Comentar não chega. Se puder, vá mesmo.

Hoje, sexta-feira, às 18h, na Praça Amor de Perdição no Porto (Cordoaria, em frente à antiga Cadeia da Relação Porto) e à mesma hora na Praça da Figueira, em Lisboa, tem oportunidade de protestar de forma mais consequente contra a inconstitucionalidade do acórdão que justifica a violência com obsoletas evocações: “o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou (são as mulher honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras), e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher”.  Neste caso, a exigência é simples: processo disciplinar e demissão. Juízes ou juízas a legitimar a violência por adultério, seja ela perpetrada por homem ou por mulher, seja ela praticada contra homem ou contra mulher, não. A lei da mocada terá sido legal desde a idade da pedra, até, digamos, à Constituição de 1976. E que se saiba, mesmo formas brandíssimas de Xaria não estão em vigor em Portugal.

Esta vergonha foi também já largamente noticiada além-fronteiras.

Porque comentar não chega, se puder, vá mesmo.

Levante-se o réu

Num bizarro acórdão recente (de 11.10.2017) do Tribunal da Relação do Porto, lavrado por um presumível juiz denominado Neto de Moura, a pena ligeira aplicada num caso grave de violência doméstica foi justificada com um patético conjunto de argumentos, ora bíblicos, ora literalmente lapidares, uns mais trogloditas do que outros, mas todos eles inconcebíveis à luz da civilização e da mais elementar formação cívica.

O caso daria para muitos considerandos sobre o carácter frequentemente insano e disfuncional da justiça portuguesa. Como não tenho tempo, nem as criaturas me merecem tanto latim, lembro apenas que, ao contrário do poder político, do poder militar e até do poder económico, o poder judicial nunca teve o seu 25 de Abril. Os detentores deste (enorme) poder são, ainda assim, equiparados a órgão de soberania – tendo porém um sindicato e direito a fazer greve, outra bizarria do sistema democrático lusitano – embora não sejam eleitos nem escrutinados por ninguém, a não ser por eles próprios. [Read more…]

Juízes salazaristas em funções

Este acórdão do Tribunal da Relação do Porto é daquelas coisas que não precisa de comentário. Precisa de recurso para tribunal superior e destituição destes juízes, por serem manifestamente destituídos de conhecimento sobre o estado de direito actual. Só interessa falar/escrever/discorrer (…) sobre como fazer.

Para um manual do adúltero

Berardo diz que dislexia o faz trocar o nome à mulher

O terceiro pecado

Já sabem, com certeza, que na sequência de um estranho acidente de automóvel, o mundo descobriu os problemas conjugais de Tiger Woods.  Ficámos a saber que o golfista tinha uma amante, e outra, e outra, e outra, e, não tendo presente todas as actualizações, creio que a lista oficial conta já com uma dúzia.

Para além de ser enxovalhado na praça pública, e de ter os media a esmiuçar a vida da mulher e dos filhos, Woods tem perdido vários contratos de publicidade, incluindo aquele que tinha com a Pepsico, que  deixará de produzir uma Gatorade que levava o seu nome.

As suas antigas amantes são convidadas para os programas televisivos nos quais se chafurda no lamaçal das misérias privadas, e onde, com a lagrimazita que se espera de uma Madalena que não chega a estar arrependida, pedem desculpas à mulher por ter fornicado o marido. [Read more…]