, de ética, não pesca nada. Ele e o seu sociozinho, felino malcheiroso da caca, filho-família que nunca trabalhou à séria. Palavra de honra que deve ter tido uma cunha de todo o tamanho para ganhar fama e protagonismo no quarteto dos Gato Fedorento. Foi, suspeito eu, o figurante (dispensável aliás…) mais bem pago da história da televisão portuguesa.
    Esta atitude faz-me lembrar o famoso estágio pago a iogurtes de uma famosa empresa.
    http://www.meiosepublicidade.pt/2014/03/estagio-curricular-na-danone-gera-criticas-nas-redes-sociais/
    E das reacções críticas a essa mesma empresa, cujos produtos boicotei cá em casa há muito tempo. E também me fez lembrar o vómito deitado por dois “famosos” que acham que a malta jovem se queixa demasiado e devia agarrar as oportunidades. Vendo quem são, os acomodados do costume, os que se fazem pagar a peso de ouro pelo “trabalho” que desempenham, os que nunca tiveram de lutar por nada nesta vida e têm tudo dado de bandeja já que mérito e talento são outras histórias… nem me espanta.
    http://www.precarios.net/?p=9947

    • Não sou muito fã do comediante em questão. Fiquei a saber hoje que era sócio deste idiota no estabelecimento em questão. Primeiro porque não suporto aquela vozinha de criança, aquela dicção lisboeta e aqueles tiques estranhos que ele tem. Apesar de saber que não é ele que escreve os textos que representa, a representação dele soa-me a um pretensiosismo que não suporto ver num comediante ou actor.
      Em segundo lugar porque, sendo sportinguista, devido ao facto de ser famoso, mas não pescar nada de futebol, já ocupou muito espaço nas colunas de opinião do Jornal do Sporting (do qual sou assinante desde miúdo), espaço esse que deveria ser dado a quem realmente percebe de futebol ou de qualquer outra modalidade que o clube tenha no seu seio.

      Agarrar oportunidades como esta? Não, obrigado. Infelizmente este é um sector onde existem exemplos piores do que este. Recordo-me de uma padaria aqui em Viseu que ficava ao lado de minha casa que todos os dias apresentava uma empregada diferente. Uma vez vim a descobrir da boca de uma amiga atleta minha, uma das empregadas que lá trabalhou à jorna sem contrato de trabalho, sem remuneração e sem o indispensável seguro de trabalho, que o staff do tipo não tinha um único contrato assinado e que as raparigas que lá caiam directamente vinham da formação profissional, trabalhando lá de borla, encapotadas sob a forma de estágio curricular. O gajo aproveitava-se dessas raparigas para as meter a cumprir as mais diversas funções, desde a lavagem dos pratos ao atendimento ao cliente passando pela produção à noite. Chegou inclusive a chantagear as miúdas (sim, miúdas de 16 anos) que caso não aparecessem para trabalhar, ligava para o orientador escolar a indicar uma má prestação que iria influir na nota final do curso profissional.

      Não posso porém deixar de admitir que a educação parental nos dias que correm está do 8 ao 80. Há pais que não se preocupam nada com os filhos e aliás, que até se comportam pior que os filhos como uns autênticos adolescentes levando os filhos para os cafés e para os bares até tarde quando as crianças já deveriam estar a dormir porque no dia seguinte tem escola, ou que não se importam que o filho esteja ao deus dará, ou exemplos de pais aqui em Viseu que deixam filhos de 13 anos sair à rua todas as noites. Assim como há pais que não desgrudam dos filhos, privando-os de experiências que ajudam no seu crescimento. Conheço casos de pais que interrompem o seu trabalho a meio para ir buscar os filhos à escola e levá-los para a sua habitação que fica a 800 metros de distância. Conheço um exemplo de um miúdo que até aos 11 anos usava sapatilhas de velcro porque não sabia atar os atacadores….

      • Eu mesma says:

        O que me deixa perplexa até à ponta dos cabelos é haver quem elogie este “empreendedor” e invocar a inveja portuguesa, o “ressabiamento” dos que não podem “com quem tem sucesso”. Quando passarem pelo furacão talvez lhes doa a força do vento. A metáfora é um pouco estranha mas a minha boa educação impede-me de dizer o que me apetece. Ainda há pouco o caramelo com pinhões cheios de vérmina teve o suprassumo desplante de “explicar e esclarecer” as suas declarações, alegando que “horas extras são custos dramáticos”: http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/26-01-2017/caderno-1/temas-principais/a-prisao-na-relacao-laboral-nao-faz-sentido-nos-dias-de-hoje
        Vamos a ver se a vontade, expressa em muitos comentários das redes sociais, de boicote a essa rede de “padarias fedorentas” vai ser uma realidade. Ia ser divertido ver o miau mal cheiroso do Quintela da treta percorrer as capelinhas dos media a fazer publicidade em desespero de causa para garantir os ganhos, sem trabalhar, que aufere à conta do negócio que o sustenta.

        • Minha cara, eu cá acredito que isto vai ser literalmente à portuguesa: nos próximos dias as pessoas deixarão de lá ir mas daqui a um mês tudo irá normalizar porque as pessoas paulatinamente vão esquecendo estes e a imprensa tratará de revelar outros iguais. O verdadeiro boicote seria efectivo se as pessoas deixassem de comprar produtos a todos os que por aí grassam para pura e simplesmente os eliminar do mapa.
          Li com relativa atenção a 2ª oportunidade que lhe concederam. Literalmente para nada. Este tipo não só não utilizou a oportunidade que lhe deram de graça para promover a marca como acabou por desperdiçar a 2ª oportunidade que lhe deram para dar a mão à palmatória e emendar a cagada que disse.

          1. A ideia de que os trabalhadores devem ser aumentados à medida em que os negócios evoluem é uma tremenda falácia. Um patrão como este facilmente desvia as mais-valias geradas para a empresa para outro país com uma realidade fiscal mais atractiva. Logo, ao desviar os lucros para outro país através de uma 3ª empresa, pode sempre alegar que a empresa não gerou ganhos. Um patrão como este facilmente pode dizer aos empregados que a produtividade do ano x não foi a esperada, logo, não há lugar a aumentos. Em último caso existe sempre o despedimento fácil e barato para por cobro aos rebeldes que se insurgirem dentro da empresa. Esta é a arma de arremesso mais eficaz de que os patrões dispõem.

          2. A legislação laboral portuguesa ainda é omissa em muitos aspectos que consideros dignos de civilização. O primeiro reside no facto de ainda não termos entrevistas de trabalho gravadas e auditadas por entidades estatais sérias e independentes. Resulta que muitos patrões (enrascados) prometem mundos e fundos nas entrevistas para que os inocentes e desesperados caiam na cantiga, apresentando-lhes condições contratuais bem diferentes na hora de assinar o contrato. A possibilidade contratualizada de terem que ser forçados a fazer trabalho suplementar quando o patrão assim requisitar, a possibilidade que este tem, devidamente contratualizada de alterar o local de trabalho do trabalhador ou aquelas insidiosas cláusulas que dão o direito ao patrão de a qualquer momento colocar o empregado a realizar trabalho considerado fora das suas funções são direitos contratuais que deveriam obrigatoriamente, sem o risco das pessoas poderem vir a não ser contratadas (daí a gravação da entrevista para tudo ficar preto no branco) caso se recusem a subscrever essas cláusulas.deveriam ser acompanhadas do direito do trabalhador poder ter liberdade negocial para vir a colocar no contrato de trabalho as cláusulas que considere pertinentes para a execução da função
          Os contratos de trabalho só olham portanto na sua maioria aos direitos potestativos dos interesses dos patrões.

          Claro está que explicar isto ao Nuninho da Padaria Portuguesa é muito difícil… dado o estado avançado de decomposição à cartilha que enuncio no post.

          3. Depreende-se perfeitamente de onde é que o Nuninho veio buscar estas ideias. 10 anos na Jerónimo Martins não é mais suficiente para aprender umas coisas com o mestre que mais lucrou com este cenário laboral?

          4. Será que ele acredita mesmo que existem pessoas que trabalham 60 e 80 horas por semana? Se acredita, estamos perante um caso problemático de loucura!!!

          5. A típica conversa do patrão vítima e do empregado gastador, quando os salários deste país mal dão para comer e quando o marketing agressivo com que os tipos da laia dele poluem o ambiente incitam as pessoas a serem gastadoras. Se as pessoas não fossem gastadoras e não lhe comprassem um pão estaria tão rico?

  5. tá bem tá says:

    e para este como para outros a coisa aconteceu porque o primo ganhou um dinheirito fedorento. senão era mais um caixa do pingo doce ou continente, escravizado pelos que agora são amigos dele.

  6. Rui Naldinho says:

    A mim não é a estupidez deste artista que me choca. O país está cheio de novos riquinhos que vindos do nada, de repente encontraram uma enorme forma de sacar depressa e bem, aquilo que há muito almejavam, um lugar de patrão, com bons carros, uma bruta casa, de preferência numa zona VIP.
    É respeitável o desejo do ser humano de melhorar a sua vida, com trabalho e de forma honesta. O que não é respeitável é esta espécie de gene humano, daquela raça do, “nunca peças a quem pediu, nem nunca sirvas a quem serviu”, que vê no salário baixo uma forma de progredir na carreira.
    A mim choca-me a quantidade de distraídos e otários, que vão continuar a alimentar este palerma, continuando a comprar nas padarias de grupo, em vez de fazer um verdadeiro boicote às suas lojas.
    E não me venham com aquele choradinho dos empregados no desemprego.
    Eu nuca vi nenhum padeiro, nem nenhum pasteleiro desempregado.
    Muitos deles, até deixaram os seus empregos por iniciativa própria para andarem nessas feiras ao fim de semana a trabalhar por conta própria, nos seus pequenos negócios.
    Foi com essa conversa do medo e da chantagem que o artista que nos governou na legislatura anterior, nos tramou.

  7. Bruno feijao says:

    És sócio gerente porque já não podes ter nada em teu nome .

  8. Camaradas says:

    Só não entendo porque razão os porteguesinhos analfabetos quando emigram escolhem países ultra neo liberais como Inglaterra, Dinamarca, suécia, noruega etc com políticas laborais mega liberais em detrimento de países com leis laborais mais socialistas. são mesmo burros.

    • É caso para dizer com todas as letras: WHAT THE FUCK? Vai mas é dormir pá. Desde quando é que os países nórdicos são um destino de emigração dos portugueses? Desde quando é que esses mesmos países (Suécia, Dinamarca e Noruega) começaram a por em prática modelos liberais de organização social, política e económica de estilo liberal? É que eu cá, um tuga analfabeto, estou certo que eles são sociais-democratas. Sociais democratas puros que acreditam na justa distribuição do produto social pelas camadas sociais através de um conjunto de direitos sociais que compreendem o fornecimento de bens e serviços (como a educação, saúde, segurança social) através do Estado ou da regulamentação por si imposta em troca de uma justa cobrança coerciva de impostos pelos cidadãos, na qual os Estados cobram mais impostos aos cidadãos que auferem mais rendimentos e menos aos cidadãos que auferem menos e que por conseguinte são mais desfavorecidos e mais beneficiados pela ajuda estatal.
      Vê-la tu que segundo grande parte das escolas económicas, o modelo de estado-providência (socialista ou social-democrata, ou do bem-estar, como lhe queiras chamar) dos nórdicos é uma das 3 tipologias aceites no estudo dos fenómenos dos estados-providencias, juntamente com o modelo liberal (o exemplo do Reino Unido) e o modelo assistencialista ou continental que é por exemplo praticado na Alemanha.

      Rapaz, acho que precisas de estudar um bocadito mais antes de vires para aqui debitar palavras sobre aquilo que não sabes.

      • Bom post. Lembro-me que na Finlândia o gestor da nokia teve que pagar uma multa automóvel avultada precisamente por ser dos cidadãos finlandeses que mais aufere ao fim do mês. Se há coisa que os nossos patrões não gostam é dos modelos nórdicos.

    • Fernando Antunes says:

      Como pessoa que já trabalhou num país escandinavo, eu podia dar-lhe uma resposta, Camaradas, mas a sua ignorância é tão atroz que nem saberia por onde começar…

    • Paulo Marques says:

      A Inglaterra é tão liberal que nem gosta de estrangeiros… Acho que é mais por os trabalhadores que em Portugal são preguiçosos, têm falta de autonomia e quejandos gostam de ter o seu trabalho reconhecido. Já reparou que ninguém diz de nós o que os nossos patrões dizem? É do clima, só pode.

      • O meu próprio pai admite que em Portugal era um malandrote armado em marialva e que no estrangeiro virava o Super Trabalhador de 12 horas sem pestanejar. Eu cá acho que esse tipo de comportamentos são motivados pelo mais básico que é o dinheiro. Trabalhador orientado é trabalhador produtivo e motivado.

        • Paulo Marques says:

          Bem, eu falo mais do que conheço na minha área de engenharia, onde é um bocado diferente, normalmente o dinheiro é um bónus.

  9. Merdaria portuguesa, com certeza. says:

    Foda-se !!
    Grande grito de corpo e alma.
    Nunca mais ponho os butes na Padaria Portuguesa.

  10. Espero que se tenham consciência que as tais sociedades onde a exploração e iniciativa capitalista é menor, são aqueles onde os seres humanos vivem pior(espero que saibam o que são seres humanos de carne e osso e não seres miticos). As cooperativas e UCP aqui em Portugal, em Cuba, na Venezuela e por aí fora só criaram miséria e fraca produção. Claro que não tinham lá gente a escrever tao bem (mesmo que só lero lero) como o nosso escritor aqui

    • Fernando Antunes says:

      Mas porque é que os direitolas falam sempre de Cuba ou Venezuela (costumeira carência de imaginação; por lapso terá omitido a Coreia do Norte, desta vez!), em vez dos exemplos à frente do nariz, já aqui na Europa?

      Gostava que tentassem abrir Padarias Portuguesas na Suécia, na Noruega ou na Finlândia, com horas extraodinárias não remuneradas!
      Talvez o genial “empreendedor tuga” deste vídeo – que fez a sua fortuna a pulso graças à sua inteligência brilhante e não por ser primo-sócio do Quintela, claro – ainda acabasse preso ou condenado a pagar uma fortuna em indemnizações aos lesados. É que há países onde a Legislação do Trabalho não é faz-de-conta e o desrespeito pelos direitos dos assalariados dói aos patrões.

      E não acredito que alguém acredite mesmo nisto: “sociedades onde a exploração e iniciativa capitalista é menor, são aqueles onde os seres humanos vivem pior”. O quê?? Então vá morar para as Filipinas ou outros países onde a regulação da exploração capitalista é menor! Sim, porque o que o nosso país precisa mesmo é de mais trabalho infantil: meter a miudagem preguiçosa a trabalhar 60 horas é que era! Imagine a margem de sucesso para os empreendedores batedores de punho da Tugalândia… Há que copiar essas boas práticas de “flexibilidade laboral”, certo?

      • O que dizer da própria meca do capitalismo, os Estados Unidos da América, país de infinita pobreza (até entre quem trabalha) em que o custo da mão-de-obra está tão desregulado ao ponto de se acreditar piamente que a coisa se deve resolver com o envio de milhões de imigrantes para casa porque na perspectiva de alguns são uns que fazem descer ao custo da mão-de-obra ao aceitar todos os empregos mal remunerados que o país tem para oferecer?

        O exemplo de Cuba é sempre citado, nem que seja para encher a boca. O que é certo é que maior parte das pessoas que usa Cuba como arma de arremesso nunca teve que governar um país que está há quase 5 décadas sem possibilidade de realizar trocas comerciais com 80% do mundo e mesmo assim ainda tem um índice de desenvolvimento humano muito superior aos dos países africanos apoiados directamente pelas grandes potências, a alguns países do médio oriente (onde o petrodólar existe em abundância mas o produto social não chega ao povo) e a alguns países do sudeste asiático que tem intensas trocas comerciais com as grandes potências mundiais por via da proliferação da actividade comercial das grandes marcas, do trabalho escravo barato e do trabalho infantil.

        De resto, estou inteiramente de acordo com a sua opinião Fernando 🙂

  11. Rui Stuart says:

    Querem lá ver que o “…fascista…” do dono da Padaria Portuguesa (PP) só paga o ordenado mínimo ( x 14 meses) a 25% dos empregados (sem experiência) e os outros 75%?

    Querem lá ver que o “…vergonhoso..” ordenado mínimo de 577€ custa, à PP, 877€ porque o Estado redistribui, indirectamente, uma parte dos 300€ por “sítios” e “pessoas” menos aconselháveis (…)

    Querem lá ver que este “…fdp…” tem, na PP, como ordenado médio quase 700€?

    Querem lá ver que este “…miserável…” DISTRIBUI, mensalmente, 1,5% sobres as vendas pelos colaboradores.

    Querem lá ver que o grande “…explorador…” até se rege pelo código do trabalho em vigor . Que ao contrário de alguma concorrência a PP não paga nada por fora a nenhum dos seus 1000 (mil) empregados nas suas 50 lojas.

    Querem lá ver que este grande “… porco…” tem Arquitectos, Advogados,… contratados porque não conseguiram emprego nas suas áreas e “hoje ganham, na PP, “3 ou 4 vezes o ordenado mínimo”.

    Querem lá ver que este tipo “…sem um pingo de vergonha na cara…” gostaria que alguns dos seus colaboradores tivessem a possibilidade de PODEREM ESCOLHER: Entre trabalharem 40 horas semanais na PP e mais 40 noutro emprego (Total: 80 horas semanais) Pudessem escolher, proporcionalmente ganhando o mesmo, trabalhar só 60 horas semanais na PP. Porém a legislação laboral não o permite..

    Não estou desempregado e felizmente, há 16 anos, que gosto do meu emprego. Mas se tivesse gostaria muito de ter este “porco fascista” como patrão.

    Pois é! A inveja é mais fácil do que arregaçar as mangas e mostrar obra.

  12. Meu caro, para sua infelicidade, eu já ando há tempo suficiente na blogosfera para saber que o truque dos visados é sempre este: nunca ir ao choque directamente no momento para depois de assentada a poeira, contra atacar com vigor de forma a tentar desarmar e ridicularizar o outro lado da barricada.

    Neste tipo de questões, como já vi tanto na vida, como já vi tantas atrocidades a serem cometidas no mundo do trabalho à minha frente, comecei a ser como São Tomé: ver para crer. Para corroborar as suas afirmações não basta um simples comentário, são precisas provas. São precisos factos. Para escrever o que escrevi, só tive que me cingir a factos que foram as declarações do seu amigo. Isto é, se o dito “fdp”, transcrevendo o termo carinhoso com que o tratou, não é mesmo o senhor. A minha experiência na blogosfera diz-me que maior parte dos comentários “contra” são escritos pelos visados ou por alguém próximo ou que partilha da mesma ideologia, dos mesmos vícios ou até dos mesmos hábitos. Não gosto de gatos escondidos com o rabo de fora. Faça-me chegar esses dados que eu faço-lhe chegar outros. É que entretanto já consegui chegar ao contacto com muitos funcionários da dita empresa e as histórias que me vão chegando confirmam curiosamente o contrário do que o Sr. afirma.

  13. Outra coisa: acha mesmo que existem neste momento muitas pessoas dispostas a trabalhar 60 horas semanais? Acha mesmo que é justo e saudável sobrecarregar uma pessoa com 60 horas semanais de trabalho? Muito sinceramente, acha que é correcto uma entidade patronal não contribuir para uma redistribuição do produto social cujo usufruto é do trabalhador? O pagamento de impostos não pode ser visto como uma carga excessiva para os patrões. Trata-se de uma obrigação para com a sociedade de acordo com um contrato social subjacente existente entre o Estado e o trabalhador que transforma essa mesma obrigação num direito detido pelo trabalhador e em benefícios providos pelo Estado a esse mesmo trabalhador e à sua família.

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