O Carvão


O John Oliver é um “englishman in New York“.
Não é nem jornalista nem sociólogo nem economista mas consegue antever o futuro da indústria do carvão nos EUA, um futuro de declínio iniciado… há décadas.
Por mais que Egocêntrico Cabeludo  Trump jure que sim, que vai criar postos de trabalho nas minas de carvão, a verdade é que isso é virtualmente impossível de acontecer, tanto porque a mineração a céu aberto gasta muito menos mão-de-obra como também porque o gás natural e as energias renováveis têm conquistado o seu quinhão no mercado.

Podem um humorista e o humor serem mais assertivos que os burocratas? Ora bem…

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    A essência do capitalismo é explorar tudo o que pode dar dinheiro, até à exaustão. No mínimo, até que deixe de ser economicamente rentável.
    O problema é quando as pessoas que serviram como mão de obra intensiva para essa exploração maciça de recursos naturais, o carvão, ou de manufactura industrial, por exemplo, o “automóvel”, são deixadas ao abandono, sem alternativas que lhes permitam regressar ao mercado de trabalho, antes da idade da reforma. Mas também, ver os seus filhos a emigrar à força, por não haver naquele Estado qualquer alternativa viável de emprego digno. Tudo isto era evitável se houvesse vontade política dos governos. Mas o capitalismo é assim. Usa, abusa e deita fora!
    Quem ler artigos sobre a cidade Detroit nos anos 60, e hoje, ficará “passado”, ao aperceber-se que uma das maiores metrópoles dos EUA, não passa na actualidade, de uma “cidadezeca”, moribunda.
    Não compreender isto, num país como os EUA, é achar que metade dos Norte Americanos que se disponibilizam a votar são estúpidos, o que não é verdade.
    A extrema direita tem explorado relativamente bem essa “angústia existencial” de certas franjas de americanos.
    Alguma arrogância intelectual de uma certa direita liberal, e também de uma pseudo esquerda social democrata, que acham a globalização uma coisa inevitável, que o é de facto, mas quem está mal que se amanhe, ou que se mude, não pode depois estranhar tudo aquilo que se está a passar nos EUA e na Europa.
    Quando um país elege um idiota para Presidente, por muito que nos custe aceitar, a pergunta que devemos colocar a nós mesmos, e eu colocar-me-ia na pele do John Olivier, é como foi possível nós andarmos tão distraídos, para que isto fosse possível acontecer?
    O resto são fait divers que demonstram alguma ironia, mas nunca resolverão qualquer problema.

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