António Pais Vieira: Os muitos “25 de Abril” que faltam

(António Pais Vieira, Consultor)

A 25 de Abril de 1974, Portugal iniciou a terceira vaga democrática que varreu a Europa até 1991.  As descrições que recebemos da geração que a viveu fazem-nos sonhar, e é impossível não deixar de os invejar por terem assistido a tal momento histórico. Mas se não me era possível ter assistido à Revolução dos Cravos, o mesmo não aconteceu com a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética, um terramoto político que pressagiava o Fim da História, como lhe chamou Francis Fukuyama. Parecia ser a vitória total da democracia liberal capitalista e tudo indicava que se alastraria inevitavelmente a todo o planeta. A última grande sociedade comunista no mundo, a República Popular da China, já tinha abandonado há algum tempo o caminho mais sinistro de Mao Tse Tung e parecia frágil depois do massacre de Tiananmen. Na África do Sul, uma aliança entre Nelson Mandela e o novo presidente de Clerk, derrubava o regime de Apartheid e inicia uma revolução pacífica e democrática num dos mais poderosos países da África. Na América do Sul, o gigante Brasil acabava com o regime militar e voltava a ser uma democracia. Apenas uma região do mundo se mantinha firme na resistência ao modelo democrático, o Médio Oriente. 

Há precisamente uma década atrás encontrava-me a viver na Palestina quando começou a Primavera Árabe, um movimento algo semelhante ao nosso 25 de Abril e que muitos acreditaram ser a quarta vaga democrática. Na Palestina, a Primavera Árabe foi seguida com enorme interesse e uma sensação de enorme proximidade à revolução. Falando com colegas e amigos árabes, foi notória a excitação nos dias anteriores à primeira grande manifestação e óbvio o aumento do interesse a cada dia que passava. Desde a revolução tunisina que ouvíamos muitos e extremamente sombrios relatos do que era a vida debaixo desse regime totalitário. Colegas que lá tinham estudado e trabalhado na Tunísia contavam-nos histórias e detalhes da repressão, falta de liberdade e corrupção endémica centrada na família de Ben Ali, mas agora, com as manifestações a propagarem-se para muitos outros países, em especial para o Egipto, a dimensão da revolução torna-se incomparavelmente superior.

O Egipto tem um lugar especial no médio oriente. Define as modas, tem uma história milenar, produz os melhores desportistas (o seu campeonato de futebol era seguido em toda a região), para além de uma economia forte e diversificada e uma população que já ultrapassou hoje os 100 milhões de habitantes. Foi deste país que nasceram os mais significativos movimentos intelectuais árabes dos últimos 80 anos, como os nacionalista pan-árabes de Gamal Abdel Nasser ou a Irmandade Muçulmana de Hassan Al-Banna.

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Menos Estaline, mais Mao Tsé-Tung

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Nestes tempos de imbecis populistas, que passam as tardes no Parlamento aos gritos em bicos de pés, a semear o medo e a falar de estalinismos que não existem, é interessante verificar que, graças ao empreendedorismo do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, 8,8% da bolsa de valores portuguesa é hoje controlada pelo Partido Comunista Chinês. Estalines hipotéticos são um perigo, já os Maos desta vida são umas jóias de moços, que o digam Durão Barroso ou Franquelim Alves.

Ferreira Fernandes propõe: “Na frase, mude-se ‘revolução’ por ‘guerra'”

Eu proponho que, na segunda frase, se escreva ‘confecção’.

Camarada Durão

No dia em que a China celebra os 120 anos do nascimento de Mao Tsé-Tung, vale a pena recordar esse ícone da luta revolucionária maoista que foi o camarada Durão:

medida essa que não é mais do que o reflexo da crise do sistema de ensino burguês, e medida essa que é inteiramente incorrecta, anti-operária e anti-popular

E era este o discurso do camarada Barroso há 37 anos atrás. Mao estará certamente orgulhoso dele.