Querem pôr o Ricardo Salgado a pão e água. Comunistas!

Fotografia via Imprensa Falsa

Apesar do inestimável contributo para a destruição do Grupo Espírito Santo, e em particular daquele que era o seu filho pródigo, o BES, que nos custou uns quantos milhares de milhões de euros, que continuaremos a pagar, de múltiplas formas, por muitos e longos anos, Ricardo Salgado, outrora Dono Disto Tudo, recebe uma simpática pensão de 90 mil euros. É sempre reconfortante perceber que, no admirável mundo podre da elite financeira, destruir um banco traz consequências destas. Ainda bem que existem mecanismos para desmotivar quem lhe quiser seguir as pisadas.  [Read more…]

Os lesados-ao-contrário do BES

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, considerou hoje (31/03/2017) que a venda do Novo Banco anunciada pelo Banco de Portugal é uma má decisão, que ocorre depois de um processo de desvalorização daquela instituição bancária.[MSN/LUSA]

Ora bem, não foi o PSD que nomeou o seu boy Sérgio Monteiro, pago a peso de ouro (custo total com a contratação de 458 mil euros por ano e meio de serviço)  para vender o Novo Banco? Não era este o ás que ia mostrar quão certa foi a intervenção no BES para, afinal, não ter vendido coisa alguma?

A decisão sobre o BES é má desde há vários anos e políticos destes, como Montenegro, mais valia recolherem-se ao recato destinado aos incompetentes que, por estratégia, decidiram que a banca não era assunto para Conselho de Ministros – mas pagar os desmandos da banca, via decreto-lei, já o foi.

Louro, de bico doirado

 

No meio da desinformação, comum nestes casos, produzida por várias fontes sobre o sistema financeiro português, não é fácil, aos cidadãos comuns como nós, compreender um longo processo de conquista que conheceu, agora, mais um momento importante, com a alienação do Novo Banco, e que, provavelmente, prosseguirá com o desmantelamento do que resta. O que está, e sempre esteve, em causa, pode resumir-se a um acto de sofisticada pirataria, longa e meticulosamente preparado, cujo propósito foi a captura total do poder financeiro português.

Podemos, e devemos, fazer juízos éticos, políticos e até judiciais, sobre os bancos e os banqueiros, cuja árvore genealógica se perde na Ordem do Templo, sobre o seu poder efectivo na governação de sociedades hoje ditas democráticas, Estados de direito e outras projecções discursivas muito adequadas a um mundo que, de facto, já não existe. Mas não podemos negar que esses bancos e esses banqueiros, herdeiros directos dos Templários, são pilares estruturantes das nossas sociedades e detêm, de facto, o poder de influenciar o destino de países bem maiores do que Portugal. Mesmo que Portugal fosse do tamanho do mundo inteiro.

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Só para meter os pontos nos is

O Fundo de Resolução é dono do Novo Banco. Em 2014, o fundo injectou 4,9 mil milhões de euros no capital do banco. Deste montante, 3,9 mil milhões foram emprestados pelo Estado, ou seja, pelos contribuintes. Este empréstimo tem um prazo de maturidade de perto de 30 anos: foi recentemente alargado para Dezembro de 2046, para garantir que o esforço das contribuições exigidas aos bancos se mantém “ao nível actual”, explicou o Governo. [Rita Atalaia e Rafaela Burd Relvas, ECO, 31/03/2017]

Como se sabe, o Novo Banco é um buraco de tal forma que não houve quem lhe pegasse – exceptuando este fundo com nome de filme porno. E os especuladores do Lone Star não hão-de ter aceitado o negócio para perder dinheiro. É só uma questão de tempo para a bomba detonar.

Para memória futura, registe-se o que António Costa disse: “Não existirá impacto directo ou indirecto nas contas públicas, nem novos encargos para os contribuintes”.

Cristas zangada

Acabo de ver Cristas na TV, zangada, a dizer coisas sobre o banco resolvido na sequência do decreto-lei que assinou de cruz. Parece que a possibilidade de vir a assinar com uma bolinha a está a indignar.

Aeroporto de Beja incluído na venda no Novo Banco

Estratégia de Costa foi: livrar-se de monos.

verdade = ƒ(x),  x ∈ {tempo, espaço}

A solução encontrada para o Novo Banco é questionável? Claro que é. Mas o modo como Montenegro e Cristas abordaram a questão é intelectualmente miserável e eticamente repugnante. Quanto ao grau de amnésia patenteado, trata-se já de um problema médico, pelo que não me vale uma palavra.