Outro licenciado ao Domingo?

A questão não é saber se é ou não licenciado. Isso tem interesse zero. A cortina de silêncio em torno da “coisa” é que complica tudo.

E até pela Blogosfera o silêncio mata! Miguel Relvas é ou não licenciado?

O Mirante diz que sim e o site do parlamento também. No site do Governo nada dizem…

No tugaleaks a pergunta é feita e colocada no ponto certo – será que alguém está a esconder alguma coisa? Será que há alguma coisa para esconder?

Vamos continuar atentos…

Num domingo qualquer

Um passeio pedonal ao longo da costa, num solarengo dia de fim de Inverno.

Por mim, e serpenteando por entre os demais transeuntes domingueiros, ciclistas de auriculares nos ouvidos fazem de nós peões de gincana. Aqui e além, cães puxam os seus donos ou, pior, correm soltos e livres, apesar das sonoras ordens de comando sem qualquer tipo de obediência. Os constantes latidos de cães que marcam território entre eles.

Na praia, na constante mutável linha de chegada do mar sobre o areal, dois jovens divertem-se sob a mira de uma fotógrafo e de um operador de câmara de vídeo. Parecem estar a registar momentos de alegria que se esforçam por parecer natural, espontânea, certamente para um futuro álbum de casamento.

O passeio prolonga-se, por entre latidos e vozes de comando de donos que fazem pior figura que os caninos que julgam dominar. Escutam-se conversas cruzadas, vê-se gente de calções desportivos a sair de carros estacionados em lugares de deficientes, ostentando óculos escuros tão envolventes ao rosto quanto os óculos usados por mergulhadores.

A meio passo, uma pequena multidão mergulha numa improvisada banca onde se expõe casacos de imitação de pele, que são vistos e revistos pelos curiosos das pechinchas; um pai tira fotografias à sua infanta que parece ter começado a dominar a arte de patinar; um solitário fotógrafo repete fotografias de gaivotas em vôo.

No regresso ao carro, vejo ainda o jovem casal na praia, a tentar seguir as ordens de quem fotografa e filma, para que dúvidas não hajam sobre a sua felicidade. Um grupo de homens de meia-idade aprecia a cena e faz comentários jocosos, um pouco à surdina.

A brisa marítima, carregada de iodo e sal, é saboreada nos lábios salpicados, devolvendo a nossa atenção ao mar, longe de tudo o resto.

Aconteceu num domingo qualquer, e poderia ter acontecido a qualquer um de nós.

Domingo de Páscoa num supermercado para pobres

Passo por um supermercado de uma cadeia de preços baixos, supermercado para pobres. À entrada 3 desempregados pedem-me para lhes comprar uma lata de atum. Ouço-os mal, tenho o mp3 a tapar as orelhas.

É Domingo de Páscoa.

No balcão do talho o empregado engana-se no troco, a seu desfavor. A cliente não aproveita. Olhe que eu dei-lhe 5 euros e está-me a dar troco de 20. Desfaz-se em agradecimentos. Enquanto me atende desabafa comigo. Estou aqui desde as 8 da manhã, nem intervalo para almoço tive. Mas amanhã vou falar com o patrão. Isto assim não dá, um homem não é de ferro.

São quase 19h. Comento para o empregado, filhosdaputa. Compro duas latas de atum. Depois de sair, já na rua, desfaço-me dos agradecimentos dos desempregados. Ligo o mp3. Tiro o modo aleatório. Mudo de música.

Que força é essa que trazeis nos braços, senhor, que força é essa amigos.

É Domingo, vá passear

Ainda não estão 40 graus à sombra, mas é domingo, o sol brilha, desligue o computador, vá passear, faça uma revolução.

O pai natal é do benfica, já sabíamos, assim até dá mais gozo

Nomear o Calabote Baptista para o joguito de Domingo, somado a um campo onde, viu-se agora, passou um cortador de relva tipo manada muito certinha de elefantes pelo corredor central, é típico da época e da boçalidade do actual treinador do clube que disputa o campeonato lisboeta.

Na falta de melhor são sempre formas de criar à partida alguma igualdade entre as equipas, num jogo pós Di Maria, e já agora que se despediu com um golo com letra no alfabeto gostei de ver este puto jogar por cá, antes de ser vendido a baixo preço sabe-se lá para que campeonato.

Alguns milhões de portugueses alimentam assim veleidades, devaneios,  a esperança que falecerá antes do peru e do bacalhau que se queria seco ao sol, antes da demolha e cozedura solsticial.

Não havia necessidade, que o Sport Lisboa leva esta temporada bom avanço sobre o outro Sport. Nem a há, porque o ano civil vai passar com o grande Braga à frente, e o FCP a ter de pensar se este até não será um bom ano para ganhar a 3ª Liga dos Campeões, e deixar-se ficar no 2º lugar local. Tanto o actual treinador como o próximo o merecem.

Feitas as contas, o hexa batia a seguir certinho com a reposição da verdade estatística (quem ganhou mais campeonatos) e histórica (quem os mereceu) no futebol lusitano, como dizem os gajos que ainda pensam que o Viriato era pastor e português. E que tudo decorra com tranquilidade, normalidade, e Paulo Bento volta como comentador de jogos, já temos saudades tuas, a sério, ouvir-te hoje em dia com o Jesus de goela aberta é um poema.