Gustavo Peixoto*
Testemunhei hoje uma cena absolutamente hilariante no Museu de Serralves, onde está patente a exposição de Robert Mapplethorpe, tão falada nos últimos dias.
Observando atentamente, numa sala especial da exposição, uma das fotografias mais polémicas do fotógrafo, onde têm especial destaque um dos orifícios excretores do corpo humano e a parte do braço que vai do punho ao cotovelo, estavam dois indivíduos adultos, caucasianos, de estatura média, sendo que um era um homem que aparentava ter trinta e poucos anos, e o outro uma mulher na casa dos quarenta.
A dada altura, o indivíduo do sexo masculino interrompeu a observação silenciosa e atenta do truque contorcionista retratado na fotografia do artista e dirigiu-se, nos seguintes termos, ao indivíduo do sexo feminino que estava ao seu lado, absorto também na profunda maravilha da imagem:
“- Fazia-te umas cuecas de cuspo.”
A senhora chamou a polícia e fez queixa do ordinário, evocando o Artigo 170º do Código Penal, cuja recente alteração veio criminalizar o piropo.

No final do ano lectivo passado, António Costa declarou que as reivindicações dos professores custariam 600 milhões de euros aos cofres do Estado. Passado algum tempo, os sindicatos dos professores e o Ministério da Educação concordaram em criar uma comissão para se apurar exactamente quanto custariam as reivindicações dos professores. A verdade é António Costa e o Ministério da Educação sabem e não querem pagar ou não sabem e não querem pagar. Na verdade, não querem saber. 





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