O santo conveniente

Desde a sua prematura morte em 1980, que Sá Carneiro tem sido usado como evocação reverencial pela Direita portuguesa. Dado seu papel fundador do PSD, partido de referência no arco governativo e nessa invenção de impacto maior na política nacional chamada “Bloco Central”, com naturalidade que muitos foram os “sociais-democratas” que invocaram o seu pensamento político e o citaram em frases mais ou menos exactas em relação às originais. O mesmo se dizendo do CDS, com qual foi estabelecida a impactante AD, por vontade e esforço conjugados entre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, e decorrente da comunhão trágica da morte de ambos.

Com o passar do tempo, assistiu-se a uma lógica de santificação política de Sá Carneiro, enquanto pensamento, acção política, intervenção histórica, etc. Algo perfeitamente natural, até porque houve um considerável período de sentimento de orfandade por parte do PSD que viu o seu líder fundador morrer em tão trágicas e prematuras circunstâncias.

Com a fragmentação da Direita nos últimos anos, donde emergiu o Chega e a Iniciativa Liberal, Sá Carneiro passou a ser uma espécie de santo conveniente, sendo invocado por tudo e por todos, de acordo com as conveniências de circunstância, as ambições de cada um. Todos querem ter na sua posse, uma imaterial relíquia de Sá Carneiro, legitimadora para o que dizem, defendem, propagandeiam, em exibição pública perante os fiéis. Não sendo um dente, um fio de cabelo, um sudário ou um pedaço de roupa, as relíquias são frases e, mais do que isso, certezas legitimadoras de que, se Sá Carneiro fosse vivo, ele pensaria da mesma forma, agiria do mesmo modo, e estaria ao lado de quem o invoca. [Read more…]

Os 28 debates para as presidenciais começam às 21 horas de Portugal Continental e da Madeira

  1. Hoje, 17 de Novembro, segunda-feira, TVI: André Ventura vs. António José Seguro  
  2. 18 de Novembro, terça-feira, SIC: Luís Marques Mendes vs. António Filipe
  3. 20 de Novembro, quinta-feira, RTP: Henrique Gouveia e Melo vs.  João Cotrim de Figueiredo 
  4. 23 de Novembro, domingo, SIC: Catarina Martins vs. Henrique Gouveia e Melo
  5. 24 de Novembro, segunda-feira, RTP: João Cotrim de Figueiredo vs. Jorge Pinto 
  6. 25 de Novembro, terça-feira, SIC: Luís Marques Mendes vs. André Ventura
  7. 26 de Novembro, quarta-feira, TVI: Jorge Pinto vs. Henrique Gouveia e Melo  
  8. 27 de Novembro, quinta-feira, RTP: António José Seguro vs. João Cotrim de Figueiredo
  9. 28 de Novembro, sexta-feira, TVI: André Ventura vs. Catarina Martins
  10. 29 de Novembro, sábado, RTP: Luís Marques Mendes vs. Jorge Pinto
  11. 30 de Novembro, domingo, SIC: João Cotrim de Figueiredo vs. António Filipe 
  12. 1 de Dezembro, segunda-feira, RTP: António José Seguro vs. Jorge Pinto
  13. 2 de Dezembro, terça-feira, TVI: António Filipe vs. Henrique Gouveia e Melo
  14. 3 de Dezembro, quarta-feira, RTP: António José Seguro vs. Luís Marques Mendes
  15. 4 de Dezembro, quinta-feira, TVI: Catarina Martins vs. João Cotrim de Figueiredo
  16. 6 de Dezembro, sábado, SIC: António José Seguro vs. Catarina Martins  
  17. 7 de Dezembro, domingo, TVI: João Cotrim de Figueiredo vs. Luís Marques Mendes  
  18. 8 de Dezembro, segunda-feira, RTP: António Filipe vs. Jorge Pinto  
  19. 9 de Dezembro, terça-feira, SIC: Henrique Gouveia e Melo vs. António José Seguro
  20. 10 de Dezembro, quarta-feira, RTP: Catarina Martins vs. António Filipe
  21. 11 de Dezembro, quinta-feira, SIC: André Ventura vs. Jorge Pinto  
  22. 12 de Dezembro, sexta-feira, RTP: Luís Marques Mendes vs. Catarina Martins  
  23. 13 de Dezembro, sábado, RTP: André Ventura vs. António Filipe
  24. 15 de Dezembro, segunda-feira, RTP: Henrique Gouveia e Melo vs. André Ventura  
  25. 19 de Dezembro, sexta-feira, SIC: João Cotrim de Figueiredo vs. André Ventura  
  26. 20 de Dezembro, sábado, TVI: António José Seguro vs. António Filipe  
  27. 21 de Dezembro, domingo, RTP: Catarina Martins vs. Jorge Pinto
  28. 22 de Dezembro, segunda-feira, TVI: Henrique Gouveia e Melo vs. Luís Marques Mendes  

A IL e quem racha lenha

Quando era mais novo dizia-se “quem está fora, racha lenha” (traduzindo: expressão popular utilizada para colocar alguém no seu devido lugar, quando dita pessoa procura intrometer-se numa discussão ou situação alheia emitindo a sua opinião). Ora, eu vou dar a minha opinião sobre o que se passa na Iniciativa Liberal (IL) não sendo seu militante  e por isso serei mais um mero rachador de lenha.

O que me leva a pegar no machado e posicionar o toro de madeira é o intenso cheiro a Braga 1998. E o que foi que aconteceu em Braga nos idos de 98? Um congresso do CDS. O que dividia a maioria dos congressistas do CDS em 1998? A ideologia? Mais ou menos democracia cristã? Não. O que dividia as hostes era um ódio escondido. Era mais o que os separava em termos pessoais que aquilo que os unia em termos ideológicos. Boa parte dos “portista” odiavam os “monteiristas” e vice-versa. Era o ódio que alimentava as tropas. Um ressentimento que foi crescendo ao longo dos tempos.

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Cotrim lava mais branco?

Portanto, na audição a Luís Filipe Vieira, o deputado da IL (Iniciativa Liberal) foi para lá de fofinho. Se Cotrim fosse advogado de carreira (penso que não o é) eu diria estar perante mais um caso em que advogado, cliente e testemunhas preparam a audiência e em que as perguntas, fofinhas, lavam a situação. Alegadamente, claro. A intervenção do único deputado da IL nem chega a ser uma desilusão. Uma coisa garantiu: o meu voto nunca mais o levam.

João Cotrim de Figueiredo: E depois do Adeus

(João Cotrim de Figueiredo, Presidente da Iniciativa Liberal e deputado à Assembleia da República)

A revolução estava planeada. As tropas, de prevenção, aguardavam a senha para dar execução ao plano. Na verdade, duas senhas que tinham de chegar, simultânea e discretamente às várias unidades conjuradas. Em 1974, só através de uma rádio se poderia fazê-lo.

Foi assim que, às 22:55h do dia 24 de Abril de 1974, quem estava sintonizado na frequência da estação Emissores Associados de Lisboa pôde ouvir, sabendo-o ou não, a primeira senha do movimento militar que haveria de derrubar a ditadura no dia seguinte. Paulo de Carvalho cantava “E depois do Adeus” e Portugal nunca mais seria o mesmo.

Quis saber quem sou/

O que faço aqui/

Quem me abandonou/

De quem me esqueci

(Letra: José Niza. Música: José Calvário)

 

A canção devia ser, por esses dias, das mais ouvidas na rádio. Menos de um mês antes tinha representado Portugal no Festival da Eurovisão em Brighton. Ficou em último lugar, sem surpresa. Mas a sua popularidade entre portas continuava alta pelo que ninguém estranharia, nem mesmo a polícia política, ouvi-la na rádio. Era uma canção popular e sem conotações políticas. Foi escolhida como primeira senha da revolução exatamente por isso: para passar desapercebida a todos menos aos capitães de Abril. [Read more…]

A política não é um vírus

António Costa brincou com o deputado João Cotrim de Figueiredo. Quem está na trincheira do primeiro, adorou o comentário e cantou uma vitória épica; do outro lado, houve quem se escandalizasse, também por não gostar que se chame a atenção para as contradições dos liberais. António Costa pode ter tido uma vitória tangencial, mas o episódio não passou de uma mera escaramuça parlamentar que não acrescenta nada de essencial. Parece-me, no entanto, que estamos diante de uma oportunidade para discutir se é possível o liberalismo em tempo de paz e estatismo em tempo de guerra, sabendo-se, desde já, que nada é assim tão simples.

Não é a altura para discutir isso, dizem alguns, porque estamos em circunstâncias adversas. Pelo contrário: é fundamental, porque o objectivo é que o mundo continue e que todos saiamos à rua para retomar as nossas vidas. É fundamental pensar que Estado queremos ou se queremos Estado.

O que me parece muitíssimo escandaloso em António Costa, por exemplo, é a afirmação de que não falta nada ao SNS, uma mentira que está a passar pelos pingos mediáticos sem molhar o primeiro-ministro. É verdade que, na trincheira do PS e de muita esquerda, há uma crispação quando se apontam os muitos problemas do SNS, como se isso fosse uma crítica ao conceito. Para mim, ser de esquerda é exactamente criticar o desinvestimento público que enfraquece o Estado em áreas em que tem de ser forte, áreas que não podem estar sujeitas à ditadura do lucro ou à libertinagem dos mercados. [Read more…]