David Dinis: mais um “especialista” em avaliação de professores


David Dinis, no Público de hoje, comenta as reivindicações dos professores, usando da mesma ignorância atrevida da maioria dos comentadores, o que será louvável, se tivermos em conta que há ali coerência.

Dinis relaciona a possibilidade de não haver reposição na carreira docente com a circunstância de  que que os professores seriam os únicos que não têm “um sistema de avaliação actualizado”. Na opinião do director do Público e ex-director do Observador, a culpa, em parte, é dos professores, porque recusaram os sistemas de avaliação criados por dois ministros.

O ex-director da TSF lembra Maria de Lurdes Rodrigues como a ministra que «ousou criar um novo sistema de avaliação dos professores.» O verbo ousar é evidentemente elogioso, colocando a antiga ministra num pedestal acima daqueles que rejeitaram aquilo que não era sistema de avaliação nenhum, mas sim – e apenas – uma maneira de impedir a maioria dos professores de atingir o topo de carreira.

Por outro lado, Nuno Crato «quis impor a alguns dos que ensinam o mesmo que se pede sempre aos alunos: um teste de avaliação, que acabou boicotado por muitos.» David Dinis ignora ou finge ignorar que Nuno Crato tentou impor uma prova de acesso à profissão a licenciados com estágio pedagógico já feito e, portanto, devidamente habilitados para dar aulas. Acrescente-se que, para se avaliar um aluno, não se pede apenas um teste de avaliação.

No fundo, David Dinis é mais um dos que afirmam que os professores não querem é ser avaliados, está-se mesmo a ver, até porque recusam todas as propostas de todos os ministros. Mesmo que fosse ou seja verdade, não seria esse facto a tornar virtuosos os dois sistemas referidos, exactamente porque não são, repita-se, sistemas de avaliação.

Como muitos outros, David Dinis usa um privilégio sem responsabilidade, limitando-se a soltar uns soundbites, sem ser obrigado a pensar muito no assunto, porque o que lhe interessa é o efeito, a criação de aparências. É a diferença entre comunicação social e jornalismo. David Dinis não pratica o segundo.

Comments

  1. José Feliciano Cunha de Sotto Mayor says:

    nunca praticou. sempre praticou o frete às elites endinheiradas.

  2. Crítico vesgo says:

    Não deixo de concordar com alguns dos argumentos do Sr. Dinis. Também sou um especialista em educação com quase 32 de serviço em diversas escolas deste país… também sei o que se passa… avaliação de professores? Só de alunos! Pois…

  3. Luís Lavoura says:

    Nuno Crato tentou impor uma prova de acesso à profissão a licenciados com estágio pedagógico já feito e, portanto, devidamente habilitados para dar aulas

    Isso será verdade, mas não é diferente daquilo que se faz noutras profissões. Por exemplo, um advogado tem que prestar provas (impostas pela Ordem) mesmo que já seja licenciado. Um cientista tem que fazer uns tantos pós-doutoramentos antes de poder almejar alcançar um lugar de professor numa universidade.

    • Claro que sim, Luís Lavoura ! e sobretudo numa profissão em que se requer o óptimo, sendo que dos professores e sobretudo do básico dependem os alicerces essenciais de uma boa educação.
      ” os professores não querem é ser avaliados ” “com uma prova de acesso à profissão a licenciados com estágio pedagógico já feito e, portanto, devidamente habilitados para dar aulas”
      e formação cívica ! com formação e estágio pedagógico de pelo menos 2 a 3 anos após a licenciatura, sim , como era de regra há anos, afirmo-o eu também ! ….tanto professor incompetente que o são por mero acaso, que não por mérito devidamente exigível ao desempenho deste ofício nobre, que os há, bem que os sabemos, e com as nefastas consequências negativas disso tantas vezes evidentes.

    • Rui Naldinho says:

      Talvez a sua avaliação não seja a mais correta. O estágio pedagógico de um professor, equivale para a carreira do ensino, o mesmo que o estágio de um Mestrado em Direito, ou um Mestrado em Arquitetura, nas respectivas Ordens Profissionais, o que concluídos com aproveitamento, lhes darão acesso a uma carteira profissional. Não sei onde está então a diferença para o professor, como parece inferir-se do seu texto?
      Por outro lado, se o Estado quer ser exigente com os professores, então que comece logo por filtrar a qualidade das Universidades. Já ajudava. Depois, talvez criar um sistema de avaliação e desempenho dos professores assente em critérios objectivos, onde terá de ponderar uma série de factores, por exemplo, um deles, o da inserção social da Escola. O antecedente escolar do aluno ou da turma. Ser professor na Escola Secundária Garcia da Horta, no Porto, não é o mesmo que ser Professor na Escola Secundária de Penamacor. Na avaliação do professor tem que ser sempre ponderado a turma que ele próprio recebeu do seu antecessor. Ou seja, recebendo eu uma turma com forte insucesso escolar, não se pode exigir que de um ano para o outro aquilo passe de “besta a bestial”!
      Melhorasse eu e os restantes colegas, o rendimento escolar da turma, com resultados satisfatórios, acima dos obtidos no ano anterior, e já era razão para festejarmos.

      * Não sou professor.

    • António Fernando Nabais says:

      Não percebi, Luís Lavoura: considera que uma licenciatura e um estágio numa escola sâo suficientes para se ficar habilitado a dar aulas ou não? Se não concorda, o que falta?

  4. JgMenos says:

    «e, portanto, devidamente habilitados para dar aulas.»
    Devidamente?
    A grunharia que anda por aí à mistura com professores é um dos escarros abrilescona sua generalizada senda de irresponsabilização de coitadinhso.

    • António Fernando Nabais says:

      É tudo uma comunistagem abrilóide, asquerdalhada com barbas cheias de caldo verde do mais barato, vendido na Festa do Avante por homens com as unhas sujas e de camisas aos quadrados. Um nojo, caríssimo menos!

    • ZE LOPES says:

      “Abrilesquê”? Depois de anos à volta da mama e dos cornos V. Exa. lá foi finalmente direto ao sítio, perdão, ao assunto que tanto o intriga…

      Não há dúvida: basta ler este post para que esteja demonstrado que V. Exa. é um retinto produto da escola da “outra senhora”…

  5. Fernando says:

    Quem é que avalia David Dinis?

    Não é o Público financiado pelo merceeiro de Marco de Canaveses?

    Como de costume, estes PSDs adoram achar-se que se encontram acima de tudo e de todos mas quando se vai ver a coisa são eles os maiores chupistas subsídio dependentes, sempre prontos a pôr a boca numa mama qualquer, embora, tenham a preferência pela mama dos estado.

    • Manuel Silva says:

      «PGR arrasa decisão do Governo de Passos que custaria 42 milhões. Ministério do Ambiente permitiu que uma empresa, a dois dias das eleições [de 2015], mudasse licença de energia eólica para solar. Beneficiário é a Empresa Generg, de Carlos Pimenta, que faz parte do think tank liderado pelo então ministro do Ambiente [Jorge Moreira da Silva]. Executivo de Costa seguiu parecer do Conselho Consultivo [da PGR] e homologou a nulidade da portaria.» In jornal Público, 09/11/2017.

  6. ácido says:

    O problema de base é os professores terem para as progressões o comportamento da manada.
    “…aquilo que não era sistema de avaliação nenhum, mas sim – e apenas – uma maneira de impedir a maioria dos professores de atingir o topo de carreira”
    Poucas e muito menos expressivas são as classes ou profissões – sempre no estado, claro – onde, metade, vá lá, chega ao topo da carreira, certo?
    Chego à conclusão que o Nogueira e afins devem ter sonhos húmidos com o Crato e companhia.
    Já os professores, hoje, foram leccionar.

Trackbacks

  1. […] Moita de Deus, tal como David Dinis, José Manuel Fernandes e Catarina Carvalho, puxou dos seus galões de “especialista” em […]

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