Pagamento da factura: a influência do AO90 na pronunciação

Neste vídeo, encontrado na página dos Tradutores contra o acordo ortográfico, podemos ouvir uma jornalista a emendar a pronunciação da palavra “factura”: quando se preparava para fechar o A pretónico, foi socorrida pela memória e ainda conseguiu reabrir a vogal, como se o C diacrítico e etimológico ainda lá estivesse. No fundo, uma pessoa, agora, para articular correctamente algumas vogais tem de imaginar consoantes.

O fechamento de vogais é uma das consequências do AO90. Nos verdes campos da ilusão acordista, alguns garantem que a realidade não existe; outros desejam que a memória fonética permita manter a pronunciação.

Já sabíamos que o AO90 não originou uniformização ortográfica, mantendo umas diferenças e criando outras. Como se isso não bastasse, ainda poderá contribuir para o aumento de diferenças de pronunciação: efectivamente, onde brasileiros e portugueses abriam as mesmas vogais, o AO90 poderá conseguir, ainda, mais algumas separações. Continuamos a pagar a factura.

Campanha Serviços Públicos Essenciais

A propósito dos “cortes-surpresa”.

O que são serviços públicos essenciais?

Numa fórmula simples, os que proporcionam condições de dignidade à vida humana.

E quais são hoje em dia, entre nós, os serviços públicos essenciais?

. água

. energia eléctrica

. gás

. gás de petróleo liquefeito canalizado

. comunicações electrónicas

. serviços postais

. saneamento

. resíduos sólidos urbanos (recolha de lixos)

Que obrigações principais recaem sobre as partes no contrato?

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Galp, abuso de confiança e incompetência

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Abastecermos a viatura na GALP, além de ser um sinónimo de preços mais altos, também significa perdermos o nosso precioso tempinho e a correspondente paciência. Seja em que bomba for, Amoreiras,  Oeiras Parque ou qualquer outra, o procedimento é sempre o mesmo: a muito natural bicha de espera para pagarmos ao operador(a) e num sorriso, a expectável explicação:

O senhor vá abastecer a viatura e depois volte para “levar a factura” (ou recibo?)…

Ainda não percebi se tal estupidez se deve a uma inglória tentativa de desencorajar os clientes, evitando-se aquelas maçadas contabilísticas de comprovativos de compra, números de contribuinte, impostos a pagar, etc. A quem vivalma não escapa, é ao sacramental dever de ir, vir e voltar à dita bicha – que por vezes é mesmo uma bichona a perder de vista -, num daqueles processos burrocráticos que nos fazem lembrar a extinta RDA. Aliás, a GALP é mesmo a única gasolineira que em todo o Portugaliae – desta vez reduzido do Minho ao Algarbiorum – nos obriga a estes fretes. A única.

Por aquilo que o meu pai dizia, nos tempos da Sonap Moçambique as coisas funcionavam  melhor, papelinhos entregues in loco e no momento. E o preço era outro, claro.

Uma bica e uma factura, ófaxavor

Noutros tempos era uma bica e um bagaço, para inebriar. Agora, é a bica e uma factura, o que também produz êxtase a qualquer amante de Kafka. Há um detalhe que me escapa neste avanço governamental. Porque é que se opta pelo aumento da complexidade papelárica em vez se simplificar? Vem isto a propósito deste dual conceito talão de caixa/factura, tão contrário ao declarado objectivo objectivo de se reduzir a economia paralela. Para contextualizar, vou contar um episódio que vivi.

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Resposta a um consulente: o artº 40º do CIVA

De um consulente:

“Há dias fui almoçar a um restaurante, mas no final não me quiseram passar a factura da refeição, dizendo-me que o talão da caixa era o suficiente.
E já agora desejava saber também a partir de que valor é obrigado a passarem a factura, é que nesse restaurante como só paguei 8 euros disseram-me que não eram até obrigados a passar a dita factura.”
 
A resposta:

Nada melhor do que facultar a própria lei para que dúvidas não subsistam.
 
Rege a este propósito o artigo 40.º do Código do IVA, sob a epígrafe: “dispensa da obrigação de facturação e obrigatoriedade de emissão de talões de vendas”, do teor seguinte:
 
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