Querida direita: viver de desgraças não chega


Foto: Alberto Frias@Expresso

Depois dos incêndios e dos sucessivos falhanços em torno da tragédia em que se transformaram, depois de Tancos, da legionella e do jantar no Panteão, para não falar nas sanções-fantasma, no hipotético resgate e no Diabo, que está sempre à espreita, e já depois de iniciado o braço-de-ferro com os professores, após outros que opuseram enfermeiros, patrões e o lobby amarelo dos colégios privados, cujos defensores tendem para a defesa radical do estado mínimo, excepto quando chega a hora de pagar os estudos dos filhos da elite, cujo dinheiro está temporariamente indisponível numa aplicação super-honesta e transparente no Panamá, o máximo que a Cristas e o que resta do passismo conseguiram subtrair ao governo minoritário de António Costa foi 1 mísero ponto percentual. Um.

No estudo mensal de Novembro, que o grupo Impresa habitualmente encomenda à Eurosondagem, ficamos a saber que o PS sofre um pequeno revés, que não deixa de ser significativo, recuando para os 40% da intenção de voto dos inquiridos, ainda assim a léguas dos 28,4% do PSD e dos 6,6% do CDS-PP, a autoproclamada alternativa de direita que acha que vai governar o país, apesar da quinta posição na geral. Ainda assim, é o CDS-PP quem mais beneficia da queda do PS, crescendo 6 décimas, ao passo que o PSD sobe apenas 4. O Bloco mantém-se como terceira força política do hemiciclo, seguido pelo PCP, registando quebras de 0,3% e 0,6%, respectivamente. Em sentido inverso, o PAN sobe 3 décimas.

Se as eleições fossem amanhã, e a julgar pelos resultados deste estudo, estaríamos a salvo de uma maioria absoluta do PS e da brigada bafienta de Passos Coelho. Perante as circunstâncias actuais, podia ser muito pior. E entre as muitas conclusões a que se podem chegar, face à leitura destes resultados, deixo-vos com esta, em jeito de dúvida existencial: como é que a direita continua com estes resultados miseráveis, apesar de ter a esmagadora maioria da imprensa, da opinião publicada e dos espaços de debate televisivo na mão? Será que precisam de mais quatro Observadores e meia-dúzia de Josés Gomes Ferreira? Quiçá um Marques Mendes, todos os dias, em todos os canais? Será que chega? Ou será que é desta que percebem que viver de desgraças não chega?

 

Comments

  1. alexandre barreira says:

    …é verdade….parece que não têm…..espelhos em casa…….!!!!!

  2. Carlos Almeida says:

    Uma excelente pergunta:
    “como é que a direita continua com estes resultados miseráveis, apesar de ter a esmagadora maioria da imprensa, da opinião publicada e dos espaços de debate televisivo na mão? “~~

    Com o jornalismo de sarjeta do CM, CMTV, TVI, SOL e restante lixo jornalístico na mão, já para não falar da referência do “Estado Laranja”, o jornal Expresso, este dirigido já para outra “gente”, não conseguem melhorar nas intenções de voto ?

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    ” (…)Se as eleições fossem amanhã, e a julgar pelos resultados deste estudo, estaríamos a salvo de uma maioria absoluta do PS e da brigada bafienta de Passos Coelho (…)”

    Ora aqui está um modo correcto de alertar a opinião pública para o perigo do bolor do “Arco da Governação”.
    Subscrevo na íntegra o comentário.
    De resto, fisicamente, o azeite sempre se separou da água, mesmo após forte agitação.

  4. Luís Lavoura says:

    Todas estas variações (de 0,3%, ou 0,6%, ou mesmo 1%) são irrelevantes, porque estão dentro da margem de erro das sondagem.
    De forma mais curta, o que se pode dizer é apenas que, se houvesse agora eleições, o resultado delas seria praticamente idêntico ao resultado de há dois anos. Nenhum partido teria uma variação significativa.

  5. JgMenos says:

    A Direita só tem uma política a promover: uma overdose geringonça, dure ela o que durar.
    A cretinice esquerdalha precisa de tempo para se manifestar em todo o seu esplendor.

    • Paulo Marques says:

      O seu patrão anda à 2 anos a dizer o contrário.

    • Carlos Almeida says:

      Caro Senhor JgMenos

      Só um burro é que não aprende com as asneiras que faz.
      Demorou algum tempo, permitiu que a direita desgovernasse o País, para se governar a ela, mas parece que aprendeu.ou está a aprender.

    • José Peralta says:

      Ó “menos”

      Eh, pá ! Que alívio ! Expoente máximo da cretinice bacoca. até pensei que já não tinhas mais nada para dizer…

      Começa a armazenar “alka-seltzers” ! Vais ter uma overdose de gerinçonça !

      Para mim, um grande prazer ! Espero que não me tires o prazer de continuar a ler as tuas “raivinhas”…

  6. Fernando says:

    A direita vive dos desgraçados que os enchem a pança.

Trackbacks

  1. […] a meu ver, uma falta de respeito por todos os portugueses. Já agora, querida direita partidária, tu que vives de desgraças e indignações, por onde andavas quando o Passos fez exactamente o mesmo? Em lado nenhum? Deixa lá, não faz […]

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