Cristiano Ronaldo e os desacatos em Torremolinos

De todos os escritos que li por estes dias, a propósito dos acontecimentos de Torremolinos, houve um texto que me marcou de forma muito particular. Publicado no jornal ECO, o artigo de Rui Calafate (RC) é simplesmente fabuloso. Partindo do óbvio – que o CR7 é o maior – RC regista, logo no primeiro parágrafo, que o capitão da selecção nunca foi a Torremolinos em viagem de finalistas. Daqui para a frente é toda uma injecção sobre as qualidades do craque, que nasceu e cresceu num meio desfavorecido, que lutou e trabalhou muito, mais do que a maioria, para chegar onde chegou, e que continua a superar-se todos os dias. Sim, Rui, já todos sabemos o que vale Cristiano, não é preciso tentar transformar o homem numa multinacional e uma multinacional num exemplo de ética e boas práticas. [Read more…]

Delírio em Torremolinos

Foi há 37 anos, em Abril de 1980, que no Parlamento português se falou sobre um grupo de centenas de estudantes, acompanhado por uma única professora (estagiária), que foram numa viagem de curso para Torremolinos. A então deputada do PS Teresa Ambrósio falava em quatro a seis jovens mortos em acidentes com motorizadas, duas jovens que se teriam suicidado, violência física, traumas psicológicos, acomodações vandalizadas, distúrbios nas ruas, roubos, em especial a supermercados, e esfaqueamentos em Algeciras.

Tudo isto para dizer que, houvesse por lá um smartphone, e o que estes jovens da classe de 2017 andaram por lá a fazer na semana passada seria reduzido a uma festa na garagem dos pais com 4 cervejas quentes a dividir por 30 e malta muito insana a cometer loucuras como praticar air guitar. E a diferença é mesmo essa. Não haver nenhum smartphone. Ou redes sociais para a miudagem se gabar do feito. Isso, os mortos, as facadas e os assaltos a supermercados (espero eu). É caso para dizer que já não se fazem rufias como antigamente. [Read more…]

3 compassos

Maria Helena Loureiro

Lucien Freud
#1 Ao longe, vejo as pombas. Depenicam com afinco uma mancha bordeaux, mesmo ao virar da esquina. Ao pé, verifico que são os restos do que muito provavelmente começou por ser chop suey (galinha? vaca? peixe?). Fecho os olhos e concentro-me em tudo o que há em mim de ‘anal repressiva’. Resulta.

#2 A esplanada do café ao fundo da rua que fica ao fundo da minha rua, habitualmente frequentada, a esta hora, pelas prostitutas minhas vizinhas a despegar ou a pegar está, hoje, cheia de peregrinos. Uns sentados nas mesas, outros deitados no passeio. Mais de metade com cachecóis do Benfica. Finalmente percebo o ano futebolístico.

#3 “… quero ser bem enrabado, quero ser muito bem fodido: sou filho de uma ganda puta e de um pai desconhecido” guincha um grupo de cachopos fardados de estudantes, delirantes de vinho e falta de sono.

Chego à paragem. De repente lembro-me de que é sexta-feira. Mais 8 horas e “escapo-me para a vida”…

Voleibol – vai começar a fase final

Está concluída a primeira fase do campeonato nacional de voleibol feminino.IMG_4636

Não houve, em termos de classificação, grandes surpresas – as equipas que se apresentaram como favoritas conseguiram, todas, o apuramento, natural para a fase final:

Ribeirenses (Açores), Leixões (Matosinhos),
o Gueifães e o Castêlo (ambas da Maia).

A  2ª fase disputa-se a duas voltas, com todos contra todos, mas sempre com jornadas duplas, um jogo ao sábado e outro “igual” ao domingo: na primeira ronda, este fim-de-semana, o Ribeirenses joga com o Gueifães e o Leixões recebe o Castêlo.

As duas primeiras passam para a final e em função do que se viu na primeira fase, aposto no Leixões e no Ribeirenses.

Democracia suspensa?

PSP usa gás pimenta para dispersar estudantes em Braga. (fonte)

Estuda o mínimo, goza o máximo

Faz o Curso na Maior é o livro de  Nuno Ferreira e Bruno Caldeira que será apresentado no próximo dia 13 em Lisboa.

Segundo o Público, é um livro que explica como se pode “estudar menos, mas melhor”. Avança uma cartilha, o PODER (Preparação — “Não sejas apanhado desprevenido”; Organização — “Maximiza os teus recursos”; Determinação — “Sincroniza-te com o objectivo”; Enfoque — “Diz não para dizeres sim”; e Realização — “Faz acontecer”), dá conselhos, desfaz mitos.

Lemos ainda como nota introdutória do artigo: ” Não é preciso andar sempre agarrado aos livros para se ter boas notas no ensino superior. Ter vida social é tão importante para o futuro como tirar o curso. Muitos professores são chatos. Quase todos os alunos copiam. Dois antigos alunos universitários (um deles agora professor) escreveram um livro provocatório e didáctico que promete dar que falar. “Não importa o ‘quanto’ estudas, mas sim ‘como’ estudas”.

O conteúdo pode ser muito bom, mas o título deixa muito a desejar »na maior» soa-me mesmo mal.

Há quem tenha (Relvas, Sócrates, e outros afins) ou quem faça o curso na «maior», mas não é o estudante comum…

De qualquer das formas, fica aqui a sugestão de leitura. Terá, com certeza, alguma utilidade e ensinamentos. 

«Estuda o mínimo, goza o máximo» não é o melhor conselho a dar-se, nem aos alunos nem aos filhos, embora seja precisamente o que querem ouvir. A defesa da lei do menor esforço está brevemente numa livraria perto de si.

Uma aposta, que será um best-seller?

 

Rasquíssima!

Uma actividade pouco católica: bater nos miseráveis, aqueles que nem um tecto de barraca têm como abrigo. Pois foi esta, uma das praxes dos caloiros da Universidade Católica de Braga. Por aquilo que o Expresso divulga, um grupo composto por três dezenas de hooligans, foi espancar os sem-abrigo que dormiam nos claustros da Rua do Castelo, bem no centro da cidade dos Primazes.

Estavam eufóricos, estes estudantes. Imagina-se porquê e como. Realmente e em primeiro desabafo, dá vontade de dizer que o pelourinho de Braga sempre podia servir para alguma coisa.

 

as minhas memórias-15-tu e eu e depois todos nós

estudantes de todo o mundo trabalham para desnvolver o si país

Decorriam as férias de verão, éramos estudantes, supostamente a descansar durante um período de três meses, divididos em dois grupos participávamos nos trabalhos do campo com os camponeses da Cordilheira dos Andes e, paralelamente, um grupo alfabetizava, enquanto o outro, preparava as matérias das cadeiras deixadas para exames. Eram raros os que aprovavam. Muitos os que alfabetizavam. O dormir em tendas de campanha no chão, comer o fornecido pela população rural, receber ajuda da Cáritas, Amnistia, ou Governo, ou, ainda das nossas famílias, era uma surpreesa para todos nós. Assim íamos construindo escolas e abrindo caminhos, enquanto retirávamos ideias das actividades observadas e as devolvíamos definidas, desenvolvidas, com palavras e ideias novas. Não era apenas ensinar a ler e a escrever, mas sim, a entender, como Paulo Freire nos ensinara. Tínhamos entre 18 e 22 anos. Éramos arquitectos,

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Bom Fim-de-Semana

SCUTS – entrevistas de alunos de Escola de Matosinhos

1. É a favor do pagamento das SCUT nas auto-estradas da Costa de Prata, Grande Porto e Norte Litoral?

Seria a favor se cumulativamente: [Read more…]

Em Londres é assim

Protesto estudantil, ontem em Londres

a escola do meu insucesso

a criança experimenta saber, mas sem sucesso, como pode-se ver nos seus pés descalços

…para Darlinda Moreira, antigamente a minha discípula e amiga….

Schubert – Death and the Maiden (part 1)

First part of 1st movement. The Alban Berg Quartet. Once again, please forgive me for the way I’ve had to split this.

Luís Souta denominou-a A escola da minha saudade, em 1995; Stephen Stoer e Helena Costa: A capacidade de nos surpreender, 1993; Luiza Cortesão: Escola, Sociedade, que relação? 1998; Luiza Cortesão e Stephen Stoer: Levantando a pedra, 1999; Ricardo Vieira: Entre a Escola e o Lar 1996; Telmo Caria: A cultura profissional dos professores, 1999; Ana Benavente: Do outro lado da escola, 1987. As várias denominações, que eu desejo definir neste texto, fazem-me omitir, obrigam-me a omitir, mandam-me não lembrar o que Darlinda Moreira diz da escola. Darlinda Moreira e eu debatemos, durante anos, qual a utilidade da escola para as crianças. Especialmente para crianças descendentes de pais, avôs, ou famílias, designadas por Paulo Freire, escolas oprimida, sem alfabetização, ou, como se diz hoje, sem literacia. Referem sem literacia, entre outros, Filipe Reis, 1997: Da antropologia da escrita à literacia, na Revista Educação, Sociedade e Culturas, trimestral, Afrontamento, Porto; António Firmino da

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O que se diz por aí

No Afeganistão, a actividade dos talibãs não descansou, e demonstra que o controlo militar do território é um trágico logro que só interessa à indústria do armamento.
Nos “Globos de ouro”, a minha querida Sandra Bullock foi uma das premiadas.
Pelas contas do Eurostat somos o terceiro país da Zona Euro a receber menos á hora. Eles têm é inveja dos nossos salários serem tanto competitivos.
Em outras contas, ficou-se a saber que a Caixa Geral de Depósitos comprou as acções a Manuel Fino mas não os respectivos direitos de voto. Tem acções mas não tem votos na Cimpor. Esta aquisição da Caixa, que pagou pelas acções um preço superior ao do mercado, revela-se a cada dia, um investimento cada vez mais estratégico: ficou sem direito de voto na cimenteira portuguesa que, por acaso, anda a ser bem cobiçada. Quem é fino, quem é?
Enquanto isso Manuel Alegre permanece disponível a recolher apoios. Quando tiver tempo, espera-se que se anuncie como efectivo candidato.
Por fim, uma promissora notícia para os estudantes com uma universidade de Sevilha a reconhecer o direito a copiar nos exames. Depois do “Processo de Bolonha”, talvez o “Processo de Sevilha”.

Os estudantes tambem querem…

Proprinas nem vê-las, bolsas cheias e para todos. Cantinas, serviços sociais, tudo à borla que alguem terá que pagar.

 

Estes alunos do ensino superior que vão tirar cursos que depois lhes asseguram um rendimento muito superior a muitos dos contribuintes que lhes pagam as proprinas, reagem  ao fartar vilanagem em que se tornou o país. Tudo mama, porque não hei-de mamar tambem?

 

Todos deviam pagar, conforme as suas possibilidades, presentes e futuras, sendo que ninguem pode deixar de estudar por razões económicas. Um empréstimo bancário, avaliado pelo Estado e pago durante a vida profissional é uma medida justa.

 

Pessoalmente, não teria tido nenhuma dificuldade em pagar as proprinas ao meu filho, que cursou Arquitectura na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa e como eu a maioria dos pais não têm dificuldade em pagar as proprinas. Sabemos bem que, por enquanto, a maioria dos pais dos alunos universitários continuam a ser economicamente privilegiados.

 

Reafirmo, com exclusão dos que não podem, todos deviam pagar. É inaceitável que num país onde as diferenças salariais entre os que têm cursos superiores e os que não têm, é abissal, se apoie financeiramente quem não precisa e quem em alguma fase da sua vida vai ganhar muito acima do contribuinte médio.

 

Que ninguem deixe de estudar por razões económicas! Que ninguem deixe de pagar se o puder fazer!