Já alguém viu outro alguém correr atrás do prejuízo?

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A coisa nasceu há já uns bons anos. Na rádio. Primeiro surgiu devagar, depois, como os coelhos, foi-se reproduzindo de forma rápida e imparável. Generalizou-se por muitos dos relatadores e comentadores futebolísticos das rádios, das nacionais às locais, passou a ocupar espaço no léxico dos narradores e comentadores de futebol das televisões e até chegou aos jornais, num contágio fulminante.

A frase é simples e até pode soar bem: “correr atrás do prejuízo”. Sim, todos sabemos o que pretende dizer. Mas, já agora, um esclarecimento: alguém no seu perfeito juízo corre atrás do prejuízo?

Já calculava que a resposta fosse não. Então e se deixassem de usar a frasezinha parva, hem?

ERC inquire Sócrates !

Estamos numa sala com pouca luz que entra pela freta de uma janela por onde espreita, de vez em quando, um gajo corpulento. A mesa, comprida, afasta de tal forma inquirido e inquiridor, que dir-se-ía não quererem olhar-se nos olhos . As vozes, amortecidas pelos generosos tapetes  que há muito não são limpos, ecoam de forma fantasmagórica. Um jornal, com um telefone dependurado na primeira página pousa, envergonhado, em frente do inquiridor.

Inquirido : A ERC a que o sr prof preside por minha vontade já chamou o director dessa sargeta ?

Inquiridor : Sr. Primeiro ministro, saiba V.Exª que estamos só à espera de saber o que pensa V. Exª para o trucidarmos aqui nesta mesma sala!

Inquirido : O que eu penso e que corresponde rigorosamente à verdade, é que nunca ouvi falar de tal coisa!

Inquiridor : Mas concerteza, nem isso está em causa, o que gostaríamos de saber é se há algum problema com sócios, bem, há accionistas que não são…

Inquirido : …mas , há accionistas… o que quer dizer com isso?

Inquiridor : o problema sr. primeiro ministro é que há accionistas que não são portugueses…

Inquirido : (pausa) respiração ofegante…então é por isso que essa m…saiu aí e não saiu nos outros?

Inquiridor : nem durmo, os outros não se atrevem, mas este…

Inquirido: já chamou o Vara? Nada de telefones. Ele arranja solução, agora que está lá para Oeiras…o sobrinho do de Oeiras ainda é taxista na Suiça? Afinal neste mundo global não se sabe quem são os accionistas. E aqueles gajos do banco que lhes enfiaram o barrete? esses gajos são capazes de ter ideias…

Inquiridor : está V. a ver como tenho passado mal os últ….

Inquirido : ó, homem, cale-se! deixe-me pensar, ninguem resolve nada, é preciso ligarem uns para os outros quando estão com a massa na mão e é só dar um pulinho ali a Espanha?…

Inquiridor : mas…

Inquirido : Faça como o nosso PGR e o PTJ, bem fizeram, mande queimar tudo…

Azedo “regulador” já não vai a tempo, como mandar queimar tudo? como? Grossas gotas de suor escorrem-lhe cara abaixo…António! grita, António, é continuo e motorista que se apressa. Chame a Serrano, qual ? a Fernanda? Azedo lança-lhe um olhar de “animal feroz”, mas a nossa está de férias sr. Presidente, murmura António, então, e o outro vogal da administração, tambem não está? António, baixa a voz, o sr vogal desde ontem que está a escrever e muito zangado… já lhe despejei quatro cestos de papel com rascunhos…até trago aqui um para o sr. Presidente ver…

Azedo, desdobra o papel que tem como título : (Eventual) Apoio à manifestação a favor da liberdade de imprensa!

Liberdade de expressão é monopólio de alguem?

É preciso saber o que é liberdade de expressão. Claro que é muito importante e faz parte da liberdade de expressão os jornais e outros meios da comunicação social terem liberdade para informar, dar opiniões, revelar casos que são do desconhecimento público. Mas alto lá, não acaba aí a liberdade de expressão.

Tão importante é a liberdade dos cidadãos, onde se enquadra a liberdade de expressão, nem mais nem menos que a dos jornalistas, aos quais não reconheço nenhum privilégio neste campo, bem pelo contrário, se há alguem que tem muitas culpas que a liberdade de expressão seja vista como uma quinta de maledicência são, justamente, os jornalistas.

Tal como Sócrates e o seu governo, o grande mal da comunicação social é  terem um déficite de credibilidade, já todos vimos muita notícia encomendada, muito estrume travestido de jornalismo.Dá impressão que o jornalismo não é criticável porque têm um poder enorme por serem lidos e ouvidos por milhões de pessoas. Isso não lhes dá direitos nenhuns , só deveres, de reserva, de transparência, do contraditório, não acusarem  pessoas que anos depois nunca foram acusadas de nada. A não ser assim metade do país andaria às voltas com a Justiça!

O que me faz ter vómitos quanto à personalidade do primeiro ministro é o mesmo que detecto nos jornalistas, o mesmo desprezo pelo país, pelos cidadãos, pela verdade, a verborreia ao sabor dos acontecimentos, a prepotência…

Mas se tiver que escolher entre um político eleito e um jornalista assalariado escolho o político, a este posso tirá-lo do lugar noutras eleições, posso ir para a rua gritar contra, mas em relação aos jornalistas nada posso fazer, só estar atento para apoiar os poucos jornalistas dignos desse nome!

Liberdade de expressão não é os jornalistas dizerem o que lhes metem nas mãos, andarem a conspirar ao estilo socrático, não fazerem o seu trabalho. Liberdade de expressão é cada um de nós dizer o que bem entende sem difamar, reconhecer o limite onde começa o direito dos outros.

Atiramo-nos a Sócrates porque ele e o seu governo querem limitar a nossa liberdade e apoiamos os jornalistas que querem fazer o mesmo? Os mesmos jornalistas que entregam a carteira no sindicato, vão para assessores de um qualquer governo e a seguir voltam para os jornais, campeões da liberdade de expressão?

Não, obrigado!

Amordaçar os jornais…

Na Sábado desta última 5 ª feira, vem um texto sobre a publicidade colocada e paga em diversos jornais pelas empresas controladas pelo governo.

 

"Quando o jornal SOL publicou a primeira notícia a revelar a existência de uma investigação britânica ao caso Freeport, em Janeiro de 2009, um dos directores do semanário recebeu um telefonema que podia livrar o jornal da falência….

 

O jornal preparava a segunda notícia com o DVD que refria o nome Sócrates.O telefonema pretendia travar a notícia.

 

" Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport" assume à Sábado o director do SOL José António Saraiva.

 

"É evidente que Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do SOL no BCP e que todos os assuntos relacionados com o SOL passavam directamente por ele, e isso nós sabíamos! acrescenta José António Saraiva.

 

Há mais. Vem nas páginas 75,76 e 77.