Religião? Que tal pedir uma segunda opinião?


Problemas de saúde? Precisa de uma segunda opinião? Esqueça lá a medicina convencional e passe na repartição mais próxima da Igreja Maná, uma ponte com o divino onde tudo se cura, ao vivo e em directo, pelo preço certo em dízimo.

Antes de soltar a gargalhada, caro leitor, tenha em consideração que vive num país onde muitos milhares de pessoas acreditam (mesmo) que descendem de uma personagem mitológica chamada Adão, a quem Deus retirou uma costela para criar Eva, sua cara-metade, tendo ambos sido posteriormente expulsos do Paraíso, culpa de uma cobra matreira que fez da mulher pecadora (só podia ser ela, que os homens, é sabido, pecam muito menos), levando-a a comer a maçã proibida. Considere ainda que igual número de pessoas acredita que o mundo foi inundado para castigar os excessos pecaminosos da humanidade, tendo Deus ordenado a construção de uma arca que permitiu salvar um par de cada espécie, para evitar o destino dos pobres dinossauros. E não esqueça que, já esta semana, no santuário de Fátima, celebrar-se-ão 100 anos de uma data em que, reza a lenda, três crianças terão visto uma divindade descer dos céus. Diga-me, caro leitor, se o seu filho de nove anos chegar tarde a casa para jantar, depois de uma tarde no pastoreio, e lhe disser que viu a Virgem Santíssima, a pairar sobre uma azinheira, vai acreditar nele?

Foi o que me pareceu.

Nisto das religiões, como com a saúde, importa ter o cuidado de pedir sempre uma segunda opinião. Não vá a religião escolhida estar a querer fazê-lo de parvo. A probabilidade é elevadíssima e há (quase) sempre alguém a ganhar dinheiro com isso. Até porque, já dizia o saudoso (e herege) George Carlin, isto de religiões e dinheiro tem muito que se lhe diga:

Religion has actually convinced people that there’s an invisible man living in the sky who watches everything you do, every minute of every day. And the invisible man has a special list of ten things he does not want you to do. And if you do any of these ten things, he has a special place, full of fire and smoke and burning and torture and anguish, where he will send you to live and suffer and burn and choke and scream and cry forever and ever ‘til the end of time!

But He loves you. He loves you, and He needs money! He always needs money! He’s all-powerful, all-perfect, all-knowing, and all-wise, somehow just can’t handle money!

Comments

  1. Hahahahaha says:

    Que video excepcional !!
    Obrigado.

  2. Rui Naldinho says:

    “Agora, fiquei confuso, João!”
    E eu pensar que a Igreja Mana era a PAF!!!!
    Deve ser confusão minha, de certeza? Só pode!
    É que Portugal durante quatro anos e meio, foi um maná para uns não sei quantos amigos deles, ao abrigo daquela Lei do Antigo Testamento, “Ai aguenta, aguenta”, do Livro do Piegas, que eu até pensei que aquela coisa do Diabo vir em Outubto era mesmo premonição evangélica.
    Cada vez percebo menos de religiões. Deve ser por haver muitas!

  3. Não vejo razão nenhuma para não acreditar no miúdo. Já se ele me vier falar de uma caixa com um gato dentro e com uma partícula subatómica girando a várias velocidades e em vários lugares simultaneamente, e que não abre a caixa com medo de matar o gato, ficaria deveras preocupado.
    Quando ao dinheiro gasto, não se preocupe. Eu sou católico e crente nos pairares de senhoras sobre azinheiras mas lhe garanto que já gastei mais dinheiro na educação dos filhos para lhes ensinarem que a divisão pelo infinito é zero, do que o que gastei em velas e esmolas.
    Agora se eu fosse você é que ficaria preocupado, pois acredita num sistema de governo por eleições com votos de gente que, segundo você, é tontinha.

  4. Quanto à questão náutica, então vossemecê é como o Trump, que não acredita que o mundo será submergido pela subida dos mares devido ao aumento da temperatura resultado do mau comportamento da humanidade para com a natureza.

  5. O culpado disto tudo é o Noé.
    Construiu a arca e entre outros meteu lá dois camelos…por isso.

  6. JgMenos says:

    Os chicos-espertos deliciam-se a ridicularizar a religião, mas sempre encontram uma qualquer merda onde fundam a sua fé.
    Os mais cretinos embrulham a fé em vestes de ciência, e há mesmo uns tótós que me dizem ser científico que somos destinados a sermos todos iguais; falta dizer em quê, mas a fé e umas porradas supostamente resolverão essa parte.

    Deixem os pastorinhos em paz e preocupem-se com os pastores que prometem manás: a probabilidade de serem grandes vigários é igual a 1.

    • José Peralta says:

      Ó “menos” !

      Não percas o teu “prêçioso” tempo com os ímpios, os chicos espertos infiéis (como eu…) que, sempre que acedem ao AVENTAR, encontram, a cada passo, “uma qualquer merda”…

      Dedica-te à nobre, generosa e benfazeja “missão” que a ti próprio atribuis :

      “Sendo o combate à ignorância e pseudoconhecimento um dos “teus” temas favoritos e, consequentemente, a regulação, pelos cretinos, do “múnus” religioso-científico, um dos “teus” ódios de estimação; “faz” O SACRIFÍCIO SUPREMO e… parte !

      Parte para o mais longe que puderes, nessa “cruzada” contra os tótós que se “deliciam a ridicularizar a religião” !

      Parte, mas antes, esclarece cá a gente ignota : Porque falamos de religião, quando te referes aos “pastores e grandes vigários” com quem nos devemos preocupar, a quem, concrectamente te referes ? Ao manuéis clementes, e aos cabecinhas da “cúria episcopal” que “empocham milhões” à custa da “FÉ”, e estão isentos do FISCO ?

      Ou “esses” não cabem no teu “sacrifício supremo” ?

      Talvez encontres uma (mas há mais !) das respostas que faltam no “quê” de não sermos todos iguais !

      E quando “a” encontrares, não te esqueças ! Diz à gente…

      • JgMenos says:

        Sinto-me quase um missionário a iluminar-te o bestunto, Peralta.
        Não há desastre que não traga uma frota de ‘assistentes psicológicos’ pagos pelos meus impostos.
        Vou-me incomodar por haver quem esteja disposto a pagar assistência sem me mexer no bolso?
        O que te incomoda é que recorram a outros que não os teus pastores, que te prometem manás e te fazem acredita seres do ´’povo eleito’ para trinchar da camada mais tenra.

        • José Peralta says:

          Ó “menos” !

          Como sempre estás enganado ! O que me incomoda é haver uma classe de gandulos de sotaina, e outros sem ela mas de crucifixo como arma de arremesso, a quererem, por exemplo, que os meus impostos paguem as suas escolas CATÓLICAS privadas !

          E outros, vendilhões impunes do “templo”, a “esmifrarem” ignóbilmente a religiosidade, a Fé, e quantas vezes o desespero de incautos à espera de um último “milagre”, e “empochando” os milhões incalculáveis desses incautos, que lhes dão para construções faraónicas de “catedrais”, e ridículas “encomentas” de “terços” gigantones, sem darem qualquer conhecimento ao FISCO !

          Que, “curiosamente”, é capaz de me processar e condenar por um pequeno erro ou atraso num pagamento, e manifesta uma “beatitude” complacente e cúmplice com esses GRANDES “VIGÁRIOS” ( e nunca este termo foi tão bem aplicado…), os quais, presumo, são os “teus pastores”, já que, com a tua proverbial “generosidade”, queres atribuir-me…”os meus” (!!!!!), mas não disseste quem eram !
          ___________________________________________________
          http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2017-03-11-Os-segredos-do-negocio-de-Fatima

          “Ponha o seu dinheiro a render no Banco do Céu”…(Jornal “Voz de Fátima” (1940) ! Donde se prova que o descaramento já vem de longe !

          “Mas as receitas são de outra ordem, apesar de permanecerem secretas há mais de uma década. A instituição “tem partes de empresa, de misericórdia e até de um governo”, afirmou em tempos Luciano Guerra, reitor do santuário de Fátima entre 1973 e 2008. Aquando das alegadas aparições de 1917, a Igreja não detinha qualquer património na região, mas em poucos anos adquiriu todas as propriedades em redor do local onde supostamente apareceu a Virgem aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco.(…) Desvios de verbas das esmolas, desfalques, foram noticiados nos primeiros anos de afirmação de Fátima, com desmentidos coléricos de jornais católicos. Na década de 1940, o jornal Voz da Fátima incluía uma secção intitulada “Ponha o seu dinheiro a render”, recomendando aos fiéis que o fizessem nos “bancos do céu”. O periódico garantia que os depósitos nos bancos terrenos se afiguravam perigosos por causa da guerra. Segundo um ofício encontrado no arquivo do Governo Civil de Leiria, a notícia levara a “gente ingénua dos campos” a seguir o conselho à letra, levantando o dinheiro das caixas económicas da altura”.

          Consegues perceber agora, ó “menos” ? Vá lá ! Faz mais esse “sacrifício supremo”…

  7. José Fontes says:

    Ó olharapo JgMenos
    «há mesmo uns tótós que me dizem ser científico que somos destinados a sermos todos iguais;»
    E eu conheço um totó que diz ser científico que somos destinados a sermos todos diferentes.
    Uns comerem a carne e outros raparem os ossos.
    Sabes quem é?
    É o João Pires da Cruz.
    Não conheces?
    Não acredito.
    É o cromo que usa o nick JgMenos no Aventar e o nick José no Ladrões de Bicicletas e que escreveu isto no Observador:
    BANCA: Mas quem haveria de pagar?
    João Pires da Cruz
    http://observador.pt/opiniao/mas-quem-haveria-de-pagar/

  8. Paulo Só says:

    Se chega o Papa, mas o Jesus vai embora não sei se ganhamos coma troca.

  9. Luís Neves says:

    Pedir uma segunda opinião a um profissional da mesma escola daquele a quem se pediu a primeira…
    …é que é muito engraçado.
    Há áreas relativamente bem delimitadas de incompetência da medicina convencional (não só alopática, mas também farmacêutica). As doenças crónicas e o cancro. É sensato pedir uma “segunda opinião” fora. Quanto mais cedo, melhor.
    Incompetência é incompetência, sem ou com “embasamento científico”.
    As medicinas e as terapias alternativas, pese embora lhes possa faltar “embasamento científico” são mais competentes nestas áreas em que a medicina convencional (ou farmacêutica) não o é.
    E quando está em jogo a saúde ou a vida…
    …que se foda o “embasamento científico”!
    Muitas vezes, cada vez mais, o jogo não é entre o ter ou não ter “embasamento científico”. O jogo é dentro do que que se convenciona chamar “ciência”. Há interesses que não são “científicos” que jogam aí.
    Cuidado com a linguagem. Ela já está capturada pelos ditos que investem mais em “comunicação” do que em “ciência”.

  10. Ricardo Almeida says:

    Humm, depois do 13 de Maio, o que impede um budista português (e há uns quantos por cá diga-se) de pedir dispensa do trabalho se o Dalai Lama decidir regressar a Lisboa? Ou qualquer testemunha de Jeová?
    O governo esteve mal neste assunto, não específicamente na questão da tolerância de ponto, mas por impor uma religião sobre outras, minoritárias ou não, num Estado que se crê laico.
    Não se trata de injustiça perante outras fés mas sim a criação de um precedente perigoso nesta matéria.
    E se o Papa decidisse ficar por cá uma semana? Férias para toda a gente?
    A verdade é que o governo esteve numa situação de “lose-lose”. Se optasse pela tolerância de ponto, surge como um governo populista, com uma manobra típica de ano de eleições, além de estar a polarizar a população religiosa portuguesa, cada dia mais diversificada, apesar da imagem impingida pelos vários directos diários da SIC e CMTV a partir das estradas nacionais que vão dar a Fátima.
    Por outro lado, se cedesse e tomasse a atitude correcta, que seria tratar o Papa como tratou o Dalai Lama em 2007, a direita cristã e a secção beata da nossa sociedade iriam ter orgasmos políticos a cada duas horas.
    Quem não têm Diabo caça com Papa.
    É uma situação em que o governo, e em particular o PS, iriam sair sempre a perder.
    Só acho que perderam mais do que era preciso…

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