Ai Raul Vaz, Raul Vaz.


No programa Contraditório de ontem, na Antena 1, Raul Vaz faz o seu spin sobre a entrevista de Rui Rio que saiu hoje nesta estação de rádio. Mas, sobretudo, aproveita para valorizar Passos Coelho.

Rui Rio, se fosse eu [sic] ou se fosse Pedro Passos Coelho, não governaremos [sic] para o presente. Ou seja, governaríamos para o futuro. Isto é o que Rui Rio diz. E usa, de facto, aqui Pedro Passos Coelho de uma forma que, acho, inteligente, séria e verdadeira. Ou seja, Passos Coelho não governará [sic] para o presente. Teria em consideração, penso, também o futuro.

Há uma proposta do Bloco de Esquerda que o governo vai provavelmente comprar, que é as reformas antecipadas entre 2011 a 2015 terem um bónus. Repare-se neste anacronismo. É quase esquizofrénico. As pessoas que se reformaram entre 2011 e 2015, antecipadamente, é um acto voluntário [sic]. Sabiam as condições. (…) Isto não faz sentido nenhum. Esta retroactividade. Governar para o futuro é ter presente as dificuldades do presente e criar condições melhores para o futuro. (…) [Raul Vaz, 3/11/2017]

No entanto, Raul Vaz omite um pequeno detalhe. As regras foram mudadas a meio do jogo.

O anterior Governo, por iniciativa do então ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, mudou as regras de cálculo do factor de sustentabilidade, que reflecte a evolução demográfica no valor das pensões, e que passou a ser calculado com base na relação entre a esperança média de vida aos 65 anos em 2000. Antes a referência era o ano 2006.

A alteração fez disparar a penalização aplicada às pensões antecipadas. Por exemplo, em 2015, pelas antigas regras a penalização seria de 6,17 por cento, enquanto as novas regras passaram a determinar um corte de 13,02 por cento. (…)

Já Rosário Gama, da Associação de Aposentados e Pensionistas, alertou para o risco de muitos pensionistas acreditarem que irão ter direito a uma compensação pelos descontos sofridos durante os anos da troika.

Na verdade, lembra, o que está em estudo por proposta do Bloco de Esquerda, é uma compensação a aplicar a quem pediu a reforma antecipada nesse período, um número de novos pensionistas calculado em cerca de oito a dez mil cidadãos, já sinalizados.

“O que está em causa, de facto, é um complemento de reforma dirigido a pessoas que se reformaram antecipadamente e que viram, de 2015 para cá, penalizações muito grandes na sua reforma”, explica Rosário Gama, entrevistada no programa Bom dia Portugal da RTP.

Entre os novos pensionistas sinalizados haverá pessoas a receber apenas cerca de 200 euros. “Como a maioria destas pessoas não tem idade para pedir o complemento solidário para idosos, o que está a ser pedido é que pelo menos as pessoas tenham acesso ao rendimento mensal equivalente àquilo que é o limiar de pobreza, que são os 439 euros”, acrescenta Rosário Gama. [RTP, 02/11/2017]

Rosário Gama omite, no entanto, qual foi a extensão da aplicação das alterações.

Novo cálculo do factor de sustentabilidade para reformas antecipadas. Passou a corresponder à relação entre a esperança média de vida aos 65 anos (no ano anterior ao do pedido de reforma) e o factor de sustentabilidade em 2000;

Ainda assim, as mudanças introduzidas pela Lei da Convergência de Pensões tiveram menos impacto que o esperado quando o diploma foi aprovado pelo Governo. É que o Tribunal Constitucional ditou que não poderia ter reflexo nas pensões de reforma já em pagamento, mas apenas nos novos pedidos e os que estivessem ainda a aguardar resposta. [economias.pt, 19/01/2015]

O governo de Raul Vaz, o tal que governaria para o futuro, tentou aplicar retroactivamente uma alteração às reformas já em pagamento, as tais escolhidas por quem saiba o que é que estava a escolher. Foi o Tribunal Constitucional, e não o governo que governaria para o futuro, que impediu a machadada. Mesmo assim, aqueles que sabiam o que estavam a escolher e que tivessem os pedidos a aguardar resposta levaram com o corte do governo que governaria para o futuro.

No início de 2014 o governo de então alterou as regras de cálculo do factor de sustentabilidade (que faz reflectir a evolução demográfica no valor das pensões), uma mudança que fez disparar as penalizações às pensões antecipadas. A medida que o BE avança agora visa as prestações atribuídas sob este regime, que esteve em vigor até 2016, altura em que foi suspenso pelo actual governo. O objectivo passa por “intervir retroactivamente para anular o efeito da aplicação do factor de sustentabilidade no valor da pensão”, diz José Soeiro. A medida terá um impacto financeiro de 48,6 milhões ao ano. O próprio ministro do Trabalho e Segurança Social, José Vieira da Silva, já se referiu a este problema, apontando casos em que o valor da reforma caiu 60%. O processo não era reversível: uma vez admitido o requerimento a pedir a reforma, o requerente já não podia voltar atrás. [DN, 28/08/2017]

O tal governo sério que mudou as regras a meio do jogo para aqueles que viram admitido o requerimento num processo não reversível.

Raul Vaz dá a volta ao bilhar grande simplesmente para encontrar uma forma de dizer que Passos Coelho era sério e que António Costa não o é. Não está em causa se o actual primeiro-ministro é, ou não, mais sério do que o anterior. O ponto é que uma pessoa informada optou por, deliberadamente, construir uma tese baseada em meias verdades. Um mentiroso nunca desilude.

Comments

  1. tekapa23 says:

    spin ???

  2. eyelash says:

    …eu gostava de saber é de onde saiu este Raul Vaz e como pode a RTP ter um comentador que além de falar mal a Língua Portuguesa só diz mentiras

  3. José Peralta says:

    raul vaz, é mais um “jornalista”, engajado na côrte do aldrabão-mór coelho !

    E, como “jornalista”, manda às urtigas, o dever de informar com independência e com VERDADE, deveres que, manifestamente, não são a sua vocação !

    E então, se falarmos de ÈTICA e DEONTOLOCIA, o raul…”zinho” está delas tão longe, que nem com um telescópio as vê…

  4. Rui Naldinho says:

    Este é mais um dos que se pôs a jeito, e vai acabar não tarda nada, no Observador.

  5. JgMenos says:

    No meio da confusão, qual é a conclusão?
    Os coitadinhos foram voluntários ou não puderam arrepender-se?

    Mas nisto das reformas – e em tudo mais – o princípio da esquerdalhada é sempre a mesmo: sacar quanto possas e quem vier atrás que feche a porta.

    • Ana A. says:

      O JgMenos deve agradecer todos os dias ao “seu criador” por tê-lo criado tão perfeito, tão independente, tão sobre-humano, que estes “pequenos” problemas de sobrevivência dos outros seres rasteiros, nunca o irão afectar!

      • JgMenos says:

        Sobrevivência? Tome o peso às pensões de um bom número desses coitadinhos, e não me venha com a treta de que fizeram descontos, como se algum dia tivessem capitalizado semelhante renda!

        Como sempre, a miséria de alguns é o mote para o oportunismo de muitos. Tadinhos!

        • José Peralta says:

          Tadinho do “menos” !

          Por que não te queixas aos culpados da tua miséria cívica, da tua indigência política, da tua formatação troglodita ?

          Ou és um “voluntário” que aprendeu numa “escola não certificada ” ?

        • Rui Naldinho says:

          “Sobrevivência? Tome o peso às pensões de um bom número desses coitadinhos, e não me venha com a treta de que fizeram descontos, como se algum dia tivessem capitalizado semelhante renda!“

          Sim Menos. Por exemplo, estes!
          Os teus amigos que auferem uma reforma milionária como Paulo Teixeira Pinto no BCP, tendo trabalhado lá seis anos, a que se juntou uma avença principesca paga pela EDP?
          Ou o Eduardo Catroga, sempre pronto a congeminar conselhos pouco éticos?
          Quem sabe, talvez o de Braga de Macedo, que não contente com o maná, ainda pôs a EDP a pagar as exposições da filha? Ou a reforma colonial de Rocha Vieira, digna de um Vice Rei da Ásia Oriental Portuguesa, com mais uns milhares de cobres na EDP?
          Ou mesmo uma Celeste Cardona, que da matéria em causa, para a qual foi contratada, deve saber ainda menos que o marido, Manuel Queiró, de comboios?
          Mas poderíamos olhar para o “Acabado Silva”, sempre convencido que era mais esperto do que os outros, quando optou pelas várias reformas que foi acumulando toda a vida, como se tivesse nascido várias vezes, prescindindo do ordenado atribuído para a função, vindo a lamentar-se dos cortes sofridos? Coitado, não consultou o Menos antes de borrar a pintura!
          E por que não, a pensão vitalícia paga por todos nós, o Estado, aos inúmeros deputados laranjas, que têm uma rotatividade acima da média, transumando do parlamento ou do governo para as empresas privadas que eles próprios legislaram em seu benefício?
          Porra! Ó Menos estou de acordo contigo. No teu ninho de vespas, é só coitadinhos!

        • ZE LOPES says:

          Muitos do que cultivaram o que V. Exa. comeu (e come!) nunca conseguiriam capitalizar coisa nenhuma nem que trabalhassem 300 anos! Em contrapartida, muitos houve que trabalharam uns meses e “capitalizaram” para toda a vida. Catroga, Carrapatoso, Mexia…

        • ZE LOPES says:

          Lá volta a treta da capitalização das pensões.

          Aliás, há três coisas que eu nunca consegui ver: um homem a paria (embora o Menos esteja disposto a tentar…), um defunto a ressuscitar (embora o Menos vá tentar…) e descontos a capitalizar…

    • Paulo Marques says:

      Gostava que o patrão chegasse à beira do menos: “Assinou por x? Azar, só lhe pago 60% de x”. Ou então um despedimento por doença. Podia ser que aprendesse qualquer coisa.

  6. JgMenos says:

    É claro que gananciosos são só os empresários e os capitalistas; tudo o mais são coitadinhos.

  7. Este Menos é um merdas! says:

    Òh Menos!

    Agora é que dizes uma grande verdade! Gananciosos são só os empresários e os capitalistas! Tal & Qual.
    Já o Zeca Afonso dizia:
    _ Eles comem tudo e não deixam nada.

    Quando ao resto, Vai bardamerda!

  8. JgMenos says:

    A ralézada esquerdalha sempre esperneia se se lhes lembra a sanha rapace!

  9. Paulo Marques says:

    “Isto não faz sentido nenhum. Esta retroactividade. Governar para o futuro é ter presente as dificuldades do presente e criar condições melhores para o futuro. ”

    Os reformados têm sorte de não terem que morrer já, a bem do futuro.
    A medida, além de justa, é de puro bom senso económico.

  10. Jovem Sexagenário says:

    esta foto do raul ides foi batida (não sei se a foto se a cara dele) por um dos “segurilas” do urban ás 6 da manhã depois duma party dos pafiosos.

  11. Os avançados da direita andam em campanha . Todos …

  12. Os avançados da direita andam em campanha frenética. TODOS !

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s