América, América!

massacre_las_vegas“Na América tudo é grande, até as tragédias

Isto sim é turismo

Avião da TAP para Las Vegas, classe executiva, Luis Patrão e um assessor preparam-se para iniciar a viagem com vista a estudarem o controlo do jogo via internet.

Ao lado, António Mexia, com uma equipa de assessores, inicia um périplo com vista a estudar o mercado de energias renováveis nos USA.

Tudo em grande, gestores do mundo, Portugal não tem dimensão para esta gente global, com uma visão mundial global, eles próprios são globais não se entende como o destino lhes pregou a partida de os fazer nascidos neste pobre país que os não merece!

Isto é o que se chama “on road”, apresentar negócios aos grandes deste mundo, olhos nos olhos, “tête à tête”, entre iguais.

O país que não os merece é que paga, tudo mais caro, com um nível de vida abaixo dos congéneres europeus, mas isso é coisa que não os aflige, podem lá estar presos aos 600 000 desempregados, aos 2 milhões de pobres.

Ali ao lado, ouço Sócrates a lançar o TGV, pedir dinheiro ao estrangeiro e dar à manivela, o país não pode ficar para trás, deve ser um problema de velocidade.

Entretanto, vão-se perguntando como é que se livram deste povo que lhes paga as mordomias. Coitado de quem tem elites destas!

PS: escusado será lembrar que aqui ao lado tudo já funciona, não é preciso tirar férias em Las Vegas.

Não vão contar por aí

Tenho um segredo que pouquíssimos conhecem. Um prazer oculto, ao qual dedico algumas noites esporádicas há já alguns meses. Ora, os segredos, por mais inócuos, são um fardo que vai ganhando peso a cada dia, pelo que há inúmeras vantagens em acabar com eles. Se considerarmos que a maioria dos que lêem estas linhas pouco ou nada sabe a meu respeito, e poderia cruzar-se comigo diariamente sem adivinhar quem sou, podemos concluir que revelar este segredo aqui no Aventar pode trazer os seus benefícios e sem demasiados inconvenientes.

Pois bem, este meu segredo consiste em várias caixas de DVDs, guardadas com recato. As oito séries completas, mais o extra dirigido pelo Quentin Tarantino, do CSI Las Vegas.

Acrescento “Las Vegas” para os que não sabem que o nome original é somente CSI, e que apenas se acrescentou o topónimo para que a série não se confundisse com os seus estúpidos e desnecessários franchisados, que decorrem em Miami e Nova Iorque.

Sim, eu vi todos os episódios do CSI e, se me perguntassem qual o personagem de ficção com quem gostaria de jantar, eu teria de confessar, para horror do meu pedantismo literário, que seria com Gil Grissom.

Há tempos li um comentário do escritor recentemente falecido J.G. Ballard, autor de “O Império do Sol”, que desde que havia começado a ver a série tinha ficado obcecado por razões que nem ele conseguia explicar inteiramente, e que não perdia um episódio.

Bem, eu não lhe chamaria uma obsessão, no meu caso. É certo que procurava estar livre às terças à noite, mas nunca desmarquei nada de verdadeiramente importante para ver a série. Admito que alguma vez me ocorreu que, equipada com o material adequado, seria capaz de processar uma cena de um crime, embora a ideia me pareça agora bastante ridícula. E confesso que comecei a interessar-me por coisas até aí tão obscuras para mim como termocicladores de ADN, luminol e resíduos de pólvora.

É verdade que gosto de livros policiais, mas apenas de meia dúzia de autores, os clássicos, e por um fetiche muito particular, só no curso de uma gripe. E não sou apreciadora de séries sobre polícias porque me desagrada a forma como muitas vezes se retratam os portadores de armas como semi-deuses.

Mas o entomologista Grissom, a quem nunca vemos empunhar armas, que se serve do raciocínio, da experiência, da sua erudição e do método científico para resolver crimes, nada tem a ver com os heróis habituais deste tipo de entretenimento e deve ser isso o que me prende.

Com aqueles que cultivam um certo elitismo cultural não se pode iniciar uma conversa com “Viu ontem à noite o CSI?” e eu coíbo-me de fazê-lo. Com outros, a questão inverte-se e a série é talvez demasiado elaborada para ser da sua preferência. E com outros, ainda, simplesmente não se fala de coisas banais e a televisão é um assunto arredado de qualquer troca de opiniões.

Mas dizem-me que o Aventar tem cada vez mais leitores e eu sei que algures aí deve haver alguém que me entenda e isso já é suficiente. Não precisam de dizer nada, basta-me aquela piscadela de olho de um colega das terças à noite, que sabe quem é o assassino das miniaturas, que preferia não ver a morte do Warrick Brown e que se lembra de todos os episódios em que apareceu a Lady Heather, embora prefira, de longe, a Miss Sidle.

Para todos os outros, este post simplesmente não fez sentido, mas conto com a vossa discreta compreensão.