Ursula K. Le Guin (1929-2018)

Todos temos, penso, escritores pelos quais, independentemente de considerações críticas, sentimos uma especial empatia, mesmo ternura. Às vezes, nem sabemos bem porquê. Para mim, uma destas figuras é Ursula K. Le Guin, em cuja fantasia me iniciei há muitos anos. Morreu ontem. Honro-a sugerindo, a quem não conhece, a descoberta das suas obras. Talvez começando por viajar no mundo mágico de Terramar.

O asteróide Portugal

Morreu, ao início desta semana, o autor de Fahrenheit 451, Ray Bradbury.

O número 451 é a temperatura a que o papel arde (em graus Fahrenheit). Interessante. O que a gente aprende.

Bradbury declarou que Fahrenheit 451 não trata de censura, mas de como a televisão destrói o interesse pela leitura. Sendo uma obra de ficção científica, apresenta um mundo onde os livros são banidos.  

Mas, no nosso mundo, no Irão, Garcia Marquez ou Platão são livros censurados – isto não é ficção científica. As autoridades iranianas consideram-nos como drogas.  

Bradbury conta que “todo o romance foi escrito nos porões da biblioteca Powell, na Universidade da Califórnia, numa máquina de escrever alugada”. B. quis, com este romance, mostrar o seu grande amor pelos livros e bibliotecas.

Há 20 anos, a comunidade científica prestou uma homenagem ao escritor,  “baptizando um asteróide com o nome 9766 Bradbury“, algo que o sensibilizou ainda mais que todos os prémios literários recebidos ao longo da sua vida.

Parece que já foram catalogados mais de 500 mil asteróides, mas existem ainda milhares deles por descobrir… Quem sabe um deles terá um nome português. Ou será que já existe??

Vou ver: Eureka! Existe  o asteróide 3933 Portugal!

P.s: inicialmente batizei este post como «o asteróide Bradbury» mas, depois desta descoberta, não resisti a chamar-lhe «o asteróide Portugal». Há muito que anseio que Portugal seja comparado a uma estrela… E não digo mais nada.

A vida como acto solidário: Ray Bradbury ~1920-2012

Obrigado Ray Bradbury, hoje de regresso às estrelas porque sempre te li no lugar onde os velhos se juntavam.

Agora que os livros já não podem arder, feito o funeral do papel que ardia mal mas se queimava, a quantos graus vão fazer a combustão das ideias? a 451 terabytes?

Ficção científica, o caralho.

O Filme da Minha Vida

Ora vamos lá ver quais são os “Filme da Minha Vida” de cada um dos nossos leitores e dos restantes aventadores. A culpa é do Luís Moreira. Eu dou o tiro de partida:

Shine – Simplesmente Genial” é o filme da minha vida. Uma interpretação inolvidável de Geoffrey Rush roçando a perfeição e que lhe garantiu o Óscar para melhor actor em 1996.

Shine – Simplesmente Genial conta-nos a história de um pianista fora do comum com uma personalidade fora do mundo e dominado por um pai que queria ver o filho a realizar os seus sonhos frustrados, dominando-o de uma forma doentia – lembrando aqueles papás que inscrevem os meninos para estes realizarem as suas obsessões artísticas goradas. A personagem, interpretada por Geoffrey Rush, é simplesmente genial mas inadaptada ao real levando-o ao colapso e a um internamento num hospício.

A sensibilidade de David e a sua genialidade marcam este filme realizado por Scott Hicks em 1996, na Austrália e vencedor de inúmeros prémios, entre os quais se destacam um Óscar e respectivas sete nomeações.

Passados todos estes anos e com tantos filmes visionados, este Shine continua a estar no topo dos meus filmes e, por isso mesmo, continuar a considerá-lo como “O Filme da Minha Vida”.

(Outros: Ondas de Paixão de Lars Von Trier; O Fabuloso Destino de Amélie de Jean Pierre Jeunet; O Pianista de Roman Polanski; Os Padrinhos todos; Dune de David Lynch; Todos os da série Guerra das Estrelas; As Pontes de Madison County e As Cartas de Iwo Jima ambos de Clint Eastwood; The Doors de Oliver Stone; Control de Anton Corbijn; Lost In Translation e Virgin Suicides ambos de Sofia Coppola; entre tantos outros que neste momento não me lembro, sobretudo de ficção científica de que sou consumidor compulsivo).

A máquina do tempo: Civitas solis – os conceitos de utopia e distopia na literatura

A literatura de ficção científica, como a policial, é por muitos considerada um género menor. No que se refere à policial, bastavam, entre outras, as obras de Conan Doyle, Dashiel Hammett, Raymond Chandler, Agatha Christie ou, mais próximo de nós, Manuel Vázquez Montalbán, para desmentir esse preconceito absurdo. Quanto à literatura de ficção científica, autores como H.G.Wells, George Orwell, Karel Capek, Ray Bradbury e Ursula K. le Guin, entre muitas dezenas de outros, tornam disparatada essa qualificação.

Na minha opinião, não existem géneros menores. Existem, sim, escritores menores. E, menores ou maiores, é a posteridade quem os classifica. Recordemos o exemplo de Fernando Pessoa que, para o público do seu tempo, quase nem existia, ofuscado por nomes como o de Júlio Dantas. Indo mais atrás, Camões, superado em fama e em tenças por Pêro Andrade de Caminha, o chamado poeta do Minho. Hoje, Camões e Pessoa são os dois ícones maiores da literatura e da cultura portuguesas. Pêro Andrade de Caminha e Júlio Dantas, são desconhecidos do grande público – nomes e obras para o trabalho necrófago dos coca-bichinhos. [Read more…]