É preciso coragem para acabar com a central de negócios em que se transformou o Parlamento

Quando em Agosto o caso veio a público, não tive dúvidas: governantes sérios não aceitam presentes de empresas privadas, mais ainda quando tutelam áreas com impacto nessas mesmas empresas, e os três secretários de Estado que viajaram com a Galp para o Euro2016 não tinham condições para continuar no cargo. Nem eles, nem os deputados do PSD que aceitaram presentes idênticos, ou não fossem eles legisladores, situação que se torna mais grave ainda quando estamos a falar do presidente e do vice-presidente (futuro presidente?) da bancada parlamentar do maior partido da oposição. [Read more…]

Galp, futebol e política

Foto: Lusa

Há quem, legitimamente, questione o sentido de proporcionalidade da actuação do Ministério Público no caso das viagens da Galp, que teve como consequência, até agora, a exoneração de alguns valiosos membros do executivo. Pode, de facto, argumentar-se que o favorecimento de que esses governantes foram objecto não justifica o abalo causado ao governo da República nem a dimensão judicial que ao caso foi atribuída pelas autoridades às quais cabe atribuí-la ou não. Esse argumento poderia até ter acolhimento parcial se vivêssemos num país sem corrupção endémica, ética e deontologicamente preparado para um exercício isento do poder público, onde não imperasse o conflito de interesses e o tráfico de influências. Mas não é o caso.

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Será que os bilhetes para jogos do Europeu não foram suficientes?

Governo aprova aumento de 25 milhões no imposto cobrado à Galp pelos contratos de gás natural com a Argélia e Nigeria. Já não há respeito por quem leva parlamentares a ver a bola.

Como se faz para a Galp pagar o calote?

Lisboa, 19/11/2014 - Esta tarde a Autoridade Tributária realizou buscas nas instalações da Galp, nas Laranjeiras em Lisboa. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Diz a notícia que a Galp “voltará” a não pagar a Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético (CESE) em 2017. Quer isto dizer que, não só se recusa a cumprir com as suas obrigações fiscais deste ano, como no próximo não tenciona igualmente cumpri-las. Não sei se alguma vez a pagou, ou sequer se paga todos os impostos que são devidos, mas fico com vontade de embarcar nesta onda de desobediência civil e não pagar os meus também. Claro que, sendo eu um mero plebeu, não tenho como me esquivar. Aos plebeus, é sabido, retem-se na fonte. [Read more…]

Ir à bola com a Galp? Naaaa, faz antes um frete ao Dono Disto Tudo

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Telmo Monteiro acusou hoje o governo de querer ir à bola com a Galp e de ser forte com os fracos e fraco com os fortes. Sim, o mesmo Telmo Monteiro que, a poucos dias das Legislativas de 2005, com tudo a indicar uma derrota da coligação PSD/CDS-PP, assinou, a correr, um despacho que resultou no abate de milhares de sobreiros para que o BES, através da empresa Portucale, construísse um empreendimento turístico na Herdade da Vargem Fresca, um dos capítulos mais marcantes dessa bela história de corrupção e impunidade que foi o caso Portucale. Entre ir à bola com a Galp e fazer fretes ao Dono Disto Tudo, venha o Jacinto Leite Capelo Rego e escolha.

A minha promiscuidade é melhor que a tua

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Não tive dúvidas quando veio a público que três secretários de Estado tinham sido agraciados com viagens e bilhetes para jogos do Euro2016, pagos pela GALP. Na altura escrevi – e mantenho – que governantes sérios não aceitam presentes de empresas privadas. Mas o espectáculo a que ontem se assistiu no Parlamento, protagonizado por falsos moralistas e virgens ofendidas que habitam sedes partidárias de vidro, é degradante e insulta a memória recente dos portugueses.  [Read more…]

Nietzsche, a Galp e a consciência de alguns políticos

Santana Castilho *

Embora Nietzsche, filosoficamente, nos diga que não há factos, só interpretações, direi que há “não factos”, relativos às relações da Galp com Rocha Andrade e outros, que só admitem uma interpretação, a saber:

– A Galp patrocina a selecção de futebol porque isso lhe interessa comercialmente.

– As deferências corporativas (neste caso, da Galp) para com determinados protagonistas (neste caso secretários de Estado que podem decidir a favor ou a desfavor dos interesses da Galp) visam o estabelecimento subliminar de simpatia pelos interesses corporativos de quem convida.

– É inaceitável, ao nível do senso comum, que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais receba presentes de uma empresa que tem um conflito imoral, de mais de 100 milhões de euros, com o Estado português, porque se recusou a pagar impostos sobre lucros obtidos com rendas excessivas, no momento em que os portugueses eram cilindrados com taxas extraordinárias e todas as grandes empresas pagaram o que a Galp não pagou.

– A partir de 2010, o Código Penal estabelece prisão até cinco anos ou multa até 600 dias para os funcionários ou titulares de cargos políticos que aceitem “vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida”. Mas, à boa maneira do nosso legislador tipo, o artigo que assim dispõe foi convenientemente aparelhado com uma porta generosa, por onde cabem todas as interpretações politicamente adequadas à trupe e que assim reza: “Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes”. São os decantados “usos e costumes” (que bem conhecemos), contemplados nesta excepção, que Rocha Andrade se aprestou a invocar. Ou não fora ele, para além de cobrador de impostos, escriba atento de prudentes códigos (foi co-autor do código ético para candidatos a deputados, que António Costa mandou elaborar antes das eleições que viria a “ganhar”, perdendo).

– Rocha Andrade, confrontado com as circunstâncias, abriu-nos a consciência em dois momentos eloquentes. Num primeiro acolheu-se à lei. Disse encarar “com naturalidade e dentro da adequação social” a aceitação da prebenda. Num segundo, zen, disse que ia devolver à Galp o que a Galp lhe deu. Obviamente, porque foi forçado a admitir o que começou por negar: o seu erro. Mas não ficaria por aqui a desgraça.

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As viagens da Galp e o estranho caso do deputado do PSD

CN

Cristóvão Norte é deputado do PSD e ocupa vários cargos de direcção na estrutura do partido. Tal como os secretários de Estado de quem o seu partido pediu a cabeça, Cristóvão Norte também viajou para França a convite da Galp para assistir ao Portugal-Hungria. A diferença é que, ao contrário dos infames socialistas, o deputado do PSD alega ter sido convidado por um amigo, que por acaso até trabalha na Galp, pelo que aceitou um convite pessoal “e não de natureza institucional”, podemos ler no insuspeito Observador. Terá sido o amigo a pagar as despesas? Claro que não. Tal como com Rocha Andrade e seus camaradas, as despesas ficaram a cargo da petrolífera. Cristóvão Norte ainda tentou dar a volta á coisa, referindo que aceitou o convite por ser fruto de “uma relação de amizade que tem a ver com aquela pessoa e não com a empresa onde trabalha”. Está encontrada a melhor explicação de sempre para justificar presentes oferecidos pelo sector privado aos nossos políticos. Daqui para a frente será sempre um amigo a convidar. Quem paga a factura é irrelevante. [Read more…]

Rua! Governantes sérios não aceitam presentes de empresas privadas

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No meio de toda esta polémica das viagens pagas pela Galp, tenho apreciado bastante o moral de ferro dos dirigentes do CDS-PP que vieram a público comentar o caso. Até porque esta novela começou com o actual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais envolvido em situações duvidosas, o que demonstra uma rara linha de continuidade numa pasta que mudou de partido. Uns aceitam viagens em condições suspeitas. Outros andam a brincar às listas VIP e aos vistos Gold. Adiante. [Read more…]

Mais códigos de ética e menos caras de pau

PD

via Leituras

Da Ética Republicana à medida

Na SIC Notícias, ontem, um vice-director do jornal Expresso deu lições de ética republicana em contexto de exercício de funções públicas e viagens ao Europeu de Futebol. A jornalista que moderava o debate não parecia preparada para lhe perguntar o que é feito dos Panamá Papers. Até porque o assunto da conversa não era esse.
E não perguntou.

Das viagens

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Entre levar do gabinete para casa uma caixa de clipes e aproveitar a posição de primeiro ministro de Portugal para promover a invasão do Iraque, obtendo em troca o lugar de presidente da Comissão Europeia, vai toda uma longa escala de prevaricação e erro deontológico, ao longo da qual se vão também encontrar deputadas que passaram a trabalhar em regime de acumulação para empresas estrangeiras do ramo financeiro, cujo lucro advém do prejuízo de Portugal, com as quais, enquanto governantes, mantiveram relação próxima.
A lei, a ser aplicada com absoluto rigor, castiga quem leva os clipes e não toma conhecimento da ignóbil promoção à Goldman Sachs. O bom senso distinguirá o resto.

A desobediência que se impõe

Pois é Carla, parece que não é só no preço da electricidade que Portugal lidera o ranking. Aparentemente, também somos líderes no que diz respeito ao preço da gasolina, ultrapassados apenas pela Grécia, Itália e 4 outros pobres países.

Tal como a EDP, a GALP também não se depara com dificuldades financeiras e também distribui dividendos milionários aos seus accionistas, à custa de um preço asfixiante que é cobrado aos portugueses através da imposição de um dos cartéis mais poderosos e protegidos do país.

Como disseste, e bem, “Quando a lei é injusta, a desobediência impõe-se”. Até quando estaremos dispostos a ser submissos? Será que algum dia seremos capazes do nos insurgir verdadeiramente contra a elite que nos comanda? A desobediência impõe-se mas insiste em não sair do armário.

Galp, abuso de confiança e incompetência

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Abastecermos a viatura na GALP, além de ser um sinónimo de preços mais altos, também significa perdermos o nosso precioso tempinho e a correspondente paciência. Seja em que bomba for, Amoreiras,  Oeiras Parque ou qualquer outra, o procedimento é sempre o mesmo: a muito natural bicha de espera para pagarmos ao operador(a) e num sorriso, a expectável explicação:

O senhor vá abastecer a viatura e depois volte para “levar a factura” (ou recibo?)…

Ainda não percebi se tal estupidez se deve a uma inglória tentativa de desencorajar os clientes, evitando-se aquelas maçadas contabilísticas de comprovativos de compra, números de contribuinte, impostos a pagar, etc. A quem vivalma não escapa, é ao sacramental dever de ir, vir e voltar à dita bicha – que por vezes é mesmo uma bichona a perder de vista -, num daqueles processos burrocráticos que nos fazem lembrar a extinta RDA. Aliás, a GALP é mesmo a única gasolineira que em todo o Portugaliae – desta vez reduzido do Minho ao Algarbiorum – nos obriga a estes fretes. A única.

Por aquilo que o meu pai dizia, nos tempos da Sonap Moçambique as coisas funcionavam  melhor, papelinhos entregues in loco e no momento. E o preço era outro, claro.

Oásis Lixados

Objectivamente, estamos cada vez mais pobres, nós, cidadãos desempregados ou chulados e lixados de pura exploração. Nós, que não somos assessores governamentais. Nós, que não temos vinte e quatro anos de idade, portanto uma ‘enorme’ experiência, que justifiquem vencimentos mensais brutos a roçar os 5069,34 euros, no Ministério da Economia. Mas, vá lá, no meio deste fosso, há algumas empresas públicas, e mesmo a Galp do Amorim, que estão a comportar-se maravilhosamente, com resultados operacionais positivos, fazendo justiça ao princípio exigido externamente [Troyka] e pelo Governo de que tais empresas têm de ser equilibradas. Claro que estas boas notícias não vão salvar-nos da cruz dívida, madeiro a que a política, essa rameira [amiguista, dos tachos, das cunhas, dos jeitinhos, dos favores], nos pregou por muito e bom tempo, como no-lo recorda Pedro Santos Guerreiro«Os casos de resultados operacionais positivos têm sido aqui amiúde destacados, como o da Carris e o dos STCP. O problema é a dívida. Porque foi com dívida que, ano após ano, se tapou o desequilíbrio operacional e o fluxo de investimento, muitas vezes desnecessário ou ruinoso na sua execução, com derrapagens intoleráveis, mas toleradas. A dívida “em armazém” é gigante e é um problema do Estado. A dívida alegremente contraída será tristemente paga por nós.»

Carta Aberta ao Fóssil Arménio

Meu caro Arménio Fóssil Carlos, o meu caro não pense que este que lhe escreve está incondicionalmente do lado das políticas de direita deste Governo como muito menos esteve aquando do desgoverno UltraDireita patrulheiro-trauliteiro socialista. Não. O que nos separa é o facto de eu pensar pela minha cabeça e o camarada Fóssil pela do Comité Central Ortodoxo milenarista. Mas, nesta carta aberta, a minha mensagem é muito simples e resume-se nisto: ainda está a tempo de desconvocar a peregrina Paralisia PseudoGeral de Quinta-feira. [Read more…]

Repita lá: nove por cento?!

Com o trombetismo arauteiro do costume, informaram-nos acerca de um “chorudo negócio” que Portugal assinou com espanhóis e alemães, os eternos “caçadores de proximidade”. Explorar-se-ão jazidas de gás na costa algarvia e a dita prospecção custará aos estrangeiros, a “astronómica soma” de 30.000.000 de Euros. Enfim, uma quantia tão colossal que apenas se aproxima do montante regularmente pago quando da renovação da frota automóvel do Estado.

Poderão certeiramente argumentar de que nada percebemos destes assuntos e terão toda a razão do seu lado, exceptuando na questão do número em si: 9% (nove por cento)? Digam-nos uma vez mais, queremos entender.

Seria interessante explicarem-nos o porquê da ausência da GALP num assunto que devia ser monopólio nacional. Mesmo que a tal “Europa” não goste, existem sempre maneiras para se “fazer de conta” e gerirmos melhor os nossos interesses. Neste caso e como um certo senhor dizia, “em política, o que parece, é“. E é mesmo, isto tresanda a colonialismo do mais descarado, coisa que por cá já não se via deste os tempos em que o último vizir foi chutado para além do Estreito de Gibraltar.

Que pena não termos um Xá… Este também assinaria o contrato e aguardando na gaveta, lá estaria o futuro decreto de nacionalização. Parece-vos que os ingleses e os noruegueses nos imitariam, concedendo  prospecções quase grátis no Mar do Norte?

O fim das Golden Share

Alguns partidos (PCP e BE) hoje fizeram saber que acham mal o Estado ter acabado com as Golden Share que detinha em algumas empresas. O argumento é que o Estado perde peso na economia. Pressupõe-se então que o oposto, isto é, a presença do Estado nas empresas, tem sido benéfico para a economia e para essas empresas em particular. Vejamos então algumas marcas desse sucesso:

  • CP: recorrente fecho de linhas; prejuízos enormes; péssimos horários, péssimo serviço (demorado, caro e desconfortável) e péssima gestão.
  • Grupo RTP: enorme buraco financeiro, programação da RTP1 abaixo do sofrível, instrumentalização da informação.
  • Grupo EMPORDEF: Estaleiros de Viana do Castelo falidos há muito (apesar das encomendas); Empresas da defesa em pré-falência (apesar de exportarem a maioria da produção).
  • CTT: sem administração há meses; dá lucro mesmo assim.
  • EDP: electricidade caríssima; défice tarifário; imposição à EDP de compra da electricidade produzida em micro-geração a preços superiores aos praticados na venda ao público.

A presença do Estado nas empresas tem sido o maior empecilho ao seu desenvolvimento. Incapacidade de decisão em tempo útil; decisões políticas (e sobretudo a pensar nos votos) em vez de decisões de estratégia económica; instabilidade na gestão (nomeações pela confiança política, em vez de pela competência; mudança de gestão a cada novo governo).

Digam-me, qual é a empresa que saiu mais forte devido à gestão estatal? Acordem, pá.

Cuidado: não recomendado a pessoas sensíveis

Notícia pornográfica, daí a bola vermelha, não recomendada a pessoas sensíveis. Se se impressionar com facilidade não leia. Não digam que não avisei.

As empresas privadas que mantêm o Estado !

Vejam lá se já ouviram falar das empresas portuguesas que inovam, produzem, não vivem à conta do estado, concorrem a nível mundial em mercados muitíssimo concorrenciais, mas não têm boys nem girls a ganharem “balúrdios”!

Já viram ou ouviram algum político preocupado com estas empresas? No máximo, vão lá para tirarem a foto e a entrevista para a TV. E, claro, não se esquecem delas para pagarem impostos. Aí vão:

Alert, Nfive, Critical Software, Têxtil Manuel Gonçaves, Lameirinho, Simoldes, Ibermoldes, Efacec, Fepsa, Stab Vida, Primavera, Bial, Grupo Pestana, Vila Galé, Janz, BA vidro, Ydreams, Logoplaste, Fresite, Renova, Nelo Kayaks, Frulacts, Alfama, Altitude Software, Out Sistems, WeDo, Brisa Space services, Activspace, Tecnologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Hovione, Porto editora, Luis Simões, Martifer, Novabase, Delta, Revigrés, Douro Azul, Cabelte, Queijo Saloio e outras há…

Mas como se nota, não constam as PT, a Galp, a EDP, os Bancos, a Motta-Engil. a Teixeira Duarte… as tais que precisam dos TVGs, das pontes, das autoestradas, que o Estado lhes oferece continuamente e que nós pagamos…

Se fosse precisa uma explicação para sermos o pais mais pobre e mais desigual da UE, está aí, para quem quer ver. E o curioso é que não há partido nenhum que coloque estas empresas na primeira fila das suas preocupações.

As importantes, sugam a riqueza às que criam valor e é melhor estar próximo da “caixa forte” onde está a massa do que no terreno a ter dores de cabeça…

Ah, e já agora, são todas de iniciativa privada, a mal amada!

Valor estratégico – a EDP a Galp e a PT

Enquanto se anuncia a privatização do resto da Galp e da EDP, Sócrates e a fina flor juram a pés juntos que não venderão a PT! Porquê? Valor nacional estratégico!

É preciso compreender os grandes interesses nacionais, o verdadeiro objectivo nacional, seguir a célebre frase da política e da gestão: ” ter a coragem de mudar o que tem que ser mudado, ter paciência para deixar estar o que não pode ser mudado e ter a inteligêngia para saber escolher”!

Privatizar a Galp e a EDP e defender com unhas e dentes a PT é, à luz  daquele principio, uma prova de coragem, de paciência e de inteligência. Se os combustíveis faltarem não há problema nenhum, as refinarias existentes em Portugal são da Galp por isso, basta importar de Espanha .O mesmo se diga da EDP, a electicidade não tem qualquer significado, nenhum interesse estratégico, se faltar basta importar de Espanha. Isto, naturalmente, se a Espanha tiver em excesso e, em caso de zaragata, mesmo diplomática, estiver interessada em nos fornecer. Porque não há outro fornecedor!

Mas as chamadas, as telecomunicações, quem pode dizer o mesmo? No caso de um problema sério podemos nós contar com a Vodafone e com a Sonae? Sim, a Sonae que é a empresa que mais emprego oferece no país, que tem fábricas e centros comerciais, que não foge mesmo que quisesse? Aí sim, não teríamos saída nenhuma, sem telemóveis, sem escutas, sem os accionistas estrangeiros, sem fundos internacionais que ninguem conhece.

Estratégico? Perceberam agora a inteligência, a coragem e a paciência que são precisas para não ficar nas mãos de potenciais inimigos ou adversários mesmo que momentâneos? O país pára sem combustíveis?O país pára sem energia electrica? Pois bem, é por isso que podem ser privatizados!

O valor estratégico da PT está nos 46 milhões de clientes que tem na Vivo, está no seu enorme potencial de crescer e ganhar dinheiro para os accionistas. Dinheirinho! Nada mais do que dinheiro!

A Galp às bombas

A Galp abastece todos os postos de abastecimento porque é a única petrolífera que tem refinação. Já aumentou, este ano, em dez ocasiões o preço dos combustíveis e vai continuar a aumentar a não ser que os camionistas façam novo bloqueio. Para já ,temos aí uma greve de três dias dos trabalhadores  que querem aumentos salariais de 2.8% e a empresa só quer dar 1.5%.

Para além disso, exigem participação nos lucros, mas segundo o porta voz da empresa os últimos anos foram particularmente maus, o lucro foi de apenas 200 milhões e ficando abaixo dos 300 milhões não há participação. Estas exigências põem em causa a solidariedade devida para com o futuro da empresa, diz o engº da “pronúncia” esquisita, devida aos muitos anos de trabalho nos petróleos da Venezuela.

As razões da greve são “injustas e ímpossiveis de satisfazer” refere o Presidente, e afirma “que os trabalhadores nos dois últimos anos tiveram ganhos reais de poder de compra”. Acresce que a greve vai ter consequências nefastas no andamento dos investimentos em curso nas refinarias e às paragens técnicas, a que os representantes dos trabalhadores respondem com um “insulto ao conhecimento e inteligência” dos trabalhadores.

É melhor testar o depósito, o presidente da empresa já ameaçou “ir às bombas” isto é, encerrá-las! Quanto ao pagarmos a um preço elevadíssimo os combustíveis, é preciso ter em conta “que antes do imposto somos muito competitivos…”

É um alívio para quem compra!

As empresas que não fazem sentido *

*Sábado , Gonçalo Bordalo Pinheiro

Qual é o sentido de o Estado ser o principal accionista da EDP, decidir um aumento de electicidade cinco vezes superior à inflação, muito acima da média da UE, e pagar o maior ordenado a um CEO em Portugal? E ter lucros de milhões?

Qual é o sentido da Galp praticar preços mais elevados do que a concorrência privada? Qual é o sentido de pagarmos o segundo gasóleo mais caro da UE e sermos o quarto com a gasolina mais cara?

Qual é o sentido de pagarmos a electricidade 2,2 vezes mais cara do que o resto da UE quando o nosso poder de compra é inferior 31%?

Qual é o sentido de o Estado patrocinar empresas que promovem a maior desigualdade social entre funcionários e gestores?

Qual é o sentido de o Estado ter empresas participadas que pagam acima do mercado, cobram acima do mercado e se comportam acima do mercado?

Qual é o sentido de o Estado ser um mau exemplo de gestão e um péssimo caso de justiça?

PS: É isto que se discute quando se fala de empresas públicas ou para-públicas, ou participadas. É mais sério privatizar tudo e não andarem a tomarem-nos por lorpas! Nestas condições qualquer pateta é capaz de dirigir uma empresa! Mexia ,ganha mais que os CEOs da Microsoft, da Goldman Sachs ou do Citigroup, gigantes internacionais que operam em mercados concorrênciais. Então porque ganha tanto ? Porque os accionistas, em lado nenhum da Terra, têm taxas de lucro tão elevadas como nas empresas públicas. E nós pagamos tudo! As razões dessas taxas de rentabilidade absurdas, algumas, estão aí em cima!

Face Oculta – 2 despedimentos

Dois quadros da Galp arguidos no processo “Face Oculta” já foram despedidos após inquérito interno da empresa anuncia o DN

As Prendas de Natal e Outras

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PRENDINHAS, QUEM AS NÃO QUER

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A operação, chama-se Face Oculta, mas já há muitas faces descobertas.

Sobre isso já escrevi aqui, e aqui.

Aquilo que muitos dos arguidos, ou alegadamente implicados, deram ou receberam, têm nomes diferentes, consoante quem os nomeia.

Para uns, os investigadores e o público em geral, o nome que têm é "luvas provenientes de corrupção".

Para outros, os que ofereceram ou os que receberam, são "prendas de Natal ou de outra altura qualquer".

Mas, dificilmente, automóveis e dinheiro, podem ser considerados presentes desse género.

A todos os níveis da nossa sociedade, se utiliza a prenda, ou a nota, ou a influência, para obter o que se pretende.

A corrupção, pequena ou grande, faz parte do nosso estilo de vida. Desde a notita dada à funcionária que nos põe dentro do consultório do sr dr uns minutos mais cedo, ao segurança que nos deixa entrar mesmo sem a devida credencial num qualquer sítio onde pretendemos ir, ou ao sr graduado de uma qualquer força militarizada que mete uma cunha pelo nosso pirralho e por isso recebe à posteriori uma prendinha, em quase todas as circunstância da vida dos Portugueses encontramos situações destas.

Não seria portanto de admirar que nos altos negócios se proceda da mesma forma.

Mas, se nas pequenas coisas, é aceite pelo comum dos cidadãos, que se proceda assim, pois que quem o não faz fica sempre prejudicado, já nas grandes coisas esta postura não tem o aval de ninguém. Nestas, a lisura de procedimentos, até ao mais pequeno pormenor, é exigível.

O Português, como outros, aceita que a pequena corrupção se faça, até porque é ele quem a faz, mas exige que os que estão em situação de mandar, os que têm poder, o não façam, até porque não precisam, e só corrompe quem necessita.

O grande problema desta situação, para além do facto em si mesmo, é que tem já muitas ramificações, que tocam altas figuras da nossa Nação. À Ren, Refer, EDP e Galp, juntam-se agora a CP, a Portucel, a Lisnave, os CTT, a EMEF, os Portos de Setubal, Sines a a Capitania de Aveiro, a ENVC, a IDD, a Empordef, a Carris e as Estradas de Portugal. Muitas destas empresas estão já a fazer investigações internas. Mas são já demasiadas as empresas ligadas a este caso. É o País inteiro.

E só o mais pequeno dos actores deste caso, o que corrompeu (alegadamente claro, que é preciso ter cuidado com o que se diz) os altos funcionários de quem se fala, está em prisão preventiva.

Daí o poder-se inferir que aos outros, nada de mais lhes acontecerá. O sr Vara, ainda está e continuará a estar na Vice Presidência do BCP. O sr Penedos continua na presidência da Ren. E outros continuam onde sempre estiveram.

Daqui a muitos anos, como em outras situações que estão a correr na nossa justiça, ainda estaremos na situação de hoje. As investigações vão ser demoradas e a nossa justiça irá ser ainda mais lenta que de costume. Há demasiada gente muito importante envolvida.

Esta forma suja e abjecta de se viver, não pode deixar de criar nojo a quem olha para ela.

Ninguém pode confiar em ninguém. A corrupção grassa por todo o lado. Quem tem poder, e é pouco sério, faz o que muito bem entende e enriquece quase da noite para o dia. Quem não tem esse poder, ou se for uma pessoa séria, nem trabalhando muito, chega a algum lado apetecível economicamente. Quem não for de modo algum, uma pessoa séria, como muitos que por aí andam, depressa chega a ter poder. Seja em que nível for.

E o poder em Portugal, pelo que se ouve nas ruas e nos cafés, está associado à burla e à corrupção.

Vivemos num País de vigaristas e de vigarices. E, desde à alguns anos a esta parte, a principal ideia que transmitimos aos nossos filhos, é a de que devem ser "espertos" para poderem ter poder e ser ricos, não interessando o que se faça, desde que surta efeito.

O que em alguns momentos me apetece, é sair daqui, fugir, imigrar para um qualquer lugar, longe de tudo e de todos. Ou então viver no meio do monte, sem acesso a seja o que for. Mas não sendo de baixar os braços, vou, à minha escala, continuar a lutar contra a corrupção em Portugal.

Conforme está, é uma tristeza, o País em que vivemos.

 

 

(In, O Primeiro de Janeiro, 5-11-2009)