Prendinhas de Natal


Pela ocasião natalícia – que para mim perdeu o significado desde que o Pai Natal morreu estilhaçado na passagem do arco ritual da infância para a adolescência -, pus-me em busca de umas prendinhas para as pessoas que lêem este blog. Talvez até de prendinhas para mim, em forma de boas notícias dos últimos dias. Notícias boas neste tempo em que os poderosos estão cismados em estilhaçar o mundo do mesmo modo que sucedeu ao Pai Natal, não é nada fácil. E no fundo, a maioria de nós, mais ou menos, alinha no estrago.

O que trago no saco são só três embrulhinhos mesmo muito pequeninos e salvaguardo que poderá tratar-se mais de truques de “public relations” do que de reais melhorias, mas, no tempo de que dispunha, foi o que arranjei:

  1. A greve dos pilotos da Ryanair em vários países europeus (Portugal, Espanha, Alemanha, Itália, Reino Unido e Irlanda) está a obrigar a “low cost” a reconhecer os sindicatos como contraparte para negociações. “A Ryanair vai mudar a antiga política de não reconhecer os sindicatos para evitar ameaças de transtorno para os clientes durante a semana do Natal”. Ontem, a companhia aérea irlandesa conseguiu evitar o cancelamento de voos apesar da greve dos pilotos alemães porque activou pilotos autónomos ou que estavam à experiência; mas registaram-se atrasos e o apertão obrigou a Ryanair, pelo menos por agora, a descer um degrauzinho do pedestal da sua arrogância. Claro que no fim pagaremos nós, mas vale a pena colocar um pequeno sinal vermelho no “quero, posso e mando”.
  2. Segundo decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia – em resposta a um tribunal de Barcelona, onde a empresa de táxis Elite apresentou uma queixa contra a Uber por competição desleal – a Uber não é uma mera plataforma digital, mas sim uma empresa de transporte, cabendo pois aos “Estados membros (UE) regularem as condições de prestação destes serviços”. A regulação dependerá assim de cada país, mas a orientação é clara no sentido de serem exigidas as mesmas licenças e autorizações que aos taxistas. E dando pistas quanto à questão de princípio: pessoas a trabalhar com estatuto de autónomas e fora dos sistemas de segurança social. Um bocadinho menos de “wild west”, embora o porta-voz da Uber considere que pouco vai mudar na maioria dos países da UE; só se não quiserem…
  3. A multinacional de supermercados ALDI quer reduzir ou eliminar produtos contendo glifosato, para o que enviou aos seus fornecedores uma carta pedindo informações detalhadas sobre o uso do mesmo na produção de rações. O objectivo é incentivar os  fornecedores de carne, lacticínios e ovos a reduzir ou eliminar o uso de rações com glifosato. É claro que a ideia do “hard-discounter” é atrair clientes; e com certeza não vai passar a pagar mais aos produtores por produtos de melhor qualidade – lá se ía abaixo o negócio… Mas, esperando que vá adiante, há uma coisa que isto mostra: os protestos dos consumidores têm poder. Se se unirem.

Bom Natal a todos e, se souberem de boas notícias, não deixem de oferecer aqui – não custam nada e alentam um bocadinho.

Comments

  1. pata negra says:

    O Rei dos Leittões, como leitão, tem medo dos comedores do Natal mas, ainda assim, passa por aqui para desejar a este blogue que lhe façam Boas Festas.

  2. Rui Naldinho says:

    A Ana coloca três questões, as quais, todas elas têm mais a ver com a ética, do que com os direitos constitucionalmente consagrados nos diversos países, como por exemplo o associativismo ou sindicalismo. O caso da Raynair é um bom exemplo.
    Como é sabido sempre houve desde o fim da segunda guerra mundial, ainda que tenham havido experiências anteriores, confederações sindicais e patronais, as quais, cada um há sua medida lutavam pelos seus interesses corporativos. Os poderes instituídos no Estado, Governo e Tribunais, lá iam gerindo a coisa, umas vezes mais a favor de uma das partes, mas sempre procurando não sair dum padrão regulador e arbitral que assentava na ética e no bom senso.
    A globalização deu-nos uma nova vaga de interesses instalados, fora dos padrões capitalistas tradicionais, com a desregulação de uma série de atividades industriais e comerciais, anteriormente estabelecidas como regras invioláveis.
    Hoje, o dono do Táxi e o empregado que conduz o mesmo, lutam pela sua actividade, para não dizer mesmo pela sua sobrevivência. Antes lutavam um contra o outro, por melhores rendimentos. Poderíamos dizer que isto se repete em muitas outras atividades, desde a atividade bancária aos transportadores aéreos, desde a agricultura profissional ao comércio de alimentos manipulados em unidades indústriais.
    A chamada concorrência não se faz nos ganhos de eficiência produtiva, por se estabelecerem novas tecnologias limpas ou novos sistemas informáticos que aceleram a produção, ou reduzem desperdícios e custos, mas pela desregulação legislativa e a falta de ética dos agentes económicos, “uma espécie de Chico espertísmo”, cirurgicamente ignorada pelos poderes instituídos, seja por fazerem vista grossa, seja por estarem também eles embrenhados nestes negócios, por portas e travessas ocultas. Ou seja a concorrência hoje ultrapassou os limites da ética e em grande parte, da lei.
    Por outro lado, a nossa tacanhez de querer comprar barato, mas querer ganhar um ordenado acima da média, faz o resto.
    Nós gostamos muito de nos comportar de um modo farisaico, nesta matéria, dando a entender que não temos culpa de nada e somos umas santas almas.
    Não, não somos. Estamos muito longe disso, mas cada um que fale por si.

  3. Bom… já que estamos numa de distribuir prendas

    aqui fica a minha piquena lembrança

    😎

    • Ana Moreno says:

      Obrigada pela prenda voza0db. Apreciei. Gostava de saber: Quanto aos escravos, são só os que trabalham para o sistema? Ando a esforçar-me imenso para perceber 🙂

      • Não necessitas de te esforçar muito… Basta removeres os filtros (algo insignificante em termos de esforço) e pronto!

        Quanto à questão que colocas… A minha limitação não está a permitir que compreenda na totalidade aquilo que estás a perguntar!

        Se quiseres refinar a pergunta, fá-lo, e depois se finalmente eu alcançar o que estás a querer saber, então respondo.

        • Ana Moreno says:

          Pelos vistos a limitação é de parte a parte, caro voza0db.
          A questão também exige pouco esforço: no grupo dos “escravos” a que tanto se refere, cabemos lá todos indiscriminadamente, ou trata-se de um grupo específico, e, neste caso, o que habilita qualquer alguém a fazer parte do grupo? Quem escreve posts como o voza0db não terá qualquer dificuldade em compreender uma tão singela pergunta 🙂

          • Assim ficou mais claro. Grato pelo refinamento.

            Como é fácil de contemplar, somos todos escravos, eu não me excluo. Sou um escravo do SISTEMA MONETÁRIO e dos seus DONOS.

            (divertidamente os DONOS do S.M. são escravos mas a sua escravidão é para com a sua condição. Já imaginaste o que não custará manter uma herança Familiar com séculos de existência? A terem de estar sempre a CONTROLAR as MANADAS? Não é fácil…)

  4. Rui Naldinho says:

    Num contexto diferente, mas sempre dentro de um registo racional muito próximo deste artigo de Ana Moreno, a Clara Ferreira Alves escreve hoje no Expresso, em “Pluma Caprichosa” texto digno de se ler:

    DETOX DIGITAL

    “ Quando nos asseguram que a tecnologia é amiga da humanidade não sabem o que dizem. Nem toda a tecnologia é “amiga da humanidade”. A tecnologia é neutra. E gananciosa e monopolista
    O barco aproximava-se de Delos, uma das ilhas Cíclades no Mar Egeu. O sol prateava o mar azul da Grécia e o barco tinha poucos passageiros. O país estava no apogeu da tragédia humanitária durante a austeridade, composta pela instabilidade política. Delos, o lugar do santuário de Apolo, cerca de 3,5 quilómetros quadrados de esplendor da Antiguidade, estava entregue à secura das silvas e aos lagartos, víboras e insetos que planavam sobre o rosto das estátuas desfiguradas pelo tempo. E às aves marinhas que cirandavam livres de humanos. O museu estava meio fechado, não havia guias nem turistas. Era o tempo perfeito para apreciar Delos. Para admirar a harmonia clássica do berço de Apolo e Artemis, da sede da Liga de Delos. É um lugar mitológico e arqueológico sem paralelo. Uma pequena ilha que pela sua importância comercial e política se tornou um depósito de tesouros e edifícios. O barco atracou. Além de mim, um grupo de jovens chineses, mais raparigas do que rapazes. Bem vestidos. Durante a viagem entre Mykonos e a ilha nunca olharam o céu ou o mar. Estavam afocinhados nos telemóveis trocando mensagens com o polegar oponível. Desembarcámos. Olharam em volta com enorme indiferença, maçados por não haver guias, e continuaram afocinhados nos telemóveis. Por curiosidade, andei com eles durante uns minutos, até perceber que não tencionavam conhecer Delos. Foram até ao majestoso Terraço dos Leões, tiraram umas fotografias deles com os telemóveis. Não foram à casa do Tridente, ou à de Dionysos, à dos Golfinhos ou à das Máscaras, à de Cleópatra ou à do Lago. Não viram o Teatro, a Ágora dos Italianos, a Via Sagrada ou o Templo de Ísis. Não contemplaram os mosaicos. Ficaram no embarcadouro, à espera do barco da volta, ensimesmados. Desistiram de saber fosse o que fosse sobre Delos. Consegui a abertura do museu, por um encarregado que não recebia salário do Ministério da Cultura há meses. No embarcadouro, os chineses pastavam à minha espera, irritados. Afocinhados nos telemóveis. Na viagem de volta, repetiram as mensagens com polegares oponíveis e tiraram selfies e mais fotografias uns aos outros.

    Sabe-se que existem na China centros de desintoxicação digital. Os jovens viciados em ecrãs de computador e videojogos, sobrecarregados por horas e horas de saturação digital com prejuízo da vida e saúde, são coagidos a frequentar campos de concentração onde são sujeitos a privação. O sofrimento da privação é, consta, pior do que o da toxicodependência e as tentativas de suicídio são normais. Na prática, esta gente desistiu de viver fora do mundo real e apenas se relaciona de modo virtual. O modelo chinês de desintoxicação não se caracteriza pela subtileza ou a compaixão e os internados comportam-se, ou são obrigados a comportarem-se, como prisioneiros de um gulag. O problema consiste em retirá-los para sempre do vício porque, uma vez libertados, a solicitação digital é omnipresente e não proibida e regressam à dependência. Esta gente desistiu de viver, simplesmente. Limitam-se às relações desumanizadas pela tecnologia.

    Se pensam que estamos a salvo disto no nosso belo mundo europeu, esqueçam. Basta olhar em volta e ver como as pessoas estão umas com as outras nos cafés e restaurantes. Cada um olha para o seu telemóvel e só interage com o outro para mostrar algo no ecrã. O meio é a mensagem e a perversão que isto introduz nas relações humanas é absoluta. Não se trata apenas da selfie e do post, é um mundo mediatizado através da informação que escorre da maquineta. Quando nos asseguram que a tecnologia é amiga da humanidade não sabem o que dizem. Nem toda a tecnologia é “amiga da humanidade”. A tecnologia é neutra. E gananciosa e monopolista. Do mesmo modo que os cigarros, nos anos 50, eram considerados símbolos de promoção social e excelentes tónicos físicos e psicológicos, um dia ficaremos a conhecer os danos da luz azul e da tecnologia digital para os nossos cérebros. Que o algoritmo da Google está a destruir a memória humana e a tornar-nos mais estúpidos não tenho dúvidas. Stupid people com smartphones. Há dados científicos que o provam. E que os telemóveis estão concebidos para provocar a dependência extrema nos súbditos, também não tenho dúvidas. Tal como a nicotina e as drogas foram dissimuladas nos cigarros para promoveram o vício secretamente, um truque das tabaqueiras que só veio a ser descoberto dezenas de anos mais tarde através de um denunciante, um dia viremos a concluir que a intoxicação tecnológica está a dar cabo da nossa fisiologia e da nossa humanidade. E da filosofia a que chamamos, bem ou mal, humanista, e que é antropocêntrica. E teremos centros de rehab tecnológica.

    Aquele grupinho de jovens chineses, herdeiros de uma elite endinheirada que lhes paga viagens à Europa e que lhes compra malinhas Chanel e Gucci, conseguiu olhar para o esplendor de Delos sem nada ver. Ou compreender.

    Se é este o admirável mundo do futuro, dirigido por quem não sabe distinguir Apolo da Apple, prefiro ficar no passado. Nos livros de papel, nas estátuas de pedra, nas telas a óleo, nas partituras clássicas.

    Os novos bárbaros estão no meio de Roma. “

    • Ana Moreno says:

      Obrigada Rui. Este texto que aqui coloca é de calibre superior mas confesso que, podendo tratar-se de sensibilidade exacerbada da minha parte, algo nele me cheira a elitismo, tornando-o um pouco desconfortável. Quanto à crítica de fundo, 100% em consonância. Só que o nosso tempo já passou – quantas vezes me alegro por ter a idade que tenho: não ía conseguir, nem ía querer, dar as cambalhotas que vão ser exigidas. Foi sorte nossa, vivermos no período em que vivemos (refiro-me aos que vivem bem, como a CFA, o Rui, ou eu). Porém, nós somos a geração que levou o barco para este ponto, somos os que estamos a permitir que se torne muito normal haver uma justiça toda especial para multinacionais e tudo o resto.
      Bem podemos ser modestos perante essa juventude que nos parece assustadoramente vazia, o mundo deles vai ser um outro e não lhes quereria estar na pele. Muitas e muitas vezes as palavras são falaciosas; como o Rui diz mais acima: “Nós gostamos muito de nos comportar de um modo farisaico, nesta matéria, dando a entender que não temos culpa de nada e somos umas santas almas.
      Não, não somos. Estamos muito longe disso, mas cada um que fale por si.”
      É bem isso. Falta-me sim a compreensão para quem, podendo, se recusa a ser mais consequente, consciente, interventivo. Ressalvando à partida que todos fazemos compromissos e precisamos de momentos de carregamento de baterias. Senão, ficamos assim como o voza0db 🙂
      voza0db, até o entendo. É verdade, dá vontade de sacudir a malta à chapada; animada já ela está.

      • 😆 A minha bateria está sempre em CARGA MÁXIMA!

        A fonte que a carrega é inesgotável… A boçalidade da Umanidade.

        Confesso que sofro um pouco de auto-carregamento mas sistemas em equilíbrio perfeito são difíceis de alcançar.

        • Ana Moreno says:

          🙂 voza0db, a essa fonte de energia, coloco-lhe um nome e conteúdo ligeiramente diferente, porque a não aceitação da injustiça e do sofrimento humano sempre será mais forte. Mas pontualmente, também sofro dessa sobrecarga. É exactamente por isso que é necessário diversificarmos as fontes de carregamento. Essa, é só negativa. Por mais dialecticamente que o voza0db funcione. 🙂

          • A boçalidade Umana é um FACTO existente, é inegável*… É como o SOL! Se ficar a TORRAR todo o dia ao SOL feito idiota, espalhando cremes com substâncias cancerígenas, mas que são vendidos como “protectores solares” é mais que certo que a recompensa será um belo “cancro da pele”!

            Assim, apenas retiro da boçalidade Umana a energia suficiente para recarregar as baterias, evitando assim virar boçal (ainda que o seja em algum grau).

            E tal como apenas retiro do SOL a energia suficiente para me ajudar a equilibrar o organismo (por exemplo para produção de VITAMINA D!) assim o faço com a boçalidade.

            *E continuo apenas a vislumbrar uma única solução de a fazer cessar!!!

  5. um dia ficaremos a conhecer os danos da luz azul e da tecnologia digital para os nossos cérebros.!!!

    PqP! A tipa do clube BB ainda anda a fazer de conta de que “um dia ficaremos a conhecer”! É o que dá ir a reuniões com a escumalha “elite”!

    Já sabemos. Já conhecemos.
    Contudo o desejo último do animal umano é sempre o de existir na quase perfeita Ilusão e total Irresponsabilidade.

    Mas tal como o tabaco continua a ser consumido, curiosamente as boçais fêmeas umanas que mais “estudam” são as que gostam mais de se intoxicar: “Mulheres com mais estudos são as que fumam mais“. Fonte: “Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico”

    Este grupo de boçais fazem parte do grupo a que carinhosamente chamo “Intelectuais contudo Idiotas” (IcI)!

    Nem deixo ligações sobre o que já escrevi sobre o Glorioso “Planeta Wi-Fi”, pois nada demove um IcI, excepto o fim do desperdício de energia e matéria orgânica claro!

    Be 😎

  6. Ana Moreno says:

    OK voza0db, fiquei esclarecida quanto a sermos absolutamente todos boçais, escravos e elementos da manada. Até certo ponto, em perspectiva espacial, sim. Mas não dá direito a uma diferenciaçãozinha entre os que são carregados e os que carregam? Ou entre os que pisam e os que são pisados? Despeço-me por hoje para não sobrecarregar mais o Aventar e desejo-lhe inspiração e bem estar, escravo 🙂 🙂 🙂

    • o “absolutamente” és tu que estás a inferir!

      Sobre a diferenciação escrevi isto!

      De facto há uns escravos que carregam/pisam/ e outros que são carregados/pisados… Mas, ei… Não vejo qualquer sinal de que as MANADAS estão dispostas a MUDAR o actual sistema!

      Aliás, vejo cada vez mais um maior números de escravos a quererem trepar pela PILHA DE UMANOS acima!

      • Ana Moreno says:

        Estamos juntos até certo ponto, voza0db. Mas engana-se, há gente a tentar mudar o actual sistema, gente que dedica o seu tempo a (tentar) produzir essa mudança, a informar-se e a informar, a mobilizar, a colocar o seu grãozinho de areia na engrenagem. Sem filiações, só por convicção e compromisso cívico. E não por caridadezinha, mas sim em defesa de direitos.
        É verdade que é uma minoria e a maioria actua como o voza0db diz. Mais uma razão para nos juntarmos! 🙂

        • Ora lá está… o problema é o “até certo ponto”!

          Há uns anos atrás descrevia desta forma a ILUSÃO.

          Concluí contudo, uns quantos ciclos depois, que a REALIDADE provoca a evaporação…

        • E já agora… não se tenta MUDAR… MUDA-SE!

          • Ana Moreno says:

            Olá voza0db, gostei de saber que teve um tempo de ilusão. Desilusão ou evaporação, seja o que for, mas a realidade também não é absoluta; um bocadinho, é criada por nós.
            “E já agora…” sim, mudámos alguma coisa. Porque julga que o CETA tem de ser ratificado em cada país e não decidido apenas em Bruxelas? Devido ao trabalho da rede activista europeia. Poderá dizer-me que de pouco adianta, pois provavelmente os parlamentos nacionais vão todos ratificá-lo, como fez o português; Veremos. Pode ser que sim, mas pelo menos têm de assumir a responsabilidade e ainda estamos na luta.
            Tal como o voza0db, penso que estamos a caminho de um qualquer abismo. Mas a dignidade que nos resta é a da solidariedade e da luta, por mais inútil que possa ser.

          • Olá 😉

            mas pelo menos têm de assumir a responsabilidade“, quem é que assume a responsabilidade?! Pois…

            Aquilo não foi tempo de ilusão… foi tempo de mudança “O Tempo Chegou… de BOICOTAR o PRESENTE“, está lá escrito.

            Acho que não temos a a mesma noção do que significa MUDAR! Apesar de escrevermos com o mesmo código de símbolos, não temos a mesma biblioteca de definições.

            Se é inútil, partindo do pressuposto que a consideras de FACTO INÚTIL, então estás apenas a desperdiçar energia!

            Isto faz-me lembrar os animais idiotas que andam a apregoar lenga-lenga sobre sustentabilidade usando a ferramenta FACEBOOK, que de sustentável tem zero! Mas pronto, o ego é insuflado com ‘likes’ e muitos ‘seguidores’ e as novas religões ECO-VERDES incham e lá se vão alimentando as ILUSÕES!

            Que comece a 2ª Grande Festa do S.M. 😎

  7. Acrescento, depois de vos ler com algum interesse, a sugestão de leitura de um livro essencial saído já há alguns anos, na altura ainda quase profecia mas já baseado na realidade, e agora em tão breve tempo já a precisar de actualização ainda mais dramática e a exigir a máxima atenção de todos nós sobretudo de pais e educadores/professores e etc :

    https://www.ruadebaixo.com/os-superficiais-o-que-a-internet-esta-a-fazer-aos-nossos-cerebros-nicholas-carr.html :

  8. Ana, muito bem dito, a diferença é carregar, não ser carregado.

  9. Ana Moreno says:

    A ver, voza0db: “Se é inútil, partindo do pressuposto que a consideras de FACTO INÚTIL, então estás apenas a desperdiçar energia!”
    Primeiro, eu não disse que era inútil, disse “por mais inútil que possa ser”; Será ou não.
    Segundo, voza0db, estamos a desconversar: “apenas a desperdiçar energia” ? E qual é o problema de desperdiçar energia? Toda a vida é um desperdício de energia, se quisermos. Como tão bem coloca Reinaldo Ferreira:
    https://www.escritas.org/pt/t/9162/eu-rosie-eu-se-falasse-eu-dir-te-ia
    O estilo da dança é que pode variar. A grande diferença da nossa “biblioteca de definições” é que o voza0db despreza a humanidade. Já eu não, embora odeie certas partes, como a indiferença à miséria e sofrimento.

  10. Ana, a sério que gosto de “escutar ” as suas conversas com o enigmático voza0db ! não são conversas vãs, não ! !

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