O poucochinho de 2016

Santana Castilho*

O que se ensina e o modo como a Escola se organiza para ensinar deveria traduzir um projecto de sociedade, decidido de modo suficientemente participado para a representar. Infelizmente, traduz apenas o querer de quem manda em cada momento, fruto da recorrente incapacidade de os partidos construírem um entendimento político que acomode os tempos da Educação. Com efeito, nenhuma reforma se compadece com a duração estreita de uma legislatura.

A Escola que o anterior Governo deixou visava criar “recursos humanos” produtivos, pacíficos face aos grupos económicos a que se destinavam e agressivos face à competição desumana que deviam vencer para lá entrar. O que o actual Governo fez para mudar essa Escola e preparar cidadãos capazes de agirem de modo crítico e independente é manifestamente poucochinho.

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Da colecção O governo que destrói recursos humanos (6)

S. José sem tratamento para os aneurismas ao fim-de-semana.

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (4)

Hospital da Feira com tempos de espera inaceitáveis

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (2)

Hospitais públicos perdem quase 700 camas num ano e privados ficam com 30% do total

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (1)

Taxa de mortes nas cadeias portuguesas é o dobro da média europeia

Greve do Pessoal dos Recursos Humanos das Empresas com Trabalhadores em Greve

RECURSOS HUMANOS 2FIXE, FIXE, ERA UMA GREVE DESTA GENTE

Fixe, fixe, era que o pessoal dos Recursos Humanos das empresas cujos trabalhadores estão em greve, parcial, às horas extraordinárias, ou total, e que dessa greve resultassem prejuízos para os outros trabalhadores que necessitam dessas empresas a laborar para eles mesmos trabalharem (Soflusa, Transtejo, Carris, Metro, CP, STCP, TAP, etc., etc., etc.), ou cujos prejuízos para a economia nacional fossem por demais evidentes (estivadores dos portos Nacionais), também fizessem greve, nem que fosse por solidariedade.

Era ver se as greves grassavam da mesma forma por esse País fora.
Para quem não sabe ou anda distraído, algumas das funções dos Recursos Humanos são:
– Preparar os dados para o processamento informático dos vencimentos;
– Processar os documentos relativos às horas extraordinárias, despesas de deslocação e ajudas de custo;

Professores a mais? É despedi-los, claro!

Quando os portugueses, em geral, e os políticos, em particular, perceberem que somos um país subdesenvolvido também em termos de Educação, talvez os problemas possam começar a ser resolvidos. Enquanto isso não acontecer, tudo o que anda a ser feito nem sequer pode ser comparado a cirurgia plástica: é só maquilhagem, sob a forma de diplomas e estatísticas.

Quando isso acontecer, será possível saber com rigor as necessidades das escolas em termos de recursos humanos. Sempre sem querer saber o que se passa no mundo real, o Ministério da Educação prepara-se para prescindir de milhares de professores, inventando pretextos pedagógicos ou constitucionais, quando, na realidade, o faz usando critérios exclusivamente economicistas.

Com o cinismo habitual desta gente que se tem dedicado a destruir o país, usam meias verdades, fugindo das verdadeiras questões com sorrisos de circunstância. É verdade que, legalmente, não haverá despedimentos, porque se trata de professores contratados. O outro lado da verdade é que estamos diante de uma multidão de profissionais qualificados que não poderão continuar a leccionar.

Nas declarações de Isabel Alçada, surge outra meia verdade, a de que são as escolas a indicar as necessidades. A parte que fica sempre escondida é que a indicação de necessidades está condicionada por critérios que não depende das escolas

É evidente que o sistema de ensino não deve ter mais professores que os necessários, como não faria sentido uma empresa contratar trabalhadores de que não precisasse (embora haja muitas instituições do Estado – autarquias incluídas – cheias de boys absolutamente dispensáveis). O problema é que, num país que mantém um atraso elevadíssimo, ao contrário do que dizem as estatísticas, não é possível dispensar recursos, muito menos se forem humanos e altamente qualificados.