Não tens nada que agradecer, Sporting

Nunca falta dinheiro para salvar bancos. Nunca. Pode faltar na Saúde, na Educação, na Acção Social ou na Cultura, mas para salvar bancos, o que muitas vezes significa assumir calotes de devedores multimilionários que, pela posição que ocupam, poucos ousam incomodar, nunca falta um cêntimo.

De igual forma, nunca falta nos bancos dinheiro para salvar clubes de futebol. Pode faltar para as famílias, pode faltar para as empresas de outros sectores de actividade, mas para salvar clubes de futebol, o que muitas vezes significa assumir os custos de operações que, por mero acaso do destino, encheram os bolsos de meia-dúzia de agentes e dirigentes desportivos, também não falta um cêntimo que seja.

Desta vez foi o Sporting. Podia ter sido o Porto ou o Benfica, pois também eles receberam as suas borlas no passado. Uns mais que outros, é verdade, mas nenhum com grande motivo para reclamar. Mas desta vez foi o Sporting. O BCP e o Novo Banco, falido e mantido a respirar com o dinheiro dos contribuintes portugueses, perdoaram quase 95 milhões de euros de dívida que o Sporting tinha para com estas duas instituições bancárias. Reestruturaram-lhe a dívida, prática considerada profana num passado não muito distante.

Os dois bancos, tal como o Banco de Portugal, recusaram responder às perguntas dos jornalistas da SIC. Compreende-se: não é fácil de explicar. Principalmente quando um dos mecenas é um banco intervencionado pelo Estado, supostamente a parte boa que sobrou de um atentado terrorista contra os portugueses e contra as finanças públicas do país, onde só este ano iremos enterrar qualquer coisa como 800 milhões de euros. Num país onde existem crianças a fazer quimioterapia nos corredores do Joãozinho. Não tens nada que agradecer, Sporting.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    É óbvio que perante isto, quando vejo por ai uns simulacros de fé de alguns profetas, em que um dia seremos como os Nórdicos, com elevados padrões de vida, taxas de analfabetismo e de iliteracia a zero, civismo para dar e vender, bons serviços públicos, da escola à saúde, etc, etc,..aproveito para dormir a sesta, tal como faz o meu compadre alentejano; eles é que têm razão, esperando quando acordar já estar no Paraíso.


  2. Algo está errado, e não me parece que seja só o comportamento da Banca!

    Podem fazer isso?! Porquê?!!

    Assim sendo, de perdão em perdão, nessa cadeia de causa e efeito, qualquer dia os depositantes dos bancos vão ficar sem o seu dinheiro, pois foi por “uma boa causa”.

    E haverá causa mais bela que o Perdão?!

  3. José Almeida says:

    Disse ” foi o Sporting, mas podia ter sido o Porto ou o Benfica…”
    Sim, podia mas não foi. Porque só se fala quando é do Sporting. A lista dos que devem milhares de milhões ainda não saiu e parece que não vai sair tão cedo. O Luís Filipe Vieira (ouve-se) deve pelo menos uns 50 milhões ao BES e outro tanto ou mais no BPN, mas neste caso e outros parece que não há crianças a fazer quimioterapia. É melhor abandonar os cinismos gratuitos. Concordo com reestruturações financeiras de todas as empresas que tenham utilidade pública e o Sporting faz parte dessas empresas. Porém, o que incomoda é que o Bruno de Carvalho anda deslumbrado e não abdica do megafone, mas incomoda mais ainda o Sporting dominar quase por completo todas as modalidades ditas amadoras e ser novamente no futebol um elemento activo e a ter em conta. Se era esse o objectivo este post não me pôs uma lágrima no canto do olho. Um bom dia a todos os amantes do futebol e do desporto desporto em geral.

  4. Bento Caeiro says:

    A tendência de muitos, quando algo aponta para cima, para os céus, é apenas olharem para o objecto que aponta e não para o se quer mostrar – por exemplo um avião a passar ou, sendo à noite, as estrelas no céu; tal acontece nestas situações e é do interesse dos mandantes que assim aconteça.
    Porque, não é uma questão do Sporting, do Benfica, do Porto, assim como não é uma questão do banco A, B ou C. – é muito mais que isso e tem a ver com a sociedade no seu todo e aquilo que se pretende obter com este tipo de medidas.
    As autoridades, no que respeita aos bancos, têm um conceito que define a situação “Risco Sistémico”. Para o evitar, na alegação que tal poderia perturbar a vida das pessoas, o Estado através das suas instituições, leva-no a intervir, como? Pagando e assumindo os erros dessa mesma banca mas, sempre dizendo, que: não fazendo nada, seria pior.
    Precisamente o que se passa no mundo do pontapé-na-bola, também ele, visto daquele ponto de vista da perturbação, tido como Risco Sistémico. Pela simples e curial questão, o Estado entende que não poderá permitir que as estruturas formativas e mentais onde assenta o tecido social – que se quer pacífico e omisso – entre em perturbação.
    Por outras palavras: manter o pagode sossegado e contente – o Pão e Circo ainda funciona -, mesmo que para isso este tenha de ser descaradamente roubado.

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