Gisberta Salce Júnior

Em 2006, Gisberta Salce Júnior foi assassinada na cidade do Porto. Gisberta era uma mulher trans e foi vítima de um crime de ódio. Aqui podem ler a História.

O meu Porto, a minha cidade mui nobre e leal, sempre teve valores de resistência ao ódio e ao totalitarismo. Foi o Porto que resistiu contra o absolutismo no século XIX e, mais recentemente, foi o Porto que deu o maior NÃO a André Ventura. Este crime não se enquadra nos valores mais básicos que uma sociedade civilizada deve ter. Muito menos os do Porto.

De pouco vale, porque a Gisberta não voltará, mas ela merece uma homenagem digna e merece saber, esteja onde estiver, que o Porto não tolera o ódio. Esta foi a casa da Gisberta.

Para quem leu sobre o crime, tudo parece ter sido tenebroso. Tenha sido, ou não, motivado pelo ódio, foi com certeza uma atrocidade e aquela pessoa esteve em agonia durante muito tempo. Teve outro condão: o de chamar a atenção para a transexualidade, trazendo o debate à sociedade portuguesa.
Por tal, sim. Faz sentido homenagear a Gisberta, mesmo que certas senhoras na assembleia municipal considerem que “não fez nada pelo Porto”. Sim, é verdade que enquanto pessoa individual, a Gisberta, enquanto cá esteve, não fez nada de mediático na cidade; mas foi uma vítima (e diga-se que transexuais continuam a ser violentados e mortos todos os dias) que trouxe, pelo crime e pela sua identidade, um assunto estigmatizado para debate na praça pública. Rua Gisberta Salce Júnior no Porto, sim.

João L. Maio

Deixo-vos aqui o link para uma petição para atribuir o nome de Gisberta Salce Júnior a uma rua portuense.

Comments

  1. JgMenos says:

    Uma cena de rapazes mal acompanhados a ser lembrada com nome de rua para uma desgraçada!
    A seguir vai para nome de escola, prémio literário, e para onde não te digo mais…

    • dragartomaspouco says:

      E por falar em odio, repugante nazi.
      Estas sempre ao lado ou a desculpar os criminosos.
      És o ódio em pessoas, Sa Lazarento

    • João L Maio says:

      Desgraçada é a pobreza de espírito e ter, no lugar do cérebro, o intestino grosso.

      Ao contrário da Gisberta, que nasceu homem, o Menos nasceu besta. Nada contra, cada um é para o que nasce e nem todos podemos ser esclarecidos.

    • POIS! says:

      Pois não seja V. Exa. invejoso!

      Então, omite que V. Exa. também vai dar nome, não apenas a uma rua, mas a vários pontos de renome?

      Sim, para uma tal Elevada Sumidade como é o caso de V. Exa. seria um insulto dar-lhe o nome de uma rua, até porque as ruas vão dar a qualquer lado e em qualquer lado há esquerdalhos.

      Por isso V. Exa. vai designar vários pontos notáveis na Serra da Estrela. Nomeadamente, uma pedra junto à Covilhã vai passar a chamar-se “Pedra do JgMenos” em homenagem a uma espécie em vias de extinção, um outro sítio mais acima vai ser denominado “Poio do JgMenos” porque o nome atual é eivado de anti-semitismo e uma outra junto Manteigas irá chamar-se “Cabeça do JgMenos” em homenagem à sua provecta existência.

      Ainda não está satisfeito? Quer que mudem o nome ao Cristo-Rei? É só dizer!

      • POIS! says:

        Ah! Não podia deixar de ser!

        Acabo de saber de fonte segura que o Planalto da Torre, também irá passar a ser “Planalto Muitoalto JgMenos”. Não será necessário, no entanto, gastar-se dinheiro a erguer uma estátua de V. Exa. pois a Torre já é incrivelmente parecida com V. Exa! É impressionante!

      • JgMenos says:

        Um palhaço!

        • POIS! says:

          Pois não, não era!

          A pedra não se chamava, “do Palhaço”. Era “Pedra do Urso”. Atendendo a V. Exa. passou a ser “Pedra JgMenos”.

          V. Exa. está um tanto confundido. É a que faz a excitação do momento. São homenagens a mais.

  2. Rui Naldinho says:

    Estou completamente de acordo que se dê o nome de Gisberta Salce Júnior a uma rua da cidade do Porto. Vou assinar a petição, como assinarei todas as que combatam a exclusão social de quem quer que seja.
    A mim pouco me interessa o que Gisberta fazia na sua vida privada. Ate podia ser uma Maria Madalena, já que estamos na Páscoa. Sei que Gisberta era uma transexual e tinha direito a ser o que quisesse, desde que isso não colidisse com a liberdade dos outros, mas acima de tudo com a Lei.
    Como é óbvio ao dar-mos o nome de Gisberta a uma rua da Invicta, caso isso se venha a confirmar-se, não estamos a glorificar a pessoa em si, nem sequer a sua transexualidade, nem estamos a honorificar nenhum feito valoroso por ela praticado, como aquelas medalhas que os PR dão a uma catrefada de corruptos da nossa terra, estilo Salgado, Baiva, Granadeiro & Comp.ª
    Quando propomos uma Rua com o nome de Gisberta, estamos a homenagear não a pessoa singular, Gisberta, mas todas as vítimas de homofobia, de racismo, de exclusão social, no qual esta teve maior visibilidade, infelizmente.

  3. JgMenos says:

    E o Carlinhos da Sé?
    Ninguém se lembra desse percursor?
    Vem um Gilberta qualquer e passa a ser simbolo só porque uns putos extraviados a mataram?´

    Quanto mais tadinho, mais a esquerdalhada valoriza.

    • POIS! says:

      Pois temos de agradecer!

      A V. Exa. por ter recordado esse seu grande amigo e companheiro de longas jornadas, de cujo valor V. Exa. foi testemunha e frequente beneficiário, cuja foto tem lugar de destaque no pechiché onde V. Exa. escreve os seus comentários.

      Realmente terá sido um percursor, mas só compreendido por quem com profundidade o conheceu, como é o caso de V. Exa.

    • anticarneiros says:

      Eu a ti fazia-te o que D. Pedro mandou fazer, porco

    • POIS! says:

      Pois, citando Menos

      “Quanto mais tadinho, mais a esquerdalhada valoriza.”

      Não sei se é verdade. De outra maneira V. Exa. teria um valor incomensurável.


    • O Carlinhos da Sé foi morto ou era uma figura castiça como o emplastro/animal?

  4. Elvimonte says:

    “Gisberta era uma mulher trans e foi vítima de um crime de ódio.”

    E se não fosse uma “mulher trans” (algo que não consta de manuais de Medicina e de Biologia e cujo significado me remete para a estória verídica do “homem trangénero” cujo registo informático na urgência hospitalar teve que ser alterado para “mulher”, a fim de lhe ser requisitado um teste de gravidez cujo resultado, sem dúvida fruto de milagre, se revelou positivo), será que existiria intenção de atribuir a uma rua o seu nome?

    E se não fosse um “crime de ódio” (algo que não figura na CRP e no CP e que, portanto, não se sabe o que significa), se fosse “apenas” um crime de homicídio, será que existiria intenção de atribuir a uma rua o seu nome?

    Será que um homicídio particular, pelo facto de uns quaisquer mentecaptos o classificarem como “crime de ódio” (algo que não figura na CRP e no CP e que, portanto, não se sabe o que significa, volto a repetir), não enferma da mesma gravidade de outro qualquer homicídio, cujos nomes das vítimas nunca foram propostos para a toponímica?

    Será que todas as vítimas de homicídio são “iguais, mas há umas mais iguais do que as outras”?

    Tenham juízo! Tão anti-discriminação querem ser que acabam por ser os mais discriminatórios. Só que não o conseguem enxergar, tal como ninguém consegue ver agreiro em vista própria. E, por essa circunstância, padecem dos mesmos males dos fundamentalistas de quaquer religião que pretendem impor forçosamente a sua crença a terceiros.

    Abominável, execrável, um vómito intelectual cuja génese remonta à Escola de Frankfurt, pela mão de Marcuse e da sua “ditadura das minorias”, onde só os mais intolerantes podem ganhar.

    • POIS! says:

      Pois vejamos:

      “Será que todas as vítimas de homicídio são “iguais, mas há umas mais iguais do que as outras”?”

      Sim, haverá umas “mais iguais” e outras “menos iguais”. Quais? Sei lá, as vítimas do Marcelino da Mata, por exemplo.

      • Elvimonte says:

        E porque não as vítimas do Holodomor? E porque não as vítimas do massacre da floresta de Katyn?

        Será porque “a morte de uma pessoa é uma tragédia; a morte de 1 milhão é apenas uma estatística”, como dizia Estaline?

        Será porque “primeiro colocámos os camponeses contra os senhores das terras; depois deixámo-los morrer à fome”, como dizia Lenine numa célebre entrevista dada a Bertrand Russell há cerca de 100 anos atrás?

        E porque razão a nenhuma rua foi dado o nome de uma dessas vítimas? Porque nenhuma delas era “transgénero”?

        • POIS! says:

          Pois tá bem!

          Está-me a perguntar a mim? Porquê? Está á espera que eu responda o quê?

          Ora diga lá!

          • POIS! says:

            E já agora…

            Acha que o Lenine disse mesmo aquilo ao Bertrand Russel? V. Exa. estava lá?

        • abaixoapadralhada says:

          Elvimonte

          “E porque razão a nenhuma rua foi dado o nome de uma dessas vítimas? Porque nenhuma delas era “transgénero”?”

          Continuas a dizer sempre merda.
          Gostas mais nojento condidato a sucessor do Menos


        • “E porque não as vítimas do Holodomor? E porque não as vítimas do massacre da floresta de Katyn?”

          E porque não o gueto de Varsóvia, a Noite de São Bartolomeu, a grande fome da Irlanda, as invasões dos Hunos, a fome Bengali, as boas obras de Leopoldo II no Congo, a cruzada contra os Cátaros, a revolução francesa, o massacre dos comunards, etc, etc.

          O meu caro trate de categorizar esses massacres pela ordem de importancia que bem entender e de mandar a sua lista de prioridades para Municipal do Porto.

          Eu por mim vou assinar a petição, já que ao contrario dos acima enumerados, a Gilberta foi morta numa rua da cidade do Porto.

    • abaixoapadralhada says:

      Elvimonte

      Essa tentativa de competir com o repugnante Menos, não deverá ter muito sucesso.
      Contudo, estás a andar bem, mas o Sa Lazarento já vai muito á frente na competição.
      Mas com estes post estas a aproximar-te dele.

      Que seja a bem da Nação, como diria o vosso patrono ideologico

      • Elvimonte says:

        Acho que já tive oportunidade de lhe dizer que não o conheço de lado nenhum, mas constato que ainda não percebeu.

        Em todo o caso, talvez fruto do confinamento, reparo que anda muito manso. Rumine mais erva enquanto ela está viçosa. Pela minha parte, o que faço sempre que comento neste blogue, continuo a vestir-me de vermelho.

  5. Filipe Bastos says:

    O Elvimonte levanta bons pontos. Que tal debatê-los de forma civil e racional, em vez de a ‘mob’ lhe cair em cima só por discordar?

    Fui ler a história. Os assassinos foram miúdos: rapazes entre os 12 e os 16 anos que andavam na Oficina de São José, um lar da Igreja Católica. Artigo no Público em 2010:

    “Falha a supervisão na Oficina de São José, um dos mais antigos lares de infância e juventude do Porto. De quando em quando, um rapaz mete-se com outro. Nos últimos anos o MP abriu vinte inquéritos por algum tipo de agressão. Dezassete arquivados, três ainda pendentes: um por maus tratos, dois por abusos sexuais.

    Carregam memórias espinhosos os trinta rapazes lá acolhidos. As famílias negligenciaram-nos, bateram-lhes ou abusaram deles sexualmente. Foi para os proteger das famílias que comissões ou tribunais os enfiaram num lar de infância e juventude.”

    À típica crueldade infantil, neste caso adolescente, soma-se o azar de nascer pobre, ter pais trastes e ir parar a uma instituição de rufias e abusadores. Só por milagre não ficariam ainda piores.

    O lar fechou de vez em 2012, muito por causa de Gisberta. Mas não desculpa tudo, claro. Três dos miúdos nem andavam lá.

    A mim, a triste história não releva tanto ‘transfobia’ como crueldade e cobardia contra alguém ainda mais pobre e vulnerável do que eles, que calhava a ser diferente. Somos uma espécie muito reles.

    • Paulo Marques says:

      A transexualidade há-de ter alguma coisa a ver com a maior pobreza e vulnerabilidade…

  6. António de Almeida says:

    Porque concordo genericamente com a petição, acabei de a subscrever.

  7. Albano de Campos says:

    Desculpar-me-á o João L. Maio, mas Gisberta Salce Júnior, não !
    Lamento profunda e sinceramente a morte da pessoa em causa, ainda por cima, da forma vil e estúpida como ocorreu, mas acho em 1° lugar, extremamente lamentável e mto infeliz o aproveitamento da morte dela,em tão trágicas circunstâncias.
    Mais, com tantos e tantos nomes de gente portuense de relevo social, cultural, beneméritos etc,etc, porquê dar o nome a uma artéria citadina a uma vítima de 1 crime ?
    E os outros, anteriores e posteriores que foram tmb alvo de sevícias e morte por suicidio decorrente ?
    A resposta é simples:
    Não tiveram nem o msm destaque da com. social,nem o apoio do lobby gay !
    Discriminatório, no minimo, não ?
    Será pa fazer aquelas parangonas pacóvio-politicas de, “Porto, cidade inclusiva” ??

    P.S.- sou portuense nativo, + velho q o João e nunca abandonei a cidade, excepto em férias, e como o João deve saber 1 nativo portuense não vai em modas quando se trata de defender a boa imagem da Invicta e suas gentes. Os burros é q correm atrás da cenoura pendurada !!

    • João L. Maio says:

      O João, por muito que não tenha reparado, não é o autor original do texto. O João assina em concordância com o Francisco.

      Sublinho cada palavra do que aqui está escrito, como na petição.

      O Albano terá a sua opinião, teorias da conspiração incluídas, mas respeito. A minha opinião está expressa no texto, como disse, e mais não tenho a acrescentar.

  8. Ana Moreno says:

    Obrigada pelo post, Francisco.

  9. Daniel says:

    Isto deve ser piada…

  10. JgMenos says:

    E os idiotas todos se empolgam com as suas idiotices!

    Ide de noite por essas esquinas e provavelmente encontrareis umas gisbertas para acarinhar!

    • POIS! says:

      Ora pois!

      V. Exa. lá sabe! E não perde a oportunidade de distribuir uns carinhos, mesmo em tempo de pandemia!

      Tanto afeto! Tanta humanidade! Que Mais Menos floresçam nessas florestas povoadas de gilbertas é o que exige a Humanidade!

    • Paulo Marques says:

      O Menos prefere pagar-lhes pelo carinho. “Prefere”, como se tivesse escolha.

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