A vergonha

[Samuel Quedas]

Quem é que quer viver num país onde é possível acontecer a coisa abjecta que está a passar-se na SIC?
Por mais que eu tenha uma quase física aversão à figurinha patética de José Sócrates, ou ódio profundo de classe para com escroques como Ricardo Salgado e os seus vários sub-produtos… quem é que quer viver num país, repito, em que é possível ver escarrapachadas numa televisão, antes de haver um julgamento digno do nome, gravações de som e imagem de interrogatórios sigilosos, conversas privadas por telefone, etc?

Eu não quero!
Pudesse eu… e amanhã estaria a fazer as malas para ir viver para qualquer lugar, desde que fosse a milhares de quilómetros desta pocilga infecta.

IMPORTANTE!!
Que mal pergunte – e agora a sério! – alguém tem algum bom contacto para a Nova Zelândia, ou Austrália… ou Canadá…? Não estou a brincar! Por mim, vou embora para a semana, depois de deixar alguns assuntos bem arrumados ou bem encaminhados.

É que ainda me sinto capaz de, mesmo apenas nas artes e na actividade cultural, fazer coisas que, sejamos sinceros, aqui já não há praticamente ninguém interessado em que eu as faça, ou deixe de fazer… ou que viva, ou morra!

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não é uma questão de querermos ou não viver neste País.
    Não temos outro e desde há muitos anos que a nossa população faz tudo – refiro-me às eleições – para que esta situação se não reverta
    Por outro lado, a propósito de SIC, já todos sabemos o que Francisco Pinto Balsemão representa para os políticos e política deste país.
    A SIC não bateu no fundo agora. Já há muito tempo que o contraditório foi banido da estação. As figuras de comentadores que por lá aparecem são uns “gajos porreiros” e as suas conversas são verdadeiras tertúlias para entreter meninos.
    Compra quem quer.

    O problema do domínio dos meios de informação pelos políticos ou pessoas coladas à cadeia política, não é de agora. Veja-se Berlusconi ou Trump. Pensa que o Canadá ou a Nova Zelândia são diferentes?

    As cadeias noticiosas e jornalísticas são um campo de agricultura muito fácil onde os agricultores (jornalistas) se caracterizam por entregar a sua coluna vertebral a troco de uns miseráveis euros ou dólares. Transformou-se num poder que supera o do povo… porque o povo assim o quer.
    E a SIC sabe que tem poder para cometer estas ilegalidades.
    Quem ousa julgar?
    Mas há muitos mais exemplos de fuga descarada de informação que deveria ser segredo de justiça. Vivemos tudo isso diariamente para alimentar a curiosidade do “pagante” com o futebol, por exemplo.
    O país vive da desinformação, do espectáculo, da mentira, a maior parte das vezes, mas sobretudo de notícias que obriguem as pessoas a dispersar a sua atenção e não se focarem no que é sério.
    E o nosso presidente, responsável pelo funcionamento das Instituições democráticas, acha tudo normal, pois está comprometido com um Sistema.

    Sócrates é um caso sui generis. Pessoalmente acho-o uma pessoa insuportável e sem ser jurista, tenho uma opinião muito clara sobre o seu tipo de vida. Mas não sou jurista, embora me pareça ter mais vontade em resolver este tema, que o grupo de juristas a quem foi confiado o caso.
    Detestando Sócrates como detesto, não consigo dissociar esse cancro de um outro que se chama justiça.
    Estão bem um para o outro.
    Logo, misture tudo: Sócrates, SIC, justiça, tudo no mesmo panelão, fuga do segredo de justiça e polvilhe com pós de futebol e de temas de manchete. Agite e deixe em repouso uns tempos.
    Eis Portugal.

  2. Bento Caeiro says:

    In rem propriam
    Sócrates, não sendo flor que se cheire, não mobiliza e como tal é um alvo perfeito para o que o poder judicial, pelos seus agentes – procuradores e juízes – procura fazer, que mais arranjar formas de reforço do seu poder face aos restantes poderes do Estado, nomeadamente o executivo. Porque o legislativo, esse, face às interpretações, jurisprudências e livres arbítrios, como seja na sua apreciação e decisão, essa sacra coisa que têm por convicção – muitas das vezes, que de tão afastadas, ficam à margem das leis e das provas – já há muito está tomado.
    Não é por acaso que se dão as fugas de informação, que, como por milagre, vão parar aos médias, mas que – apesar de apenas poderem sair dos locais onde são recolhidas pelos magistrados – nunca são encontrados os culpados; também aqui se enquadram as entrevistas de juízes aos meios de comunicação social. Também não é por acaso que a própria procuradora-geral vem dizer que o ministério público não precisa de mais legislação, porque os procedimentos que hoje possuem são mais do que suficientes para a sua função.
    Obviamente que parte da culpa do que está a acontecer se deve ao poder executivo, ao colocar nas mãos dos magistrados o que a ele compete e deveria tratar; mas também o poder legislativo não está isento de culpas, ao não intervir quando as leis requereriam – pelas demasiadas e abusivas interpretações pelo poder judicial – a sua intervenção.
    No caso de Sócrates, assim como em outros casos já verificados, o que se passa de fundamental – para além do espectáculo público proporcionado, visando a humilhação dos visados – é que tudo se insere num plano mais vasto de reforço do poder dos magistrados; portanto estão a alegar em causa própria, dentro do princípio de quanto pior melhor para os seus intentos.

  3. JgMenos says:

    A exposição pública do regime abrilesco é serviço público da maior relevância.

    Demonstrar que o fim da ‘moral burguesa’ construído a partir de um “ódio profundo de classe” levou ao poder levou ao poder um enxame de ‘figurinhas patéticas’.

    O resultado é essa ‘coisa abjecta’ que leva à fuga de alguns dos seus autores.

  4. ZE LOPES says:

    “levou ao poder levou ao poder um enxame de ‘figurinhas patéticas”: Sá Carneiro Carneiro, Pinto Balsemão Balsemão, Cavaco Silva Silva, Durão Barroso Barroso, Santana Lopes Lopes, Passos Coelho Coelho, Miguel Relvas Relvas, Paulo Portas Portas, Assunção Cristas Cristas, Mota Soares Soares…falta-me o fôlego…

  5. ZE LOPES says:

    Obviamente é uma resposta ao Menos Qualquercoisinha.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Não se esqueça da … ” ‘coisa abjecta’ que leva à fuga de alguns dos seus autores”… Coisa abjecta é a ganância e quem fugiu, foi Barroso, o Tarzan da tanga e Guterres dos direitos humanos que concorda ao mesmo com os bombardeamentos pelo alegado uso de gás e a ida de uma comissão investigar se, de facto, foi ou não usado gás. Dois socialistas de elevado gabarito: um, maoista e o outro marxista.
      Desculpe-me, mas tenho que ir enxugar as lágrimas 🙂

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