ERC inquire Sócrates !

Estamos numa sala com pouca luz que entra pela freta de uma janela por onde espreita, de vez em quando, um gajo corpulento. A mesa, comprida, afasta de tal forma inquirido e inquiridor, que dir-se-ía não quererem olhar-se nos olhos . As vozes, amortecidas pelos generosos tapetes  que há muito não são limpos, ecoam de forma fantasmagórica. Um jornal, com um telefone dependurado na primeira página pousa, envergonhado, em frente do inquiridor.

Inquirido : A ERC a que o sr prof preside por minha vontade já chamou o director dessa sargeta ?

Inquiridor : Sr. Primeiro ministro, saiba V.Exª que estamos só à espera de saber o que pensa V. Exª para o trucidarmos aqui nesta mesma sala!

Inquirido : O que eu penso e que corresponde rigorosamente à verdade, é que nunca ouvi falar de tal coisa!

Inquiridor : Mas concerteza, nem isso está em causa, o que gostaríamos de saber é se há algum problema com sócios, bem, há accionistas que não são…

Inquirido : …mas , há accionistas… o que quer dizer com isso?

Inquiridor : o problema sr. primeiro ministro é que há accionistas que não são portugueses…

Inquirido : (pausa) respiração ofegante…então é por isso que essa m…saiu aí e não saiu nos outros?

Inquiridor : nem durmo, os outros não se atrevem, mas este…

Inquirido: já chamou o Vara? Nada de telefones. Ele arranja solução, agora que está lá para Oeiras…o sobrinho do de Oeiras ainda é taxista na Suiça? Afinal neste mundo global não se sabe quem são os accionistas. E aqueles gajos do banco que lhes enfiaram o barrete? esses gajos são capazes de ter ideias…

Inquiridor : está V. a ver como tenho passado mal os últ….

Inquirido : ó, homem, cale-se! deixe-me pensar, ninguem resolve nada, é preciso ligarem uns para os outros quando estão com a massa na mão e é só dar um pulinho ali a Espanha?…

Inquiridor : mas…

Inquirido : Faça como o nosso PGR e o PTJ, bem fizeram, mande queimar tudo…

Azedo “regulador” já não vai a tempo, como mandar queimar tudo? como? Grossas gotas de suor escorrem-lhe cara abaixo…António! grita, António, é continuo e motorista que se apressa. Chame a Serrano, qual ? a Fernanda? Azedo lança-lhe um olhar de “animal feroz”, mas a nossa está de férias sr. Presidente, murmura António, então, e o outro vogal da administração, tambem não está? António, baixa a voz, o sr vogal desde ontem que está a escrever e muito zangado… já lhe despejei quatro cestos de papel com rascunhos…até trago aqui um para o sr. Presidente ver…

Azedo, desdobra o papel que tem como título : (Eventual) Apoio à manifestação a favor da liberdade de imprensa!

Comments

  1. António Soares says:

    O argumento está muito bem escrito(o teu texto)mas os actores são muito canastrões,se é que existem…

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