Pandora Papers: o regresso do capitalismo trafulha

Pepe Guardiola, Shakira, Rafaelle Amato (histórico padrinho da Camorra), Tony Blair, Andrej Babis (PM checo) e Abdullah II, rei da Jordânia. O que une todas estas figuras, milionárias e multimilionárias, do futebol à política, republicanos e monárquicos, músicos e barões da máfia? Neste caso é a ganância e a determinação de querer e conseguir fugir aos impostos, usando para tal esquemas rebuscados desenhados por vigaristas financeiros, com recurso a paraísos fiscais e lavagem de dinheiro.

Depois do Panamá, Bermudas, Malta e Luanda, o mais recente sucesso de bilheteira do ICIJ chega-nos de várias localizações em simultâneo, como as incorruptíveis Ilhas Virgens Britânicas e as igualmente impolutas Bahamas. Sim, as elites mundiais não se contentam com os luxos que os seus talentos, heranças ou assaltos lhes permitem usufruir. Não chega. É preciso fugir aos impostos, lavar dinheiro e aldrabar a populaça. E Portugal, como sempre, tem uma representação de peso: Manuel Pinho, icónico ex-ministro socrático, Morais Sarmento, ex-ministro de Durão e actual vice de Rui Rio, e Vitalino Canas, ex-secretário de Estado de Guterres, são os primeiros nomes a surgir em mais um escândalo internacional de trafulhice financeira.

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A ganância e a rédea solta que lhe dão, ou seja, a questão é: porque é que as offshores são legais?

Foi publicada ontem uma nova investigação internacional pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) – do qual o jornal Expresso é parceiro -, sobre evasão fiscal e branqueamento de capitais. As revelações são baseadas na maior fuga de dados fiscais de sempre, 600 jornalistas de 117 países colaboraram na investigação. O enorme conjunto de dados inclui 11,9 milhões de documentos de um total de 14 fornecedores de serviços financeiros. Dele constam os nomes de numerosas celebridades, políticos e bilionários, demostrando que a evasão fiscal e a criminalidade financeira continuam em grande escala, através de empresas de fachada e trusts.

Entre os visados, destacam-se figuras como o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskiy, o rei Abdullah II da Jordânia ou o primeiro-ministro checo, Andrej Babis.

Também os ministros das finanças do Paquistão e Holanda têm laços com empresas offshore, assim como ex-ministros das finanças de Malta e da França – incluindo o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn.

E claro, também há portugueses envolvidos nos Pandora Papers, como Manuel Pinho, ex-ministro da Economia de José Sócrates, Nuno Morais Sarmento, vice-presidente do PSD e ministro nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e Vitalino Canas, secretário de Estado nos governos de António Guterres. [Read more…]

Ipapers

A história secreta dos esquemas offshore da Apple, por Simon Bowers, do ICIJ

A evasão fiscal de Isabel II, a Caloteira

O mundo ficou por estes dias a conhecer um novo conjunto de papéis, 13 milhões de conjuntos, para ser mais preciso, sobre malta empreendedora que faz uso dos chamados paraísos fiscais para levar o seu dinheiro de férias e evitar a maçada dos impostos.

Entre as vítimas deste violento atentado à privacidade contam-se antigos e actuais colaboradores de Donald Trump e Justin Trudeau, oligarcas ligados a Putin, gente simpática da Líbia, da Rússia e do Irão, que chumbou em auditorias governamentais que colocam em causa os seus procedimentos de prevenção de branqueamento de capitais, tipos que faziam negócios de armamento com o saudoso Saddam e mais uma série de indivíduos recomendáveis onde se incluem fundos de capital de risco e bancos, que como sabemos é malta que prima pela transparência e pelas melhores práticas.  [Read more…]

Bem vindos ao Swissleaks

Uma história de fraude fiscal denunciada pelo ICIJ, com epicentro na filial suíça do banco HSBC, através da qual centenas de multimilionários fugiram aos impostos nos seus países. Não perca o próximo episódio porque nós também não!

Luxembourg Leaks: uma história de gatunagem legal

(O esquema de evasão fiscal resumido em 3:10 minutos de boa animação)

A organização não-governamental Transparência Internacional revelou na passada Quarta-feira um relatório sobre a transparência na actividade das 124 maiores multinacionais do planeta. A avaliação foi feita com base em 3 critérios: transparência financeira, transparência organizacional e políticas anti-corrupção. E se os resultados como um todo não surpreendem, não deixa de ser surpreendente, verificar que petrolíferas como a americana Exxon Mobil ou a sua parceira estatal russa Rosneft, ou bancos predadores como a JPMorgan Chase estão melhor colocados neste ranking do que a Apple, a Google, a Canon ou a Walt Disney. A Walt Disney? Porra! Nem as crianças estão a salvo destes gangsters financeiros…

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