Carta do Canadá – Setenta e um anos depois

Quanza

Navio Quanza, da Companhia Nacional de Navegação (imagem daqui)

No dia 6 de Agosto de 1945 os Estados Unidos da América arrasaram com uma bomba atómica a cidade japonesa de Hiroshima, assim retaliando o ataque que sofreram dos aéreos nipónicos sobre a sua base militar de Pearl Harbor. Aliado de Hitler, pouco depois também o Japão se rendia. Estava consumada a vitória dos aliados europeus  e americanos sobre o hediondo crime dos nazis alemães que, aliados também aos fascistas italianos e contando com a simpatia colaborante dos fascistas portugueses e espanhóis, ensombraram o século XX com milhões de mortos e fortaleceram o comunismo soviético.  Este, como se sabe, foi depois o fautor dum desastre sangrento e horrendo nos países que a Rússia agregou a si, a ferro e fogo, propagando depois o terror à China, ao Vietnam, à Coreia, a Cuba e  alguns países africanos, designadamente Angola.

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Cavaco Silva e a bomba atómica escondida

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Nos últimos dias muita tinta tem corrido sobre a declaração do Presidente da República aquando da indigitação de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro. Uma intervenção polémica que foi elogiada por alguns, mas criticada por outros, mesmo no plano internacional.

Após a sua indigitação Pedro Passos Coelho apresentou, num curto espaço de tempo, o governo que deverá ser empossado pelo Presidente da República na próxima sexta-feira. É um governo com 16 ministros, composto sobretudo com a “ prata da casa “, com a promoção de secretários de estado a ministros e com dois independentes completamente desconhecidos.

Tenho ouvido e lido que este é um governo de recurso atendendo a que cairá após a reprovação do programa de governo na Assembleia da República.

Eu, porém, tenho outra opinião que ainda não vi equacionada. Eu acredito que este governo se manterá em funções até às próximas eleições eleições presidênciais.

E isto pode acontecer por duas ordens de razões. A primeira, que tem sido comentada por muitos analistas, é que o governo se manterá em gestão por decisão do actual Presidente da República. A segunda, que ainda não vi adiantada por nenhum comentador político, é por via da “ bomba atómica “ que Cavaco Silva tem escondida. E esta “ bomba atómica “ passa pela simples demissão do actual Presidente da República após o “ chumbo “ do programa do governo da coligação no Parlamento.

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A Coisa Sem Nome*

Hiroshima

(fotografia tirada daqui)

Oito horas e quinze minutos da manhã, em Hiroshima. Seis de Agosto de 1945. Os relógios pararam todos à hora exacta em que a primeira bomba atómica foi detonada. A essa hora o avião ‘Enola Gay’, do tipo B-29, lançou sobre a que era a sétima maior cidade do Japão a primeira bomba atómica, ironicamente apelidada ‘little boy’. Três dias mais tarde, apesar da constatação dos efeitos devastadores da primeira bomba atómica, uma segunda foi lançada às dez horas e dois minutos sobre outra cidade japonesa – Nagasaki. Em três dias, o mundo conheceu os efeitos daquela que pode ser considerada como a mais poderosa arma de destruição. Em poucos minutos, metade da cidade de Hiroshima ficou reduzida a cinzas, entre sessenta a setenta mil pessoas morreram, muitas delas instantaneamente e cerca de cento e quarenta mil ficaram séria e irreversivelmente feridas. Em Nagasaki a bomba atómica (apelidada ‘fat man’ e lançada por um B-29 chamado ‘Bock’s Car’) matou cerca de quarenta e duas mil pessoas e feriu aproximadamente quarenta mil.

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Sejamos sérios

Diz-me o calendário que hoje é dia 6 de Agosto de 2013. Data assinalável a vários títulos.

Neste dia, há 68 anos, acontecia a bomba sobre Hiroshima. Eu era um garotinha atenta ao que ouvia à minha volta: a 2ª Guerra Mundial tinha acabado e em Luanda, onde vivia, tinha havido uma grande manifestação de regozijo, mas eu não percebi porque é que foi preso um homem que deu vivas à Rússia, um país aliado segundo diziam os mais velhos. Muitos anos depois, a conversar com o Raúl Indipo, do Duo Ouro Negro, entrámos nessas memórias e fiquei a saber que também ele tinha ficado confuso: julgou que estavam a dar vivas à Russa, má peça com toda a certeza porque quem a saudava era preso, mas ele nunca conseguiu saber quem era a matrona enquanto catraio. Naquele dia, há 68 anos, eu estava sentada na areia da praia onde vivia mais o Sérgio, o filho do cozinheiro que democraticamente andava na escola pública comigo por decisão da minha mãe. Contei ao Sérgio o que tinha ouvido sobre Hiroshima e adiantei que os americanos iam continuar a deitar bombas por todos os lados. Vem de longe esta desconfiança em relação aos camones e vá-se lá saber porquê. O Sérgio estava de olhos arregalados mas não tugiu nem mugiu. Quem o fez por ele foi o pai cozinheiro que, pelo anoitecer, se plantou diante da minha mãe com o filhote pela mão e declarou que ia dormir ao musseque porque queria morrer ao pé da família. O aranzel que aquilo deu. [Read more…]

Um caquizeiro mais forte que a bomba atómica

Acabo de descobrir que o fruto que eu mais aprecio tem um outro nome, o malandro! Não é que o meu dióspiro – chego a comer 2 ou 3 por dia na sua época (que é justamente agora), simples, com banana e/ou bolacha Maria- , também é conhecido como caqui (kaki, no Japão)?

Santa Ignorância!

Estou mesmo radiante, porque aquilo que eu ia escrever sobre um certo caquizeiro é afinal, sobre a minha árvore predilecta.

Descobri, ontem à noite, uma história linda, mas ainda mais fenomenal por ser verídica: conta-se que um diospireiro (caquizeiro) foi mais forte que a segunda bomba atómica que matou 200 mil pessoas em Nagasaki.

Escreve Rubem Alves, em Do Universo à jabuticaba:

Morreram os seres humanos, morreram os animais, morreram as plantas. Foi então que uma coisa extraordinária aconteceu: passado o tempo, uma árvore que o fogo havia queimado e todos julgavam morta começou a brotar. Era um caquizeiro. Os japoneses se assombravam com aquele milagre: uma árvore mansa que foi mais forte que a bomba! E tomaram a ressurreição da árvore do caqui como um símbolo da teimosia da vida. Começaram então a colher as sementes lisas dos frutos daquela árvore e a plantá-las. Quando as plantinhas nasciam e cresciam um pouco, eles as enviavam como presentes de paz a todas as partes do mundo. Para que ninguém perdesse as esperanças…

E sabem que mais? Eu mesma tenho um diospireiro… e assim que puder, vou contar-lhe esta história de um certo primo que vive lá longe, na ‘Terra do Sol Nascente’!