As compras do Estado e as contrapartidas

A magnifica investigação da SIC sobre as compras do Estado de armamento militar, ultrapassa tudo o que podia pensar. Milhões de euros ao desbarato, sem controlo, como se nada acontecesse, sem responsáveis, atravessando diversos governos.

 

O total aproxima-se dos 4.000 milhões de euros de contrapartidas, cuja taxa de realização não atinge os 30%, o que quer dizer que o Estado está a ver "submarinos" na ordem dos 2.400 milhões de euros. Submarinos, helicópteros e outras coisas menos visíveis…

 

As empresas portuguesas foram chamadas a envolverem-se nas negociaçõs, mas logo que a compra se tornou efectiva, foram pura e simplesmente ignoradas. O presidente da Autosil, diz que não facturou um tostão furado e o mesmo diz Henrique Neto da Iberomoldes, que até gastou dinheiro em viagens de negócios. Zero!!!!

 

Entretanto, há uma comissão ( o que é que havia de ser?) cujo presidente é um diplomata, que sabe tanto de material militar como eu sei de lagares de azeite, mais uns quantos vogais, que à sua conta, só em vencimentos, levam o orçamento todo da comissão que, obviamente, não controla nem fiscaliza nada.

 

Para que este saboroso caso seja completo, temos uma empresa do Grupo Espírito Santo, a ESCOM, a quem o Estado delegou a responsabilidade de intermediar o negócio, e que após os contratos assinados nunca mais se interessou pelo seu cumprimento. O mesmo Espírito Santo que se senta ao lado dos representantes do Estado na PT, e em outras empresas muito nossas e todas a favor do povo.

 

Claro que é o Estado que tem que tratar dos seus interesses e não quem anda na vida a ganhar dinheiro, isto é como dar o código ao assaltante do cofre forte. Ultrapassa tudo, é uma vergonha, a ponto de Henrique Neto dizer que a Ibermoldes foi contactada diversas vezes, pelas empresas vendedoras, a "fazer de conta" que tinha facturado muito, utilizando facturas de outros negócios, para assim darem as contrapartidas como realizadas.

 

O Estado está nas mãos de um gang de malfeitores!