Há um silêncio em Porto d’Olho

Porto d’Olho

Não é um Silêncio igual ao que se faz quando de repente toda a gente pára de falar ou quando um inesperado corte de energia faz calar a televisão e a máquina de lavar roupa.

Não é um silêncio comum, ou mesmo humano, aquele que verdadeiramente nunca se verifica, pois há sempre um ruído mecânico presente, em surdina, sempre um carro que passa ao longe, uma voz da casa ao lado, uma porta que range.

O Silêncio que se vê do alto do Outeiro da Varela, em Porto d’Olho, é o do coração a bater.

É aquele Silêncio que Deus faz quando os olhos emudecem em face da maravilha, quando fica leve o que é pesado e ao alcance da mão o que desde sempre viveu para lá do infinito.

É um Silêncio incomum e paradoxal que traz todas as vozes dentro.
Que pronuncia todas as palavras como se fossem uma, não soprando, contudo, a mais humilde sílaba.
Não é possível, na verdade, descrever um Silêncio destes, assim como se não pode dizer o Pleroma, ou o Nirvana, ou o Céu.

É um Silêncio que desaparece quando se diz, mas que, uma vez ouvido, jamais desaparece.

 

 

*Publicado originalmente no jornal Ecos de Basto.

 

O poder do Kremlin hasteado na City de Londres

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No coração do centro financeiro de Sua Majestade, na mesma praça onde podemos encontrar a sede do Bank of England e o Royal Exchange, não passa despercebida uma enorme bandeira da Federação Russa, hasteada no topo de um imponente edifício onde se situam os escritórios do VTB Capital, um banco de investimento russo que integra o VTB Group, um dos maiores bancos estatais controlados directamente pelo Kremlin.

No topo da hierarquia deste gigante da alta finança, presente em destinos governados por pessoas de bem como Nova Iorque, Viena ou Kiev, estão dois oligarcas próximos de Vladimir Putin, Andrey Kostin e Anton Siluanov, sendo que este último acumula a função de Chairman do Conselho de Supervisão do grupo com a pasta das Finanças do governo russo. [Read more…]

É tudo conversa demagógica. É mesmo?

​Segundo a imprensa, o Novo Banco tem emprestados 5,4 mil milhões de euros (5400000000! 10 dígitos!) e não sabe quanto deste valor irá receber. António Ramalho, que está à frente do banco (que nos disseram que era o banco bom), disse em entrevista que o “grosso do problema” está em 44 empréstimos, (“apenas 1 superior a 500 milhões”, diz como que para nos descansar) e compara com a situação anterior, quando 6 mil milhões de euros estavam emprestados a apenas 5 pessoas/entidades.

Mas hoje o que eu sei com segurança é que 44 pessoas ou entidades estão a criar o grosso de um problema de 5,4 mil milhões que eu, como português, sou chamado a resolver, pagando. Eu pago, voluntariamente ou por imposto. Mas quero saber quem são! E considero ter direito a isso!

As citações são de um artigo de opinião de Hugo Carvalho no Público. Se não fosse pedir muito, também quero saber quem são, porque é que não pagam e porque é que o dinheiro foi emprestado  sem garantia garantia de pagamento.