O riso de Louçã e o histrionismo da direita

Na sua rubrica semanal da Sic Notícias, Francisco Louçã troçou de Aline Hall de Beuvink, a propósito de umas declarações proferidas quando era deputada à Assembleia Municipal de Lisboa, em 2019. Na ocasião, Aline Hall relacionou o mito de que os comunistas comem criancinhas com o Holodomor, o que é, no mínimo, discutível.

Francisco Louçã esteve muito mal ao transformar este episódio numa afirmação de que o canibalismo infantil dos comunistas era uma realidade: Aline Hall foi muito clara ao classificar isso como um “mito”. Louçã terá querido ridicularizar uma pessoa de direita, mas foi, no mínimo, descortês, distorceu, de modo desonesto, um enunciado claro e portou-se como outros que quiseram transformar a metáfora de Mamadou Ba num discurso de ódio. Ficaria bem a Louçã pedir desculpa, mas temo (e lamento) que isso nem lhe passe pela cabeça.

A direita, no entanto, incluindo a pessoa visada, quis transformar a troça de Louçã numa ridicularização ou mesmo negação do Holodomor, o que não corresponde à verdade. Há, contudo, para isso, razões que a razão desconhece: o ódio cego à esquerda que provoca descargas de adrenalina e de consequente tresleitura ou a mais absoluta desonestidade, aliados a um forte desejo de criar falsas equivalências entre ideologias com base na prática. Histrionismo – palhaçada, para os amigos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Francisco Louçã comete como todos os políticos algumas gafes e atropelos à verdade, ou por exagero ou por desvalorização. Mas neste caso presente, aquele momento ZEN só peca por tardio, ainda que ele tenha vindo na altura em que se comemorava o trágico evento do Holodomor.
    Ao ridicularizar a deputada municipal do PPM fez aquilo que achou por bem, uma vez que tamanha alarvidade dita numa Assembleia Municipal, um hábito de certas elites cristãs da nossa direita Tuga, catequizando as criancinhas, “admitindo ser mito, mas que lá no fundo até era capaz de ser verdade”, soa a disparate monumental.
    “Todos sabemos que os comunistas não são flor que se cheire. Mas ainda assim não podemos comer toda a palha que nos dão para o cérebro”. Pelo menos eu recuso-me.
    Esta nossa direita vive agarrada ao passado. Nunca foi capaz de lidar com a democracia plena. Devagar, devagarinho, com o beneplácito dos socialistas foram repondo a sua Ordem Constitucional, mas já nem esta lhes serve.
    Dominam os meios de CS como arma de arremesso contra os adversários, transformando os socialistas num bando de corruptos; de facto há lá muitos, mas ocultando os da direita, os quais têm originado as maiores falências fraudulentas deste país.
    Quando se fala de esclavagismo, racismo e colonialismo, e da nossa participação nele, argumentam que não se deve remexer o passado. Já quando se fala de comunismo remexem em tudo. Pois, dá-lhes jeito, não é?
    Porra, o colonialismo foi ontem, 1974. Leopoldo II da Bélgica escravizava e mutilava congoleses em 1908. A África do Sul saiu do apartheid em 1990. Não, não foi no Século XVI. Foi no Século XX.

    • Rui Naldinho says:

      Faleceu hoje um autarca. Um dos mais influentes das nossas cidades do interior. Era de certa forma o rosto político de Viseu. Alguém que esteve sempre na linha da frente no combate à pandemia na sua cidade, no seu concelho. Independente do partido a que pertencia, procurou com toda a certeza dar o seu melhor pelas suas gentes, mas infelizmente não resistiu a este vírus. Merecia melhor sorte.
      Não sei se Almeida Henriques já estava vacinado. O mais provável era não estar. Não estando, não sei se a recusou, ou apenas não teve a sorte de ter sido um dos escolhidos, apenas por ter 59 anos de idade.
      No início deste ano assistiu-se na AR a uma verdadeira pantomina sobre o processo de vacinação dos deputados, com o PSD nas suas habituais “chicuelinas”, a dar o dito por não dito, sobre o número de representantes seus a vacinar. A demagogia paga-se caro, por vezes.
      No início deste ano assistiu-se a uma verdadeira guerra de audiências nas televisões sobre os hipotéticos casos de abusos e atropelos no processo de vacinação, onde não faltaram autarcas enxovalhados de forma gratuita, por gente de todo o lado e quadrantes, até os representantes das Ordens profissionais, nomeadamente uma militante do PSD, mas também por comentadores e políticos populistas.
      Para além dos titulares de órgãos de soberania e os deputados, também os presidentes de câmara e muitas outras pessoas que estão em lugares de forte exposição pública, no dia a dia, dando a cara contra esta pandemia, cada um na sua freguesia, autarquia ou área de serviço social, deviam ser vacinados prioritariamente.
      Era bom que os políticos portugueses aprendessem de vez a deixar o populismo e a demagogia para coisas menores, e não brincassem com coisas sérias. A vida é o nosso bem mais precioso.
      Vale a pena pensar nisso.

    • JgMenos says:

      Nada como tratar os assuntos à molhada.

      O que o coirão do Louça quis fazer foi dissociar o Holodomor dos comunistas e fazer humor a partir de tamanha tragédia.
      Um grunho comuna até aos ossos.

      • António Fernando Nabais says:

        Ó menos, penso que ainda há cursos de alfabetização. Não tenhas vergonha de não perceber o que está escrito. Inscreve-te, filho.

      • POIS! says:

        Pois é pena!

        Que a minha avozinha já cá não esteja. Para lhe falar da fominha salazaresca durante os anos 30.

        Foi por causa da Guerra Civil aqui ao lado? Foi. Só que ela servia em casa de industriais salazarescos e a eles não lhes faltava nada.

  2. LUIS COELHO says:

    Os louçãs e todos os outros que tiram selfies e defendem a escumalha e as minorias, etnias e todos os outros que vivem á conta do esbulho de quem toda a vida trabalhou e trabalha e tudo paga, que os levem para suas casas e jardins e que os sustentem com os seus proventos!


  3. O Luizinho deve estar a pensar nos grandes banqueiros que assaltaram o país com o beneplácito dos governos rosa e laranja. Só pode….
    Não esbanjámos…….Não pagamos!!!!!!!!!!

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