Os invejosos e a ambição nacional

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Em artigo indignado, publicado no Correio da Manhã, o director da revista Sábado, Rui Hortelão, presenteou-nos com um daqueles clichés que não raras vezes é usado na defesa dos privilégios das nossas santas e imaculadas elites. Não há volta a dar: quem critica obscenidades salariais fá-lo por inveja, por hipocrisia e por falta de ambição nacional. Cambada de bandalhos.

A indignação de Hortelão surge na sequência de uma entrevista dada por António Mexia à Sábado, na qual o entrevistado falou sobre o seu salário de 6800€/dia. E, claro, num país à rasca, vários foram os que se indignaram com os valores, e isso aborreceu o director da Sábado, que fez questão de recordar a plebe que o senhor Mexia está à frente do maior pagador de impostos em Portugal. Porque, como todos sabemos, se uma empresa paga muitos impostos, os seus gestores devem ter um salário estratosférico a condizer. Não concordar com isto é ser invejoso, hipócrita e pouco ambicioso quanto à grandeza de um país que, obviamente, se mede também pelos salários dos gestores das suas maiores empresas. [Read more…]

D’ “Os sítios mais lindos que vi”

O Vale do Tua cantado por quem gosta dele. Requiem por um vale encantado?

Brindes de champanhe

Pede cortes para os outros sem olhar às suas rendas especiais.  Um chico-esperto à mama do estado.

Reformas em nome de alguma coisa

antonio-mexia-edpAfortunado país é este dotado de tantos Antónios tão clarividentes, sendo eu, pobre de mim, a triste excepção, modesto verme da blogosfera indigno de usar o mesmo nome de outros génios portugueses! Depois do santo que pôs peixes a ouvi-lo, depois do festim dos sermões de António Vieira, eis que o verbo de António Mexia nos elucida sobre as reformas que o governo está a realizar. Estais preparados? Ficai, então, a saber que as “reformas estão a ser feitas em nome de alguma coisa.”

Já se sabia que António Mexia é tão bom que não é gestor, é CEO. A partir de hoje, sabe-se que é muito mais do que isso: com Mexia, a língua portuguesa recupera o esplendor, a frase resplandece com tão grande intensidade que se torna difícil olhá-la de frente e, no fundo, faz sentido um homem que vende luz proferir ditos tão brilhantes.

Ainda assim, tentarei, humildemente aprender com Mexia. Experimentarei, por exemplo, dizer em voz alta proposições inundadas de inteligência. Aqui vai uma:

– Os factos são consequências das respectivas causas.

É escusado. Escrito ou dito por mim, parece estúpido.  Desisto.

Os mitos de Mexia

Se os preços da electricidade estão abaixo da média europeia, o que dizer dos rendimentos dos portugueses?!

Dr. Mexia, o magrebino

António Mexia, o educadíssimo e mais bem pago gestor português

Benfica, Fátima e outras divindades

pastorinhos

Nos últimos tempos, António Mexia, infelizmente benfiquista e sanguessuga-mor do regime, terá afirmado que as vitórias do Benfica nos campeonatos fazem bem ao PIB. Sem as vitórias vermelhas, o PIB, pelos vistos, andaria murcho, viveria descontente, embebedar-se-ia com tintos melancólicos, poderia até cantar fadunchos arrastados, cheios de ontens luminosos e carregados de hojes olheirentos, soluçando pelas ruas mal iluminadas.

A ser verdade a asserção mexiana, a solução para os problemas do país seria tornar obrigatórias as vitórias do Benfica, inscrevendo essa obrigatoriedade na Constituição. Alguns poderão dizer que isso acabaria com a verdade desportiva. Nada de novo: não me lembro de nenhum campeonato em que se reconheça mérito ao campeão. Seja como for, o que é a verdade desportiva comparada com o PIB? A primeira só existe para quem ganha; com um PIB saudável, ganhamos todos.

E se não for verdade aquilo que disse Mexia? E se não houver nenhuma relação entre o bem-estar do PIB e os golos de Cardozo? Não seria de admirar: Mexia já foi ministro, que é, em Portugal, o nome que se dá aos estagiários que irão gerir empresas de lucro garantido. Como não estamos num país, não faz sentido exigir a Mexia que seja sério e que respeite o clube de que é adepto e, sobretudo, os concidadãos que são obrigados a perder dinheiro e empregos para engordar antigos ministros e outros parasitas da classe nédia. [Read more…]