2009, 2010 e Hoje

Uma revolução custosa e silenciosa no défice, apesar da chegada das facturas.

Troyka e Tresleitura Segurista

Seguro, como sempre, está a ver mal «a enorme relutância da Troyka» em indulgenciar o PS e a sua poção mágica para o défice. Não é que a Troyka tenha sentido uma enorme relutância na flexibilização do défice português. Não. A Troyka, quer dizer, a delegação técnica dela, o que deve ter é necessariamente uma enorme relutância em sentar-se à mesa com o PS, Partido que a convocou em primeiro lugar, Partido que se comporta como se a não tivesse convocado, Partido que já não subscreve [ou diz que não subscreve] o que assinou, o que implicaria pelo menos a boa-vontade de reformar e reformular o assinado, um tal Partido-Farsa só poderia suscitar repugnância, relutância e outras palavras terminadas em ânsia, no plano interno e externo, pois torna estas missões repletas de atrito, risco e incerteza e a incerteza com credores paga-se caro. Nem carne nem peixe, tal como o seu líder, eis um Partido-Sonso de e para Tansos a merecer rejeitância agora e para sempre, amem.

Gaspar: Défice pode ficar acima de 10% no primeiro trimestre

BANIF… (Aquele banco que comprámos, quase, quase, às escondidas.)

Choque, mentiras e o fim do mundo (em cuecas)

vavrova_rei nu

Depois de André Macedo, e não só, ter feito as contas:

A decisão do TC limita-se a elevar o défice público para um pouco acima dos 6,3%, mais 0,8 pontos percentuais do que está negociado com a troika para este ano, talvez um pouco mais. Dramático? Nada. O ministro das Finanças está habituado a derrapagens superiores.

Acrescentando a boa nova:

Mais de mil milhões de euros voltam à carteira dos funcionários públicos e dos reformados. É dinheiro, é consumo, é IVA, talvez seja menos recessão

Preparem-se para o anúncio do apocalipse. Esses 0.8% já exigem um novo resgate. Certificados de aforro (o consumo é um exclusivo dos Antónios Mexia deste reino) por subsídio de férias.  Tudo menos o óbvio: a demissão de quem em dois anos aplicou a eutanásia a uma economia moribunda. Ora não tendo nada contra a eutanásia, muito pelo contrário, a economia somos nós. E estamos vivos, chateados mas vivinhos da silva. Apanhados no meio da rua em trajes menores foram os que nos governam. E agora nem isso: é oficial, o rei vai nu.

Ilustração: Katarina Vavrova

Estes génios não previram isto!?

Ou estão a actuar cegamente, seguindo dogmas que não compreendem? – Riscos de incumprimento do défice “são hoje maiores”, diz Passos Coelho. Pois, pois…

Objectivos e órbitas em torno do PIB

Com recurso ao PIB, hoje conhecido indicador dos portugueses, programam-se estratégias e estabelecem-se objectivos que, na maioria dos casos, conduzem a visões e práticas tecnocráticas e economicistas, em sacrifício da qualidade de vida dos povos. De resto, é este o fenómeno a que assistimos no mundo, em especial na Europa.

Usado como parâmetro de aferição polivalente, o PIB serve também para avaliar a qualidade de vida relativa entre nações, como demonstra o quadro seguinte, construído a partir de documento do Eurostat.

PIB per capita em unidades PPS (Poder de Compra Padrão)

Posição

País

2008

2009

2010

UE (27)

100

100

100

Z.Euro(17)

109

109

108

1.º

Luxemburgo

279

266

271

2.º

Holanda

134

132

133

3.º

Irlanda

133

128

128

4.º

Áustria

124

125

126

5.º

Bélgica

116

118

119

6.º

Alemanha

116

116

118

7.º

Finlândia

119

115

115

8.º

França

107

108

108

9.º

Itália

104

104

101

10.º

Espanha

104

103

100

11.º

Chipre

99

100

99

12.º

Grécia

92

94

90

13.º

Eslovénia

91

87

85

14.º

Malta

79

82

83

15.º

Portugal

79

80

80

16.º

Eslováquia

73

73

74

17.º

Estónia

69

64

64

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Solidários com o funcionário público Miguel Macedo

O povo português, sempre generoso com os mais necessitados, não poderá negar solidariedade a todos aqueles que servem desinteressadamente o país, como é o caso dos funcionários públicos. O funcionalismo público tem, agora, no ministro Miguel Macedo o exemplo mais recente de alguém que merece toda a nossa solidariedade. Efectivamente, o pobre governante ficará, doravante, e por iniciativa própria, privado do subsídio de alojamento a que, legal e imoralmente, tinha direito. O facto de ter prescindido desse privilégio após a saída de várias notícias só serve para demonstrar que o Governo está atento aos sinais enviados pela sociedade civil. O minúsculo pormenor de Miguel Macedo possuir uma habitação em Lisboa não nos deve coarctar o exercício da generosidade: com 1400 euros a menos por mês e com os aumentos do IVA, é importante que os vizinhos do ministro estejam atentos a indícios de qualquer tipo de carência alimentar que Miguel Macedo possa manifestar. Para que não se sinta muito envergonhado, proponho que se deixe, anonimamente, à porta de sua casa, um cabaz com produtos de primeira necessidade.

Associação Recreativa, Desportiva e Cultural “Os Lusitanos Sodomizados”

Portugal deve fazer esforço colectivo para corrigir desequilíbrios, diz Barroso

Imagine que, por alguma razão, o leitor faz parte de uma Associação e paga as suas quotas, mensalmente. Uma Associação séria, note-se, coisa com estatutos e tudo, com objectivos sociais, preocupações de benemerência, interesse em criar um Centro de Dia, a garantia de que há-de haver um infantário, a compra de uma mesa de matraquilhos, seja lá o que for. Ao fim de algum tempo, descobre que a rapaziada que, durante uns anos, alternou na direcção andou a meter uns dinheiros ao bolso, próprio ou próximo, gastando-o em jantaradas ou empenhando-o em negócios arriscados ou contratando amigalhaços em empreitadas mais ou menos desnecessárias, levando a que a Associação resvalasse para terrenos próximos da bancarrota. Diga lá, ó leitor, o que faria ou o que diria se algum iluminado lhe viesse dizer:

– Ó pá, os gajos da direcção gastaram mal o dinheiro e agora os sócios têm de fazer um esforço colectivo para corrigir os desequilíbrios!

Eu faço uma pequena ideia do que diria, mas vou guardá-la para mim, até porque o cheiro a cherne podre mexe-me com a pituitária.

Sobre os professores: o cão de Pavlov

O pequeno mundo da defesa das ideias partidárias é de uma pobreza vocabular e de uma estreiteza argumentativa impressionantes, a ponto de ser possível assistir ao espectáculo de ver homens inteligentes reduzidos à emissão de simplismos, como já foi o caso de Pacheco Pereira ou Vasco Graça Moura nos tempos do cavaquismo, para escolher dois intelectuais de uma trincheira política que não frequento.

Nos dias de hoje, nesta espécie de reino do pensamento único em que querem obrigar-nos a viver, propagam-se algumas ideias igualmente básicas. Com o objectivo de anestesiar a populaça, o poder e respectivos seguidores e apoiantes tentam explicar que “vivemos uma situação extraordinária”, que “todos temos de fazer sacrifícios”, que “as coisas agora mudaram”. Tentam, no fundo, que nos conformemos, que aguentemos.

A opinião pública, mesmerizada pelas gravatas tecnocráticas dos governantes, prefere não pensar e lida mal com quem não se conforma. Diante dos que tentam pensar ou na presença dos que procuram argumentar, mandam-nos falar mais baixo, dizem-nos para ficarmos contentes porque há outros que estão piores e não faltará muito tempo para considerarem o acto de respirar como um privilégio. [Read more…]

Engulam este esperma

Aqui está mais uma matéria a considerar pela troika, vulgarmente conhecida por FMI.

Por cá, habituaram-se a que tudo seja “à  borla”. A  polémica chega agora da maternidade Alfredo da Costa e o telejornal da SIC Notícias, dizia existir um grande mal estar pela decisão de exigir o pagamento pelo fornecimento de esperma a casais inférteis.

O citado artigo chega directamente de clínicas catalãs, especializadas neste tipo de ordenha e “diz-se que” cada unidade, monta até aos 350€, fazendo empalidecer qualquer bandeirada cobrada por outro bem conhecido sector de actividade. Os Estado português paga o produto e aplica-o a quem dele necessite. Um bom negócio para os fornecedores, até porque matéria prima não faltará, levando-nos a questionar o porquê de não existir por cá quem o faça. Resta-nos saber se os sempre excitados catalães ofertam a sementinha, ou se também cobram pelo serviço. Isto leva-nos a várias hipóteses, algumas delas bem passíveis de equívocos ou pelo menos, de umas boas gargalhadas.

Esta é mais uma e… lá se vai o ADN de Afonso Henriques. Já temos os Seats que chegam da Catalunha e agora, esperma pago pelos contribuintes e que  alguns pretendem receber gratuitamente. Com um bocadinho de surrealista lata, ainda poderão vir um dia dizer que o filho é “primo” de Salvador Dali.

14 de Fevereiro de 1910 e os 5 mil contos do défice


O «Diário de Notícias» revela que ontem, Domingo, os ministroa do Reino, Justiça e Fazenda foram a casa de José Luciano de Castro, com quem conversaram durante algum tempo. Ontem, foi também a reunião do Partido Regenerador em Cascais.
Teixeira de Sousa, que fora eleito chefe do Partido no dia 16 de Janeiro, promete que irá tentar fortalecer o Partido e respeitar a memória de Hintze Ribeiro. Critica a situação económica do país, que já tem 5 mil contos de déficit e 80 mil de dívida flutuante. O rendimento das alfândegas está hipotecado, bem como o rendimento dos Tabacos, dos Fósforos e dos Caminhos-de-Ferro. Há risco de bancarrota porque não há mais nada para hipotecar. O estado das colónias é de descalabro. Não há assistência pública,a instrução é rara e má, as corporações administrativas asfixiam sob uma tutela que as esmaga. «A lei eleitoral é uma burla, a soberania do povo não existe»
De Coimbra, Hipólito Raposo escreve o texto «As Engomadeiras». «A minha engomadeira é uma mulher esperta, risonha e bem falante, com o timbre de voz docemente cantado que torna a pronúncia de Coimbra a mais bela de Portugal.»
No futebol, o Gilman Sporting Clube ganhou por 3-0, no Lumiar, ao Sporting Clube de Portugal