Queremos ser escravos ou homens e mulheres livres?

Liberdade

Tenho ouvido por aí que o impasse político em Portugal está a afastar os investidores. Leigo que sou, perante notícias tão alarmistas que anunciam o apocalipse económico, tenho sérias dificuldades em perceber em que consiste tudo isto. Até porque o que nos é dito em TV’s e jornais é tão vago que só uma mão cheia de doutos iluminados parece perceber. Serão investidores que se preparavam para investir em Portugal e que, perante a possibilidade de um governo de esquerda, mudaram de ideias? E se mudaram, o que os fez mudar? Será a perspectiva de que um governo desalinhado com o liberalismo da precariedade poderá acrescentar umas migalhas aos custos de tão lucrativos negócios? Mas se eles continuam a ser lucrativos, porquê recuar? Por ganância? Fanatismo ideológico? Será apenas pressão para condicionar o normal curso da democracia em benefício das elites do costume? Chantagem? Talvez seja tudo junto. [Read more…]

Hoje no Magreb, amanhã… – a luta contra a multiplicação da pobreza

EVOLUÇÃO DE PREÇOS DE “COMMODITIES” – 2008 a 2010

PRODUTO
(1)
Dez.2008
(2)
Dez.2009
(3)
Dez.2010
(4)
Δ%
2010 v 2008
(5)
Δ% médio anual
2000-2010
(6)
Trigo (Argentina) $176,00 $240,00 $302,00 71,59% 15,45%
Milho (Argentina)  $150,95 $178,00 $261,00 72,90% 13,32%
Arroz (Tailândia) $551,00 $606,00 $536,80 -2,58% 12,61%
Açúcar (©/lb) $11,75 $23,53 $27,98 138,13% 15,97%
Óleo de soja  $738,00 $935,00 $1.322,00 79,13% 19,17%
Óleo de girassol  $759,00 $986,00 $1.454,00 91,57% 21,03%
Crude ($/barril) $41,50 $74,90 $90,10 117,11% 20,78%

UNCTAD, Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, publica neste “site” informação da evolução de preços das chamadas “commodities”. Dos produtos abrangidos, seleccionei o trigo, o milho, o arroz, o açúcar, os óleos de soja e de girassol,assim como o petróleo para o estudo de preços constante do quadro apresentado.  [Read more…]

Viva a venda da Vivo!!!

Os implacáveis defensores dos investidores da PT estão de parabéns. Viram as ambições concretizadas. A PT vendeu a Vivo à Telefónica, segundo a comunicação social portuguesa (PUBLICO e TVI) e espanhola (EL PAÍS).

Com o fecho da operação, o interesse nacional (espanhol) ficou preservado. Os investidores portugueses – coitados, sempre a bater-se pela defesa dos ‘centros de decisão nacionais’ – venceram a barreira da ‘golden share’. Antes, no acto de boa fé de compra das acções, nem sequer se aperceberam da existência de uma ‘golden share’ detida pelo Estado, estatutariamente definida quanto aos respectivos poderes e limitativa do preço de venda de cada acção.

A UE, através do Tribunal Europeu, também acorreu em socorro dos ofendidos investidores, não repetindo a permissividade impeditiva da aquisição da Telecom de Itália justamente pela Telefónica. Situações iguais, critérios diferentes.

No final da história, é curioso notar que o Dr. Ricardo Salgado e companheiros extraíram benefícios do uso da ‘golden share’ pelo governo de Sócrates. A Telefónica subiu o preço de compra para 7,5 mil milhões de euros e os pobres investidores acabaram por “abichar” mais 350 milhões de euros.

Os portugueses estão todos mais felizes e o caso é digno de júbilo: “Viva a venda da Vivo!”, “Viva a Golden Share que nos rendeu mais uns cobres”!  

Quando vier o dinheirinho espanhol, lá vai a PT investir um valor entre 20 e 25% do capital da também brasileira Oi, porque, contradições à parte, o mercado brasileiro sempre tem carácter estratégico. No nosso entendimento, é melhor sermos prudentes e ficarmos na expectativa de saber se, daqui a uns tempos, não se dirá: “Oi que nos enganámos!”.

O mercado é isto. Vender activos nacionais pagos por muitos, em benefício de poucos – lembramos que a entrada da PT no Brasil foi resultado de diplomacia económica eficaz, facilitando-se a operação pelo baixo preço que a dita PT pagou pelas infra-estruturas de rede e que dilatou o valor efectivo dos activos da operadora portuguesa e facilitou o financiamento externo. Tudo isto é o sagrado mercado.

Golden Share na PT – por um fio!

Face à vasta jurisprudência existente nesta matéria, as probabilidades do Tribunal de Justiça da União Europeia, considerar que a golden share que o governo detem na PT, infringe o direito comunitário, são muito elevadas.

O Tribunal já tinha considerado ilegal a Lei-quadro das privatizações em Portugal que limitava a entrada de capitais estrangeiros nas empresas privatizadas por razões de “interesse geral”. Se o Estado português não abdicar dos direitos especiais que detem na PT, correrá o risco de pagar pesadas multas por cada dia de incumprimento.

O veredicto será emitido em 8 de Julho no quadro de uma queixa apresentada em Janeiro de 2008 pela Comissão Europeia, entidade que tem como função assegurar o cumprimento do direito comunitário em todos os países da UE!

Esta jogada retira credibilidade a Sócrates no momento em que mais precisa dela, a decisão não foi tomada de cabeça fria e, ao fazê-lo, atropelou os direitos dos accionistas e investidores que podem rever as suas expectativas quanto ao país.

Esperemos que a “cabeça quente” não tenha a ver com a derrota contra os Espanhóis no Mundial!