O toque de Midas da jihad financeira


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O capitalismo que temos, talvez o pudéssemos ter mais regrado e amigo da (esmagadora) maioria, é selvagem, opressor e não olha a meios. A regra é lucrar o mais possível e, sempre que necessário, levar tudo pela frente. Os ayatollas da coisa chamam-lhe liberdade, e o mercado livre ao qual rezam o terço não difere muito do conceito de imprensa livre preconizado por Hitler ou Estaline. As armas e os métodos podem ser diferentes. O fim, esse, é essencialmente o mesmo.

E como tudo vale, seja exterminar espécies em vias de extinção ou florestas tropicais, seja recorrer a trabalho escravo para reduzir custos e aumentar a produtividade, que o ambiente e os direitos humanos não têm espaço nas folhas de Excel dos déspotas do capital, as alterações climáticas e a poluição, como tudo na vida, são excelentes oportunidades de negócio que o empreendedorismo da ganância não pode desperdiçar. 

O exemplo que podem ver em cima, que está longe de ser caso isolado, ilustra bem o toque de Midas da jihad financeira. O planeta está poluído? ‘Bora ganhar dinheiro com a venda de máscaras que nos protegem da poluição. E será que protegem mesmo? Não importa, isso é um mero detalhe sem importância. Se as televendas conseguem dar vazão a produtos tão insuspeitos como a Alcachofra de Laon ou o Abexine, a grande máquina do capital não terá grande dificuldade em convencer dezenas ou centenas de milhões de consumidores (“pessoa” ou “humano” são termos caídos em desuso) a comprar uma máscara que pode salvar as suas vidas. Se não salvar, já cá não estarão para protestar. Precisam de um empurrãozinho? Aqui têm.

O sistema capitalista é como os casinos: a casa ganha sempre. E a casa não podia estar mais eufórica. Com a chegada de Donald Trump ao poder, já nem precisa das fraudes da Heritage Foundation e dos irmãos Koch. Mal o verme se sentou na Sala Oval, fez questão de travar toda e qualquer esperança que restasse de um compromisso do maior poluidor mundial para com o ambiente. Nada que não estivéssemos já à espera. O liberais rejubilam, com aleluias e cruzes a arder Tennessee, as farmacêuticas esfregam as mãos, enquanto os seus laboratórios produzem vacinas para doenças que ainda não existem, e as projecções de vendas dos tipos das máscaras disparam em direcção ao céu. Haverá maior liberdade?

É investir enquanto há tempo, antes que os tubarões se apropriem de tudo. Sim, isto era eu a meter-me consigo, caro leitor: mesmo que invista a tempo, os tubarões, one way or another, apropriam-se de tudo. É a tal liberdade dos fundamentalistas da especulação, uma liberdade acessível a todos, excepto a aproximadamente 7,2 mil milhões de indivíduos, essencialmente esquerdalhos preguiçosos que não querem trabalhar. Mas, já dizia São Ulrich, a malta aguenta. Ai aguenta, aguenta. E aguenta porque quer.

Comments

  1. André Miguel says:

    Então o problema do capitalismo é haver idiotas a vender inutilidades e não os idiotas que as compram, é isso? Hum… ok…

  2. Paulo Marques says:

    Não diga mal do homem, que até acabou com o TPP. Quem dera que alguém fizesse o mesmo com o CETA.

Trackbacks

  1. […] Escusado será dizer que a filha do troglodita tem literalmente zero experiência na área que vai agora liderar. Claro que, depois da nomeação de um negocionista das alterações climáticas com ligações à indústria petrolífera para a pasta da Energia, entre outras que me fazem por vezes duvidar se tudo isto é real ou uma spin-off do House of Cards, já pouco me surpreende. O fundamentalismo neoliberal está preparado para arruinar definitivamente o ambiente, quiçá na expectativa de no futuro facturar milhões com oxigénio e derivados. […]

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