Certificados de aforro: o cartel é quem mais ordena

Coube a João Nuno Mendes, Secretário de Estado das Finanças, a árdua tarefa de vir a público garantir ter havido “zero pressão” da banca no cancelamento da série E dos certificados de aforro, que remunerava até 3,5%.

No início achei estranho, dado que, dias antes, ouvi o antigo presidente do IGCP, hoje presidente do Banco CTT, defender a suspensão da emissão de certificados de aforro, que o governo, solícito, cancelou quatro dias depois, na passada Sexta-feira.

Depois ocorreu-me tratar-se do mesmo secretário de Estado que soube da indemnização de Alexandra Reis pela comunicação social e pensei: coitado, mais um infoexcluído.

Adiante. [Read more…]

“Começaste por dar um rico exemplo…”

Nos inícios de carreira, o meu pai, que partilhava um gabinete de arquitectura com outros colegas, decidiu forrar de novo a prancha do seu estirador, com o seu habitual meticuloso cuidado.

Dava gosto ver aquele forro liso, imaculado, de vincos e dobras perfeitos, a contrastar com os estiradores dos demais colegas, já cheios de esquissos, apontamentos, contas e outras anotações sarrabiscadas.

De modo a evitar que o mesmo se passasse naquele primor de forro acabado de fazer, colocou no canto superior direito o seguinte aviso: “É favor não escrever neste forro”.

No dia seguinte, quando se sentou frente ao trabalho, apercebeu-se do seguinte escrito, logo abaixo do predito aviso: “Começaste por dar um rico exemplo…”.

Lembrei-me deste episódio, que o meu pai contava com um sorriso próprio de quem aprecia o humor, mesmo quando se é o alvo, quando este fim-de-semana ouvi António Costa dizer que os políticos têm de respeitar a maioria absoluta conferida pelo povo ao PS. [Read more…]

Dois Silêncios Estridentes

Depois de José Maria Ricciardi ter feito uma pirueta pouco comum em banqueiros ao sugerir um período de carência para o pagamento dos juros relacionados com as famigeradas PPP rodoviárias por um ou dois anos, a qual daria ao Tesouro a possibilidade de diluir no tempo os 1166 milhões de euros nas parcerias com os transportes, não me recordo, até ao momento de ter ouvido uma reacção governamental, embora, diga-se, esta ricciardice tenha chegado manhosamente depois de entregue formalmente o Orçamento para 2014: por um lado fica bem na fotografia, por outro, chega tarde de mais para contrapor uma bóia a pensionistas e funcionários públicos às medidas estruturais troykistas. Desígnios. [Read more…]

Choque, mentiras e o fim do mundo (em cuecas)

vavrova_rei nu

Depois de André Macedo, e não só, ter feito as contas:

A decisão do TC limita-se a elevar o défice público para um pouco acima dos 6,3%, mais 0,8 pontos percentuais do que está negociado com a troika para este ano, talvez um pouco mais. Dramático? Nada. O ministro das Finanças está habituado a derrapagens superiores.

Acrescentando a boa nova:

Mais de mil milhões de euros voltam à carteira dos funcionários públicos e dos reformados. É dinheiro, é consumo, é IVA, talvez seja menos recessão

Preparem-se para o anúncio do apocalipse. Esses 0.8% já exigem um novo resgate. Certificados de aforro (o consumo é um exclusivo dos Antónios Mexia deste reino) por subsídio de férias.  Tudo menos o óbvio: a demissão de quem em dois anos aplicou a eutanásia a uma economia moribunda. Ora não tendo nada contra a eutanásia, muito pelo contrário, a economia somos nós. E estamos vivos, chateados mas vivinhos da silva. Apanhados no meio da rua em trajes menores foram os que nos governam. E agora nem isso: é oficial, o rei vai nu.

Ilustração: Katarina Vavrova