Dona Júlia e as percepções

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Clicar para aumentar // Fonte: Comissão Europeia

Segundo o Eurostat, com dados publicados em 2016, Portugal é o 7º país da União Europeia com mais polícias por 10000 habitantes (452). A média da UE cifra-se nos 318. Isto é um dado que, em teoria, significará que Portugal é um país, na sua generalidade, seguro.

Podemos complementar este dado com o Índice Global da Paz que, em 2021, declarou Portugal como o 4º país mais seguro do mundo.

Na Revista do Expresso, em 2018, o jornalista Luís Pedro Cabral assina um artigo que aborda este assunto,a segurança em Portugal, falando da sua vizinha, a Dona Júlia, de 79 anos, que foi assaltada por um homem muito bem parecido que lhe tocou à campainha, caindo ela no erro de abrir a porta. Para a Dona Júlia, Portugal não é um país seguro. Pelo menos, não é essa a sua percepção.

De acordo com um artigo publicado na Max Planck Society (https://www.mpg.de/13795/Learning_memory_perception), “a percepção e memória estão intimamente interligadas – percepcionar um objecto não teria significado sem a habilidade de relembrar e ligá-lo a memórias correspondentes”. O que significa que a nossa percepção do mundo está muito ligadas às memórias que temos do mundo. Não só as mais recentes, como também as mais fortes, as que mais nos marcaram.

Quando estamos apaixonados, sofremos de uma dificuldade na percepção da pessoa com quem estamos. O sentimento é tão forte que acaba por criar-nos um viés na forma como olhamos para o outro, tendo uma cegueira parcial aos seus defeitos naturais; se sofremos “às mãos” da Segurança Social, podemos ficar com a percepção de que o sistema de Segurança Social não funciona (o que poderá ou não ser verdade, mas que a nossa experiência – de forma isolada – é insuficiente para concluí-lo); e se fazemos parte de um grupo, equipa ou associação, poderemos ter dificuldades em analisar o seu comportamento de forma imparcial (quase todos nós já discutimos um penalty com alguém…)

Ou seja, Portugal não deixa de ser um país seguro porque a Dona Júlia foi assaltada. Mas, para a Dona Júlia, os dados estatísticos são irrelevantes. O desejo dela, enquanto vítima, era não ter sido vítima. E isso é a realidade de qualquer Dona Júlia por esse país fora. No entanto, conseguirmos reconhecer a dificuldade que a percepção que temos nos coloca quando se trata de analisar o mundo, leva-nos um passo em frente, em direção a conseguirmos ser mais rigorosos e imparciais nas nossas análises e nas nossas discussões com os outros.

Comments


  1. Oh César, tu bota segurança nisso, meu…bué dela, caneco!!!!!

  2. Maria Alzira says:

    Com que então existem em Portugal, mais de 40 mil policias.

    Onde é que se metem que não os vejo. Devem estar a jogar às cartas nas esquadras.

    Vêem-se menos policias agora do que há 60 anos . E todos pagos com os nosso impostos.

    É tudo tropa do ar condicionado

    • J. M: Freitas says:

      “Vêem-se menos policias agora do que há 60 anos” Não sei quantos polícias havia há 60 anos. Mas recordo-me que actuavam a “sério”. Uns viam-se, outros não. Havia, de certeza, mais tropa. Toda a rapaziada ia para a tropa. E havia grande variedade de polícias: PSP, PVT, PIDE e etc. Desconheço o número de militantes de cada uma.
      Já nesse tempo eram pagos com os nossos impostos. Se calhar só em parte. Suponho que angolanos, moçambicanos, cabo verdianos etc. etc. também contribuiriam.

    • Paulo Marques says:

      Imagine achar-se que se quer ver mais polícias. Deve ser a tal liberdade do bem.

      • Maria Alzira says:

        Eu não quero mais policias. Eu quero é que trabalhem e não estejam nas esquadras a jogar as cartas, que é o que parece.

        Ha 60 anos se calhar havia ,menos, mas trabalhavam ou pelo menos viam-se

        • J. M: Freitas says:

          “mas trabalhavam ou pelo menos viam-se” Sim, trabalhavam. Muitos até pecavam por excesso de zelo.

        • Júlio Santos says:

          Nesses tempos idos faziam os”giros” a pé ou de elétrico e chegavam mais rápido ao local para onde eram chamados, hoje, andam de Popó e chegam ao local do acontecimento, já quando nada se passa. Eles que andam por aí andam mas que ninguém os vê é uma realidade.

      • Maria Alzira says:

        Preferes é ver mais bandidos a fazer corridas de carros nas vias publicas e assaltar e a matar velhos ?

        • Paulo Marques says:

          Não, mas o nível nem é preocupante, nem boa parte é melhor resolvida pela polícia, que nunca teve características para prevenção.

  3. POIS! says:

    Pois em breve…

    Iremos, pelo menos a avaliar pelas propostas da Direita Venturosa e Chiqueira, trepar para o segundo lugar muito em breve.

    O Venturoso já prometeu admitir aí uns 10 mil, mais coisa menos coisa. E não de fica por aí: subsídio de risco triplicado e carreiras melhor remuneradas.

    Mas só depois de baixar o IRS para uma taxa única de 15%, pôr o IRS quase a zero, acabar com o IMI, baixar o IVA e o ISP e revogar todas as taxas ambientais. E de as reformas subirem para o valor do salário mínimo (*)

    Desde que o outro transmutou a água em vinho e transformou os papos-secos em regueifas que não se via tamanho milagre!

    (*) Salário mínimo esse que, segundo o Venturoso Enviado, não tem razão de existir e seria para extinguir. Bem, assim, também eu lá fazia chegar o valor as pensões…

    • Abstencionista says:

      Xô, já são 19,47!

      Já estás como o aço!

      Deve ter sido um domingo bem passado.

      O tintol devia ser cá uma pomada!

      Agora vai passear no parque para esmoer a cardina.

      Olha que podes ter a sorte de encontrar a Deneuve com apetites.

      Mas repara bem no conselho que te vou dar: quando quiseres dizer “perfeitamente” e sair um “ferpeitamente” é um sinal de alarme a dizer que estás borracho e que não deves fazer comentários no aventar porque confundes ironia com estupidez.

      Bjs

      • POIS! says:

        Pois quem estará “como o aço”…

        Deve ser Vosselência. Porque o meu comentário é das 19 e 47, sim, mas de ontem!

        Que eu saiba, era sábado.

        Sendo assim, o resto do indigente e merdoso “coentário” fica, evidentemente, sem ainda menos efeito do que aquele que já não existia.

        E guarde os Bjs para o seu bobbizinho. Olhe que o bicho está a ficar ciumento e lá nos “jogos de cama” ainda se lhe atira aos…

        Depois não diga que não foi avisado.

        • POIS! says:

          Na quinta linha é “comentário”. Corrijo para poupar a Vosselência o incómodo de marrar mais uma vez.

          Esse bestunto já está todo rebentado, é um dó!

          • Abstencionista says:

            “Porque o meu comentário é das 19 e 47, sim, mas de ontem!
            Que eu saiba, era sábado.”

            O tintol ainda era melhor do que eu pensava!

            Apanhaste uma cardina “King Size” … começou ao sábado e acabou no domingo.

            Não foi Pois um domingo bem passado … foi sim um fim de semana “ferpeito”.

            Bjs

          • POIS! says:

            Pois lá tivemos que aturar mais um lindo e marrante “cumentário”!

            Vosselência tá mesmo todo lixado, ó Abstencioneiro!

            “Ferpeito” vai ficar Vosselência se o seu ciumento bobbi der uma ajudinha.

            Está á sua espera um lugar de soprano no coro Teatro de São Carlos.

      • Paulo Marques says:

        Eu a pensar que era hoje que ia contribuir, erro meu.

  4. J. M: Freitas says:

    “E todos pagos com os nosso impostos.” Este argumento é repetido com muita frequência. Parece-me vazio e apetece-me perguntar: as despesas do Estado português deveriam ser pagas com os impostos de quem? E as receitas dos nossos impostos deveriam pagar as despesas de que país?

    • Maria Alzira says:

      Pago impostos, mas não é para bandidos que nunca quiseram fazer nada e por isso foram para policias estarem a jogar as cartas no quartel.
      Percebeste agora ?

      • J. M. Freitas says:

        “Percebeste agora ?”
        Suponho que agora percebi. Estou mesmo a pensar concorrer para a Policia pois adoro jogar cartas (versão bridge de preferência). Mas primeiro vou-me certificar se a publicidade que está a fazer à polícia é verdadeira ou se exagera.

      • Paulo Marques says:

        Ui. E o coisinho concorda que haja bófia do mal? Será o coisinho gémeo do Mamadou, final?

  5. Filipe Bastos says:

    Conhecia a fama de país seguro, que se pode dizer justa, mas não sabia que tínhamos tantos polícias por habitante.

    Tal como a Maria Alzira, pouco os vejo. Quando vejo costuma ser na caça à multa; para isso pode-se contar com eles. Claro que deve haver óptimos polícias. Mas a média não parece famosa.

    A D. Júlia tem certa razão: de pouco vale viver no país mais seguro do mundo se somos assaltados. É como viver no país mais rico e passar fome. Não comemos estatísticas.

    Olhando para os números, como exorta o César, não parece que a segurança esteja ligada ao nº polícias. Finlândia, Suécia, Dinamarca, todos têm muito menos que nós. E os países que têm mais não parecem grande companhia. Se calhar é outra coisa.

    • Maria Alzira says:

      Boa tarde

      “não parece que a segurança esteja ligada ao nº polícias. Finlândia, Suécia, Dinamarca, todos têm muito menos que nós.”

      Tem razão. Vivi na Suécia uns anos e nesse tempo não sei se haviam mais policias, mas apareciam muito mais.
      Na estrada não andava 50 Km com o farol de stop queimado sem que fosse abordado por um carro da policia a convida-lo a acompanha-los a uma estação de serviço para colocar a lâmpada. Chegados à estação de serviço sempre com o carro da policia atrás, mandava colocar a lâmpada e seguia a sua vida sem sequer multa. Mas a policia não o largava sem a lâmpada no seu lugar.
      Mas também se tivesse algum problema na estrada ou se ficasse atascado na neve, não demorava muito sem ter um carro da policia a ajudar e se fosse necessário a tirar o carro da nave.

      Enfim, outras civilizações

      Por isso eu digo, como funciona agora a PSP, não serve para nada. Até é curioso se verem mais carros da GNR do da PSP, que são um bando de civis armados

    • Paulo Marques says:

      E continua sem se candidatar às benesses da função pública. Ganda burro!

  6. J. M. Freitas says:

    “não sei se haviam mais policias”

    • Maria Alzira says:

      ““não sei se haviam mais policias”

      Obrigado pela correcção, mas a gramática não é o essencial.
      O sobre o essencial, zero

      • J. M. Freitas says:

        Percebi, desde o inicio, pelo vocabulário, pelas ideias e pela conjugação do verbo haver que estava a tratar como um Senhor iletrado. Mas progrediu. E note que a Gramática é importante.

        • Maria Alzira says:

          Iletrado será quem te fez as orelhas, bimbo

        • Anti pategos says:

          “Percebi, desde o inicio, pelo vocabulário, pelas ideias e pela conjugação do verbo haver que estava a tratar como um Senhor iletrado. Mas progrediu. E note que a Gramática é importante.

          A geração de merda é muito sábia, acham eles

  7. Maria Alzira says:

    ” que estava a tratar como um Senhor iletrado. ”

    Com e não como, Bimbo sapiente

    Nunca te enganaste ou foi agora a primeira vez, ?

  8. J. M. Freitas says:

    ” foi agora a primeira vez, ?”
    Não foi a primeira, foi a segunda. Veja se adivinha qual foi a primeira.

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