Austeridade da boa

Na sessão de votação do OE18 na especialidade, que aconteceu na passada semana, as infames esquerdas unidas aprovaram um aumento da derrama estadual do IRC para as empresas com lucro superior a 35 milhões de euros, que passa dos actuais 7% para 9%. Austeridade da boa. Tímida, mas boa.

Não demorará muito até que os suspeitos do costume tentem transformar esta medida num ataque à classe média, ou noutra treta qualquer, tal como fizeram, por exemplo, com o imposto sobre o património, presente no OE17. Mais do que as motivações ideológicas, irrefutáveis, é também para isso que lhes pagam ou que virão a pagar um dia, quando for altura de dar aquele salto público-privado que todos conhecemos bem. Mas não se preocupem, que à partida não haverá o que temer. O que é que classe media-multimilionária pode fazer? Mudar as sedes sociais das suas empresas para a Holanda? Fugir aos impostos através do Panamá e das Caimão?

Uma pena que, mesmo com BE e PCP a influenciar o rumo das coisas, não seja possível ir mais além. Fazia falta carregar um pouco mais em quem pode mais, em quem mais beneficia de apoios estatais e em quem frequentemente contorna as suas obrigações fiscais, prejudicando o todo por simples ganância. Só para não serem sempre os mesmos a financiar a gatunagem.

 

OE 2016, Carga Fiscal (4/5)

Gráfico_OE2016-04

Agora sim, era tempo para perguntar “Qual é a pressa?”

Oposição critica Governo pelo pouco tempo para debater pacote do jogo ‘online’
(…)
Mais do que sobre o conteúdo do pacote legislativo, os deputados centraram o início da discussão sobre o pouco tempo dado ao parlamento para o analisar e debater, uma vez que só entrou na Assembleia da República na sexta-feira passada e foram dados dois dias para debate e votação.

“O Governo pretende aprovar legislação sobre jogo, alterar legislação sobre jogo (…), tipificar ilícitos criminais previstos até 8 anos de prisão, dar isenção de IRC, (…) alterar o código da publicidade e fazer tudo isto numa proposta de autorização legislativa”, criticou Bruno Dias, do PCP.

O deputado comunista questionou assim a transparência deste processo: “Que interesses estão por detrás? Como se faz isto num processo que dura 48 horas na AR”, questionou, considerando que uma matéria “desta sensibilidade” não pode ser resolvida deste modo.

Em resposta, Adolfo Mesquita Nunes afirmou: “O único interesse é terminar com uma actividade económica forjada na ilegalidade”.

Dois dias para debater um votar um diploma? E, pior, dar isenção de IRC a empresas de jogo online? Isto só pode ser piada de mau gosto de um governo que apenas sabe aumentar impostos para os contribuintes!

A deriva governamental

IRC e taxas

Em Janeiro entrou em vigor a menor carga fiscal para as empresas para, apenas três depois, vir o mesmo governo, que se está nas tintas para as eleições, aventar a possibilidade de mais impostos para as empresas.

Como se sabe, de boas intenções está o inferno cheio – e cá no rectângulo, de há uns anos a esta parte, isto tem sido um gigantesco inferno.

Só cá faltava, neste reino da hipocrisia, o mordomo dos Açores vir mandar mandar bitaites, depois de ter abandonado o país pela oportunidade de Bruxelas. “Ó Pedro, olha que há limites. Pensa nas eleições – nas tuas e na minha”.

O dia de traidores

Giovanni Canavesio_ A Morte de Judas

Se por um lado da parte do PS se pode falar mais de tradição, descer o IRC que todos pagaremos é uma mera evolução na continuidade, do outro a coisa não é muito diferente: nalgumas salas de professores perguntava-se:
– é colega ou contratado?
e esses, hoje, policiaram os meus colegas, confere, a aristocracia do cargo continua a não perceber que Roma, mais tarde ou mais cedo, se esquece de pagar aos traidores.

Imagem: Canavesio, A Morte de Judas

Comparadores de Pénis

constituintes dos genitais masculinosO exercício do blogger é o de manifestar algum pensamento com o máximo liberdade e verdade emocional. O que se escreve sente-se com as tripas. Daí uma linguagem mais dada ao coloquial e às interjeições e vernáculos do nosso descontentamento. Gostar do que se gosta. Detestar o que se detesta, isso passa rente à pele e como nenhum inócuo artigo de jornal o faz. A capacidade para fazer sentir ideias e seduzir intelectualmente para elas mora na bloga e noutros domínios da rede, mas os seus efeitos são imediatos e consolidam, como um fermento, as moções da grande massa de cidadãos. O socratismo percebeu demasiado bem essa importância de gerar um conjunto de blogues e de federar um conjunto de bloggers, os quais, devidamente avençados, coordenassem e sincronizassem a apresentação quotidiana da mundividência exclusivista que esses dois Governos quiseram passar, ainda que a realidade íntima das contas, das acções e das movimentações de bastidores indicassem o conhecido rumo inexorável em direcção aos cornos da realidade.

Hoje vivemos noutro modelo de relação do Governo com a bloga. Não é possível vender a austeridade como se vendia o optimismo mais imbecil, rapace e charlatão. Não se pode falar bem da dor, da fome, da inactividade profissional. A política de austeridade é o que é. Uma merda. Uma necessidade. Visa corrigir as consequências de um modo de governar que resolvia problemas à superfície, atirando uma torrente de dinheiro sobre eles. Há quem diga que a austeridade tem sido extrema. Do meu ponto de vista, ela foi concentrada no tempo, nos últimos dois anos. Teria de ser. Foi uma escolha estratégica. Se se colocarem na pele de um Governo que surgiria sempre como odioso por cortar de modo extremo durante dois anos, hão-de concluir que não seria justo ficar tal Governo com todo o ónus político por ter feito o que devia e seria incontornável fazer numa legislatura: salvar o País, represtigiá-lo, recredibilizá-lo externamente; apertar a gestão das contas públicas segundo um modelo sóbrio, sólido, sustentado, realista; e, claro, com isso penalizar milhões de cidadãos. E depois?! [Read more…]

A mentira é uma arma, da burguesia

Mentir, intoxicar, envenenar, enganar.  Os aldrabões de serviço falam de uma taxa de IRC de 31,5%. Mas com os “descontos” é isto que as empresas em Portugal têm pago.
TAXA DE IRC PAGA PELAS EMPRESAS EM PORTUGAL

Objectivo: mandar, só para o ano, mais 220 milhões de impostos para cima da população, aumentando o lucro das empresas.
A ler a explicação e desmontagem do embuste neste texto do Eugénio Rosa (pdf)

Ainda o sabe bem pagar tão pouco, agora explicado à direita dita liberal

Alexandre Soares dos Santos, que ocupa o 512.º posto da lista da Forbes, em 2011, com uma fortuna de 1,65 mil milhões de euros, declarou 1,2 milhões de euros, em 2010, dos quais 520 mil foram pagos às Finanças. Em 2009, a sua fortuna era de 1,015 mil milhões de euros, ou seja, em 2010, o patrão do Grupo Jerónimo Martins enriqueceu mais 635 milhões de euros. O seu vencimento líquido de 2010 (680 mil euros) corresponde a cerca de 0,1% do enriquecimento que teve nesse mesmo ano.

Simples, [os holandeses] têm elevados impostos sobre os rendimentos, altamente progressivos, e baixos impostos sobre os capitais. O que Soares dos Santos vai fazer é pagar os impostos onde eles são mais baixos. O IRS aqui, no Marrocos de cima, e o IRC lá, na terra da justiça fiscal.

Pedro Lains

A lebre do governo

A táctica é antiga mas sempre usada, uma e outra vez. Quando o governo (este ou outro)precisa ou pensa tomar uma medida impopular “sonda” a reacção popular, colocando na praça pública a medida, pela voz de “um independente” . Chama-se na gíria “a lebre”!

A lebre de Sócrates é Vitor Constâncio, desde os célebres 6,03% de déficite, o que permitiu a Sócrates aumentar os impostos contra todas as suas promessas eleitorais.Agora lança a lebre mais apetitosa para o governo, mas que é tambem a mais perigosa. Aumentar impostos! Qual? Parece ser o IVA, é o mais transversal, o mais fácil e tambem o que dá dinheiro mais depressa. [Read more…]

A banca ganha cinco milhões de Euros por dia.

Neste país, onde a riqueza não cresce há dez anos, e onde há desemprego, que não segura os cérebros jovens, em que os seus cidadãos são já os mais vergastados pelos impostos na UE, onde há, ainda, (vergonha!) dois milhões de pobres, a Banca ganha um milhão de contos por dia.

 

No país que se prepara para aumentar os impostos, que tem uma dívida externa colossal, um défice orçamental de 8% ( 3% é o défice aconselhável), que a sua balança comercial é deficitária desde sempre, e que é equilibrada pelas remessas dos que mais sentiram na pele, quanto madrasta  a sua terra pode ser, há ilhas de opulência e  níveis de captação de mais valias do trabalho de nós todos, indecentes.

 

O nosso país, que tem sido governado à vez por um partido que se diz social-democrata e por outro partido que se diz socialista, consegue ser o mais injusto da UE e o mais pobre!

 

Mas não satisfeitos com os lucros fabulosos, os bancos ainda têm um tratamento de favor

fiscal que roça o absurdo. Pagam de IRC menos de metade das pobres PMEs que asseguram trabalho a 80% dos trabalhadores portugueses, e que produzem 70% da riqueza e 90% das exportações ( valores indicativos).

 

Se entrarmos nos cálculos com os lucros obtidos nas off-shores e que desta forma fogem ao Fisco, os bancos não chegarão a pagar 10% de IRC, um terço do que pagam as PMEs

 

Mas são estes os gestores endeusados  que têm que ganhar milhões porque podem ir embora, não se sabe para onde, lá fora os países decentes são muito mais rigorosos e não os querem para nada. Quem tinha mercado de trabalho a este nível, há muito que já foi!

 

E é neste país nesta situação, pobre, injusto, com um futuro negro ( os próximos dez anos são de empobrecimento) que querem um povo taciturno, tontamente conformado !

 

É a  estes patetas incompetentes que nos levaram para esta situação de pedinte, depois dos milhões recebidos da UE, que devemos parcimónia nas críticas e respeito no tratamento !

 

Mereçam-nos!