A geração rasca e o 25 de Abril

Da geração rasca, como de todas as gerações, na evolução do tempo, sobejam os resquícios. Tal geração foi-se diluindo socialmente e volatizando-se através de comportamentos de cidadania múltiplos e distintos.  Passados os  anos de ‘charros’, gritos e euforias nos concertos de Abrunhosa, parte substantiva desmobilizou, carregada de desencantos e frustrações ou motivada por projectos de vida individual.

No entanto, na espuma do tempo, permanecem sempre redutos remanescentes cristalizados à volta de diferentes polos ideológicos. Subsiste, por exemplo, uma parcela, imberbe ou mesmo sem existência à data de 25 de Abril de 1974, do tempo que verdadeiramente não teve consciência de viver, que assimilou e propagou no futuro as ideias conservadoras de progenitores e educadores, normalmente adeptos do Estado Novo. Uns viviam em África, sob a protecção de jovens da minha geração, idos daqui – “África é aqui”, era a palavra de ordem da soberba que exibiam nas visitas à metrópole, nesse tempo.

[Read more…]

Entre o ser e o estar

Em 1994, Vicente Jorge Silva baptizou os estudantes universitários de então de “geração rasca”. Aconteceu num editorial do Público, em plena luta estudantil contra a Ministra da Educação Manuela Ferreira Leite, por causa das propinas.
Ironia do destino, a classificação da autoria do então director do jornal Público, serve agora, com a devida correcção, para avaliar o que se fez a este país e às novas gerações.
Tanto quanto se sabe, a geração que estudava em 1994 não dominou os partidos políticos, os órgãos do poder, a banca ou que fosse. Não foi ela a responsável pelo desgraçado ponto a que o país chegou.
A outrora geração rasca e as novas gerações, passaram a estar, sim, à rasca. E essa diferença entre ser e estar, resulta da constatação evidente que muita diferença há entre a presunção e a água benta. [Read more…]

Rasquíssima!

Uma actividade pouco católica: bater nos miseráveis, aqueles que nem um tecto de barraca têm como abrigo. Pois foi esta, uma das praxes dos caloiros da Universidade Católica de Braga. Por aquilo que o Expresso divulga, um grupo composto por três dezenas de hooligans, foi espancar os sem-abrigo que dormiam nos claustros da Rua do Castelo, bem no centro da cidade dos Primazes.

Estavam eufóricos, estes estudantes. Imagina-se porquê e como. Realmente e em primeiro desabafo, dá vontade de dizer que o pelourinho de Braga sempre podia servir para alguma coisa.

 

Modess aderente…


Tudo bem à portuguesa. Depois de Louçã, Jerónimo e Cavaco, já há mais “modésses aderentes” à manifestação do actual sistema/regime. A JSD acaba de “aderir” e para cúmulo, os deputados das “juventudes partidárias” – menos os PS’s – também.

Como se vê, o regime em peso manifesta-se contra si próprio! É o cúmulo da ignomínia.

Hoje no Correio da Manhã:

País à Rasca

Esta semana vão sair á rua manifestações da ‘Geração à Rasca’, uma designação que deriva de um título do jornal Público, publicado há mais ou menos uma década, ‘Geração Rasca’. Essa geração terá hoje trinta e cinco, quarenta anos, está hoje no poder. No poder que dirige as escolas, as empresas,autarquias, tribunais,está significativamente representada na Assembleia da República, no Governo.

O título então publicado foi, no meu entender, mais uma provocação para discutir problemas sérios da juventude do que uma tentativa de ofensa. E na verdade, pese os ofendidos beatos do costume, valeu uma discussão rija e séria sobre os destinos da escola e do país. Agora chega-nos a ‘Geração à Rasca’ que se manifesta pedindo a demissão de toda a ‘classe política’. Toda! Jerónimo de Sousa já informou que o seu partido vai integrar a manifestação, pois o PCP, na sua indumentária CDU, considera-se fora da classe política e adora ser o Pôncio Pilatos, que lava as mãos, em todas as crises. A verdade é que a sua força destrutiva, voraz na defesa de privilégios, defensor maior da preguiça e da inutilidade daqueles que em nome dos trabalhadores os vão iludindo com cânticos às injustiças dos outros é um dos principais responsáveis por esta ‘geração que está à rasca’ e por este ‘Pais á rasca’. É fácil, hipócrita, e de um cinismo enervante, vê-los, tal como o ver o Bloco apostar tudo na crítica ao governo e aos partidos que foram governo. Quantos milhões não custam ao país, e a milhares de famílias, a alegre sucessão de greves nos transportes falidos que esta gente tem provocado? Mas acham que não. [Read more…]