Gente perigosa

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O Expresso destaca na edição online um relatório de segurança que alerta para os grupos de extrema-direita e de extrema-esquerda em Portugal. Um tipo lê um título destes e fica a pensar que existem em Portugal organizações de extrema-esquerda que espancam emigrantes até à morte ou que bloqueiam ruas para levar a cabo batalhas campais urbanas.

Porém, ao ler a notícia, a desilusão abate-se sobre este tipo. Afinal, aquilo que é referido no tal relatório, segundo o Expresso, é que alguns militantes portugueses não-identificados de grupos de extrema-esquerda não-identificados participaram em protestos violentos contra o G-20, na Alemanha. Isso, e, valha-nos Deus, ocuparam uns edifícios devolutos no Porto e em Lisboa. Isto sim, é gente perigosa.

A violência de extrema-esquerda é, felizmente, um fenómeno que não tem expressão em Portugal. Não que a violência da extrema-direita seja um grande flagelo, até porque não tem a dimensão que tem noutros países europeus, mas existe. Vimo-la no Prior Velho há uns dias atrás. Conhecemos os nomes de várias organizações. Sabemos quem são os seus líderes. Não façam de nós parvos.

Comments

  1. Bento Caeiro says:

    O relatórios sobre segurança normalmente são inexistentes, o que temos normalmente são umas informações editadas sobre alguns casos, previamente seleccionados, para dar corpo a uma determinada ideia ou posição sobre a segurança ou ausência da mesma. As mais das vezes, pela questão atrás referida, de teor alarmista, mais não pretendendo que orientar a população para determinados medos; desviando-a do que realmente faria sentido que, de uma forma geral, só vem a público depois do acontecido. Curiosamente, com a indicação de que as autoridades já tinham tomado conhecimento do assunto e até o acompanhavam; contudo não haveria motivos para qualquer tipo de intervenção -somente verificada, aquando do acontecido.
    Dão-se os ataques às Torres Gémeas, nada se fez para os evitar, contudo já haveria informação que alguma coisa estaria a caminho. Um maluco qualquer, armado em nome de algum deus, faz reféns, mata umas pessoas, nada foi feito para o evitar, contudo – descansemos – já estaria referenciado. Um jovem perturbado entra numa escola e, para exercitar a pontaria, mata uns quantos colegas seus; surpresa, as autoridades já teriam sido avisadas, só que nada fizeram. E, não querendo terminar aqui, seria um nunca mais parar.
    Então, o que é que nos é dado ver por aqui – quer no que respeita aos relatórios e a quem os elabora: intenção e amadorismo. Intenção, pela posterior divulgação dos factos, de amedrontar a população; amadorismo, quer na recolha quer no tratamento da informação. Contudo, este último aspecto, poderá resultar de considerar mais importante do que prevenir, o impacto sobre a população do resultado da acção.
    A isto chama-se terrorismo de estado, que é para o que servem, normalmente, os tais relatórios de segurança e os organismos que os elaboram. Assim os tais relatórios que deveriam ser instrumentos ao serviço das populações, assumem-se como uma forma de as amedrontar e condicionar para efeitos do exercício e reforço do poder, dos detentores do mesmo.


  2. Mário Machado líder de um movimento neo-nazi, inserido no PNR, partido de extrema-direita, juntamente com mais 15 skinheads, apanhou dez anos de cadeia pela morte de Alcino Monteiro no Bairro Alto.

    Estamos de falar de assassinatos e de gente perigosa que espalha ódio racial e xenófobo e atenta contra a vida dos outros.

    Mas para o Expresso, esse jornal de referência que “é preciso ler para saber a verdade” é o mesmo que algumas pessoas saírem à rua e gritarem contra o sistema que as oprime.

  3. ZE LOPES says:

    João Mendes, não seja ingénuo. A extrema esquerda é mais perigosa do que parece. Não os tem visto a protestar contra o encerramento das estações de correios? Não é por acaso! Foi uma inteligente tática dos nossos serviços de segurança em estreita colaboração com os CTT para os impedir de mandarem cartas armadilhadas.

  4. JgMenos says:

    A extrema-direita de que se fala parece estar mais interessada em desportos bélicos e negócios de segurança do que na política.
    A extrema-esquerda é mais dada a tretas e a gritaria e aposta em que o Estado vá assaltar por si..

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