Obrigada Marisa!

Tanto pelo conteúdo – que quem acompanha as corajosas posições de Ana Gomes só pode subscrever -, como pela elevação de espírito além fronteiras partidárias. Bela lição!

O dedo numa chaga chamada corrupção

colocado com coragem, mais uma vez, por Ana Gomes. Porque não está Ricardo Salgado na prisão?

Chapeau, Ana Gomes!

Já uma vez lhe prestei uma humilde homenagem: Ana Gomes, a corajosa e consequente.

E continua a merecê-la.

Aqui https://observador.pt/2018/05/26/ana-gomes-erramos-deixando-que-o-pantano-atolasse-o-pais/

aqui https://www.publico.pt/2018/05/11/sociedade/noticia/transferencia-para-angola-e-tremenda-demissao-da-justica-portuguesa-1829651

ou aqui https://www.youtube.com/watch?v=QafVCcHF0gg&feature=youtu.be

Ana Gomes é uma voz que dignifica a classe política, enfrentando os dissimulados, seja do seu partido, seja da união europeia.

Sobre a 5a Diretiva Anti Branqueamento de Capitais aprovada no mês passado pelo Parlamento Europeu, Ana Gomes afirma que, embora sendo um passo na direcção certa: Ficamos aquém de um resultado que poderia ter um impacto global no que respeita à transparência financeira, por responsabilidade do Conselho onde se sentam os nossos governos”.

(…) ainda há muito por fazer, – alguns dos “paraísos fiscais” e esquemas desregulados que facilitam o branqueamento de capitais por organizações criminosas, corruptos e corruptores do mundo inteiro estão instalados – e bem instalados na UE, valendo-se do vazio de décadas de desregulação financeira neoliberal. Há muito a fazer, em especial, contra a captura de alguns Estados Membros por interesses sinistros, como os das máfias que controlam o “e-gambling” e investem em criptomoedas”.

Ana Gomes é genuinamente íntegra e destemida e, como tal, só pode ser desconfortável para o PS e para o PE. Chapeau, Ana Gomes!

Ana Gomes, a corajosa e consequente

ana-gomes

Ao contrário de todos os outros eurodeputados do PS português, Ana Gomes votou no passado dia 15 contra o CETA (o acordo comercial UE-Canadá) no Parlamento Europeu. A única eurodeputada do PS com coragem e que arrisca uma posição que, essa sim, é socialista. Eis a sua fundamentação (no FB):

“Votei contra o CETA porque, primeiro, o Sistema de Tribunais de Investimento previsto contorna os sistemas judiciais estaduais através de tribunais privados de arbitragem que favorecem o setor privado contra o interesse público. [Read more…]

Erros de transcrição? Exactamente

The Fourth Protocol / le 4eme protocole (1987) uk

© AFP via Nouvel Observateur (http://bit.ly/16ujO5z)

Acabo de ler, no Expresso, uma notícia sobre “erros de transcrição” nas “escutas telefónicas para o processo dos submarinos”. O Expresso distingue “aquilo” em vez de “a Kiel”, “Monte Canal” em vez de “famoso canal”, “Canalis” em vez de “canal”. Contudo, por motivos que me escapam, o Expresso não se debruça sobre outros óbvios (e gravíssimos) erros na transcrição:

  1. “impercetível” em vez de “imperceptível”,
  2. “exato” em vez de “exacto”,
  3. “exatamente” em vez de “exactamente”.

De facto, ouvindo a transcrição, além de não detectar qualquer ocorrência de *[izɐtɐˈmẽtɨ], verifico que aquele *’exato’ é incorrecto (uma vez que, é sabido, ‘exactamente’ = ‘exacta’ + ‘mente’) e reparo na ocorrência de *’impercetível’, palavra sem qualquer significado em português europeu, pois a pronunciação corresponde a [ĩpɨɾsɛˈtivɛɫ] e não a *[ĩpɨɾsɨˈtivɛɫ]. Sendo [ĩpɨɾsɛˈtivɛɫ], logo, ‘imperceptível’: QED (este e não o outro).

Quem não detecta tais falhas (mais óbvias e mais graves) não é detective: quando muito, será *detetive — palavra com padrão grafémico semelhante ao da primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo ‘deter’ (‘detive’) e, no mínimo, homógrafa da correspondente flexão do verbo *deteter: *detetenho, *deteténs, *detetém, *detetemos, *detetendes, *detetêm; *detetive, *detetiveste, *deteteve, *detetivemos, *detetivestes, *detetiveram; etc.

P.P. – Então? Já cheguei. Aterrei agora.
A.P. – Aterraste onde?
P.P. – Aterrei da Alemanha.
A.P. – Ainda foste à Alemanha?
P.P. – Ainda fui, ainda fui, aquilo!
A.P. – Fizeste muito bem. Ao (impercetível).
P.P. – Ao Canalis, exato.
A.P. – O Monte Canal é a promessa do Bismark.
P.P. – Exatamente, exatamente

 

Sou Chalie Hebdo e também sou Ana Gomes, consequentemente

ana gomes
A extrema-direita portuguesa não está minimamente preocupada com um atentado à liberdade de expressão, que vitimou hoje vários dos seus heróis. É uma guerra que não lhes assiste, a deles é económica e santa.

Assim a indignação virou-se contra esta afirmação de Ana Gomes, que num país ocupado por línguas bárbaras sou obrigado a traduzir:

#CharlieHebdo – Horror! Também o resultado de políticas anti-europeias de austeritarismo: desemprego, xenofobia, injustiça, extremismo, terrorismo.

(Na Lusa, citada pelo órgão central da extrema-direita neoliberal, parece que traduziram austerisme por políticas de anti-austeridade, o que já ultrapassa ligeiramente a simples ignorância da língua de Rimbaud).

Para o perfeito neoliberal tudo se explica pela moral, na velha lógica religiosa: há os bons, e os maus. Os maus são maus porque são maus, e neste caso porque são maometanos. Cavalgando na sua guerra santa, não podem compreender que os praticantes do mal, e concordamos embora por razões diferentes que desses se trata, existem não por inspiração demoníaca mas uma qualquer razão, lógica, causa. [Read more…]

Síndrome da Ética Retardadamente Selectiva

ana gomesAna Gomes é uma mulher corajosa. Estou sensibilizado. Onde é que ela terá andado recentemente?

Depois de ler as suas declarações, mais uma vez me ocorre que a oposição é onde todos os políticos deveriam estar pois  parece que lhes apura o sentimento de ética. É um fenómeno a que poderíamos chamar de Síndrome da Ética Retardadamente Selectiva e que se caracteriza por uma súbita perda de cegueira para os defeitos daqueles que deixaram de ser oposição. Atinge de forma particularmente violenta os que saíram do poder e tem por efeito secundário amnésia aguda quanto a poucas vergonhas dos seus correligionários. Os pacientes costumam encontrar alívio dos sintomas descansando em cadeiras tipo Parlamentarium Europerium.

Ana Gomes mete a boca no trombone

(declarações de Ana Gomes à Antena 1)

Em relação à formação do Executivo, a eurodeputada socialista defende que os meios de comunicação social devem assumir o seu papel de contribuir para a transparência do passado dos políticos, nomeadamente do presidente do CDS-PP, Paulo Portas. Ana Gomes acredita que está em causa a idoneidade e credibilidade pessoais e políticas de Paulo Portas para voltar a desempenhar cargos governamentais e lembra o caso dos submarinos. Ana Gomes vai mais longe e acusa Paulo Portas de ter encetado uma “campanha de desinformação” e de calúnia de dirigentes socialistas, associando-os ao processo Casa Pia. (antena 1)

Ana Gomes tem a rara qualidade de não ter medo, em particular de ser dissonante com o compadrio generalizado entre o que chamamos “classe política”. As acusações que hoje dirigiu a Paulo Portas, e o avisado conselho de não ser este um personagem recomendável para Ministro dos Negócios Estrangeiros, sujeito como pode estar à chantagem das secretas de outros países, são feitas sobre o arame, e sem rede. Sempre tem a coragem que outros não tiveram quando pela calada enlamearam Ferro Rodrigues, já para não falar da atitude do sempre vacilante Jorge Sampaio. Não acredito no sistema judicial que temos, nem tenho que acreditar ou não nas palavras de Ana Gomes. Mas saúdo-as, e apenas lamento uma coisa: esta mulher não passará de deputada europeia. É pena.

Congresso do PS: um prémio para Sócrates

Os militantes socialistas presentes no congresso decidiram erguer uma estátua a José Sócrates. Por boa governação, supõe-se, já que o PS não é o PC chinês, presumindo-se com isto que cultiva a “ideologia” acima do “ideólogo”. A ser assim, estamos conversados, ou devíamos estar.

Aliás, segundo Ana Gomes (ai, Ana, ai, ai, que desilusão, a tal reserva do PS parece as reservas do futebol, são mauzinhos na tática e na técnica, aspiram, no máximo, a vestir o equipamento,  a sentar-se no banco e a fazer aquecimentos durante o intervalo)  unidade não é unanimismo. Pois não, vê-se e viu-se.

Enfim, à boa maneira dos tempos que correm, demasiados milhões por uma estátua para encher o olho. De barro, como seis anos de poder demonstraram.

Ana Gomes, a sobrevivente

Foram-se todos embora e deixaram a Ana Gomes sozinha a fazer de voz da liberdade dentro do PS:

Nao é possivel – e, como socialista, não me parece útil – varrer para debaixo do tapete as questões que tais escutas suscitam: é preciso esclarecer se era, ou não, por instruções governamentais que a PT estava a negociar a compra da TVI à PRISA.
Acresce que o que foi publicado – e até hoje não foi desmentido – reforça dúvidas sobre a actuação das mais altas instâncias do Ministério Público.
É o Estado de direito democrático que pode estar em causa.

Ana Gomes

Salto à vara

Ana Gomes é uma desbocada, mas às vezes diz umas coisas com coragem. Desta vez, não esteve com meias medidas e diz para quem a quer ouvir que "a corrupção só acaba se e quando o PS quiser".

 

Apresenta como sua defesa o facto de ter dito tal verdade no Congresso do partido em Abril último, reforçando "que o pântano só pode ser ultrapassado com salto à vara".

 

Ou a imagem de saltar à vara é uma premonição digna de uma vidente de Fátima, ou já sabia e usava estes remoques para quem, como ela, estava conhecedora, ou está a atirar com os seus 90 Kls para cima do Vara (90 kls políticos,claro).

 

Ana Gomes acrescenta que é necessário retomar a proposta de "Combate à corrupção" de João Cravinho, criminosamente chumbada pela "Máfia" da anterior maioria parlamentar (é curioso que vemos os partidos chumbar esta proposta e achamos que é natural) sem o que os políticos e a política se afundam no pântano da nossa vergonha.

 

Mas a maioria do PS e dos outros partidos continuam a assobiar para o ar, como se as prioridades não passem por tão sujo problema, mas passe pelo casamento dos gays, numa manobra de diversão, no mínimo  patética.

 

Isto só lá vai com "vara" mas é de marmeleiro!

 

PS: Causa Nostra e Blasfémias