Há um ano, voltou a fazer-se História na Praça da Batalha


Completa-se hoje um ano sobre o histórico 12 de Março da Geração à Rasca.
No Porto, se bem se lembram, o 12 de Março foi celebrado na Praça da Batalha, palco histórico de outras lutas e outros protagonistas. Ali, há 121 anos, no dia 31 de Janeiro de 1891, os revoltosos republicanos tentaram ocupar os Correios e o Telégrafo, que ali se encontravam, para informar o país da vitória da República. Barrados na actual rua 31 de Janeiro pelas tropas fiéis ao rei, foram dizimados. 120 anos depois, voltou a fazer-se história na Praça da Batalha.
Um ano depois, o que ficou dessa luta? Infelizmente, prefiro não responder.

Entre o ser e o estar

Em 1994, Vicente Jorge Silva baptizou os estudantes universitários de então de “geração rasca”. Aconteceu num editorial do Público, em plena luta estudantil contra a Ministra da Educação Manuela Ferreira Leite, por causa das propinas.
Ironia do destino, a classificação da autoria do então director do jornal Público, serve agora, com a devida correcção, para avaliar o que se fez a este país e às novas gerações.
Tanto quanto se sabe, a geração que estudava em 1994 não dominou os partidos políticos, os órgãos do poder, a banca ou que fosse. Não foi ela a responsável pelo desgraçado ponto a que o país chegou.
A outrora geração rasca e as novas gerações, passaram a estar, sim, à rasca. E essa diferença entre ser e estar, resulta da constatação evidente que muita diferença há entre a presunção e a água benta. [Read more…]

Não Sabem O Que São Sacrifícios

Desde há trinta e cinco anos que a abundância chegou às nossas casas. Só quem viveu durante anos nos anos anteriores a 1974, pode saber do que estou a falar.
Os ordenados eram baixos, as ferramentas existentes para enfrentar a vida eram escassas, o espírito de sacrifício geral era enorme.
Quem tivesse tido a sorte e o engenho (porque só os melhores de entre os que tinham tido essa hipótese o conseguiam) de chegar a ter um curso superior, atingindo o patamar de ‘licenciado’, sabia que esse era o momento imediatamente anterior ao patamar de ‘estar empregado’. Nos dias de hoje, os dias em que existe uma overdose de qualificações, nos dias em que todos são doutores, essa relação já não existe. Banalizou-se o facto de se ser licenciado, havendo quem possua uma licenciatura mas não tenha as qualificações certas ou mais adequadas ao que o mercado necessita. Há cursos superiores para tudo e mais alguma coisa, mas não há mercado de trabalho correspondente. [Read more…]

De Civismo Anémico a Civismo Vitaminado! Não nos dêem é o xarope da demagogia envenenada, muito receitada pelo jornalismo afecto à Direita.

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Audio: Declarações de Augusto Santos Silva Sobre a Manifestação de 12 de Março – ou o Protesto da geração à Rasca.

F-Se! No Meu Post Pré-Manifestação, eu dava o meu Contributo “Falem com o Augusto Santos Silva”. Reforço: tendo sido ele o “Porta-Voz” do Governo, assim o parece, é! Falem mesmo com o Augusto Santos Silva. Um Político que já deu Provas de ser capaz de mudança de realidades Amargas, cujo resultado – sem o ser ideal – pelo menos, foi o mais ajustado às circunstâncias. Y tinha sido tão fácil apresentar algo um pouco melhor. Aconteceu que Oposição Y Sindicatos apresentaram alternativas que tornariam a realidade ainda mais injusta y grosseira: por ignorância, desleixo, incompetência Y, acima de tudo, com isso só deixaram patente um enorme desrespeito pela vida alheia. A vida dia-a-dia, não a vida teórica do “se cá neva-se fazia-se cá sky”.  O Augusto Santos Silva tem Vantagem: é um técnico pragmático.

F-Se2! Aqui a Sugestão ao Augusto Santos Silva não é Demagogia Envenenada, a lá Jornalista de Direita a apregoar o Salvar da Pátria pela mudança de Governo – essa Derrocada Nacional. Em que, tal qual Arca de Noé, só se Salvariam um par de poucas coisas: o Apogeu da Indústria emergente da Caridade Y Privatização do Direito à Saúde. É, a sugestão do Mal-Amado Augusto Santos Silva é mesmo fruto de Saber Empírico. [Read more…]

O País à rasca saiu à rua em Lisboa

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Impressionante! Há anos, muitos anos, que não assistia a uma manifestação em Lisboa desta envergadura – pelo menos 150.000 pessoas compareceram, embora a PSP, dos “secos e molhados”, corrija em baixa (linguagem bolsista) o número de participantes. No Porto, a mesma PSP adianta a cifra de 50.000 participantes; as notícias e imagens, porém, evidenciam a comparência de mais umas dezenas de milhar. Coimbra, Faro e outras cidades, à sua escala, contribuíram também. De realçar que a imprensa internacional, de Espanha ao Brasil, destacam a maciça participação popular.

O País à rasca saiu à rua. Estiveram presentes várias gerações. Os jovens, natural e saudavelmente, em número superior. Mas, o perfil intergeracional do movimento ‘Geração à Rasca’,  de avós, pais, filhos e netos,  a clamar por justiça social, incluiu igualmente um grito de revolta e de inconformismo contra os políticos do poder.  Os actuais e os futuros, embora seja demasiado claro que, por perda de soberania, as medidas de política social, económica e financeira  sejam deliberadas por Berlim – Bruxelas é mera caixa de ressonância, ou nem tanto.

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Manifestação da Geração à Rasca, à rasca com o dia seguinte

É uma das perguntas sacramentais deste tipo de eventos. A festa foi bonita, houve muito povo, enrrascados ou com eles solidários, se bem que enrrascados estamos todos, muitos protestos, afinal este foi o dia em que o povo saiu à rua para mostrar que tem poder.

Vai longa a frase mas não lhe percam o sentido. Não é da manifestação que quero falar. É do dia seguinte. É de amanhã, de depois de amanhã, na próxima semana, no próximo mês, no próximo ano.

Hoje é a euforia. O nosso clube ganhou. A malta esteve em grande e foi para a rua, mobilizou-se, saiu de casa contra a resignação. Estiveram todos unidos pela mesma causa. Mas e amanhã, pá (este pá foi pedido emprestado aos Homens da Luta)? Como vai ser depois da resaca?

“Ah e tal que o manifesto é fraquinho…” ouvi dizer ao longo dos dias. “Pois, são mais uns que falam, falam, mas não fazem nada”, argumentaram outros.

É verdade que o manifesto era fraquinho. De tanto querer enfiar todos no mesmo saco, era um conjunto de banalidades em que todos, literalmente todos, nos poderiamos rever. Era uma espécie de Ruca misturado com Nody e umas pinceladas de Calvin, embora sem os meninos mal comportados de South Park e muito menos um American Dad.

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A Manifestação de todos

Eu fui à manifestação. Fui com a minha mulher e a minha filha. Fomos.

 

Os motivos que a ela nos levaram eram diferentes daqueles que motivaram os meus vizinhos a marcar, igualmente, presença. Nos Aliados encontrei muitas caras com quem me cruzo ao longo dos anos. Na rua, no futebol, na política, no jornalismo, nas lojas, na farmácia, no supermercado ou no restaurante.

 

Ao meu lado um grupo protestava contra os recibos verdes. Eu prefiro protestar conta o esbulho fiscal nos recibos verdes. Outros preferem protestar contra o facto de recibos, sejam eles verdes ou azuis, nem vê-los.

 

Junto ao antigo Império protestam contra toda a classe política. Eu prefiro protestar contra este Governo, o que não é bem a mesma coisa. Mas anda lá perto. Vi mães a protestar contra a falta de emprego para os filhos e netos. Eu protesto, sim, mas pela criação de trabalho, de mais investimento privado sem subsídios/dependências do Estado.

 

Muitos protestavam contra as políticas do governo e eu sigo-os aproveitando para protestar contra as políticas do facilitismo e do curto prazo. Outros, num canto mais distante, protestam contra tudo e todos.

 

Cada um dos manifestantes esteve nos Aliados e na Batalha por motivos bem diferentes e essa diversidade foi patente a quem perdeu algum tempo a observar a multidão. Na(s) praça(s) estiveram os saudosos de Lenine de braço dado com os desejosos de um novo Salazar assim como estiveram, em maioria, aqueles que querem algo tão simples: um Portugal bem diferente.

 

O espantoso deste movimento verdadeiramente espontâneo é essa diversidade que uniu, numa tarde mal disposta e ameaçadoramente chuvosa, gente da direita à esquerda passando por independentes e por aqueles que sabem lá o que é a Social-democracia, o Socialismo, o Comunismo, a Democracia Cristão, o Liberalismo ou o Conservadorismo.

 

Apenas uma coisa nos uniu a todos: um forte sentimento de BASTA deste governo. Foi esse o único cimento agregador de todos estes milhares de portugueses e portuguesas que se juntaram na Batalha e nos Aliados. Uma vontade avassaladora de ver Sócrates e os seus ministros pelas costas, rapidamente e em força.

 

Eu estive na manifestação. Mesmo concordando com boa parte do que Joel Neto escreveu hoje na Notícias Magazine assim como subscrevendo muito do que escreveu, na mesma revista, o Carlos Abreu Amorim. Independentemente daquilo que separava os milhares que marcaram presença, a ausência seria a demissão daqueles que afirmam desejar um Portugal diferente. Isso bastou para rumar ao centro da minha cidade.

 

É tempo de dizer BASTA.

Modess aderente…


Tudo bem à portuguesa. Depois de Louçã, Jerónimo e Cavaco, já há mais “modésses aderentes” à manifestação do actual sistema/regime. A JSD acaba de “aderir” e para cúmulo, os deputados das “juventudes partidárias” – menos os PS’s – também.

Como se vê, o regime em peso manifesta-se contra si próprio! É o cúmulo da ignomínia.

Tudo o que quer saber sobre as manifestações de 12 de março e não tem vergonha de perguntar

1. A manifestação é pela demissão de toda a classe política?

Não. Existe um manifesto, onde em parte alguma se fala de tal coisa. Leia-o.

2. Mas então quantas manifestações estão convocadas?

Várias, nas principais cidades portuguesas e mesmo junto a algumas das nossas embaixadas. Houve uma confusão com o grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, o qual já emitiu um comunicado, esclarecendo não estar “de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca. Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março”

3. E o mail que por aí circula com uma série de reivindicações?

Circula por iniciativa de quem o escreveu. Não foi subscrito pelos organizadores das manifestações.

4. Os partidos políticos foram convidados e vão participar?

Os promotores dirigiram uma Carta aberta a todos os Cidadãos, Associações, Movimentos Cívicos, Partidos, Organizações Não-Governamentais, Sindicatos, Grupos Artísticos, Recreativos e outras Colectividades, e irá quem quiser participar. No meio da confusão gerada, era o mínimo que poderiam fazer até para se demarcarem da ligação com a tal demissão de toda a classe política.

5. É verdade que a extrema-direita está envolvida na manifestação?

No facebook aparecerem convocatórias para várias manifestações, e concentrações, algumas claramente conotadas com a extrema-direita. Têm um apoio irrelevante.

6. A manifestação é para que idades? [Read more…]

Carnaval: Sócrates disfarçou-se de democrata

Cerca de doze elementos da Geração à Rasca interromperam um discurso de José Sócrates, em Viseu, e foram expulsos pela segurança. Compreende-se o risco: podiam exprimir opiniões contrárias à do orador, algo que seria legítimo num regime democrático.

O secretário-geral do PS, imbuído de espírito carnavalesco, conseguiu, no entanto, parecer um democrata, ao fingir aceitar com aparente abertura a intrusão dos jovens. A mordacidade demonstrada por Sócrates é perfeitamente aceitável, face a uma geração de milionários que parece que nunca estão satisfeitos com a verdadeira cornucópia que lhes tem sido proporcionado pela governação socialista.

O chefe do governo considerou a intervenção uma “belíssima partida de Carnaval”, confessando que é “assim que fazemos uns aos outros no Carnaval.” Na verdade, não fico admirado com o jeito que José Sócrates tem para brincar ao Carnaval: afinal, há seis anos que anda disfarçado de Primeiro-Ministro.