Passos tem mais encanto na hora da despedida

Ferreira Fernandes, como habitualmente na mouche, despede-se de Passos.

Jornalistas a mais, e logo três

Ferreira Fernandes com todas as letras sobre o que aconteceu ontem nas televisões portuguesas.

Ferreira Fernandes propõe: “Na frase, mude-se ‘revolução’ por ‘guerra'”

Eu proponho que, na segunda frase, se escreva ‘confecção’.

O caso do cronista distraído

Ferreira Fernandes chegou ao 31 da Armada, leu João Ferreira do Amaral, e vai disto: cascou no economista por ser homónimo do monárquico.  Se algum dia me der para usar pseudónimo vou escolher Ferreira Fernandes.

Ferreira Fernandes, um patife. Nada mais do que um patife

Na crónica de ontem do DN (olha quem, o DN!), Ferreira Fernandes atira-se ao Fernando Moreira de Sá .
Só para lembrar, Ferreira Fernandes escreve diariamente no DN. Ferreira Fernandes viu coleguinhas seus irem directamente para o Governo e de lá sairem para o jornal nas mesmas circunstâncias. Há episódios escandalosos, nos tempos de Sócrates e também nos de Passos Coelho.
Ferreira Fernandes assistiu de muito perto ao fenómeno do Corporações e às movimentações de certa blogosfera organizada a partir do Governo e com meios do próprio Estado. As suas amigas no jornal eram as pontas de lança dessa estratégia, embora curiosamente deixassem o nome para outros.
Ferreira Fernandes esteve do lado, fisicamente ou não, dos Joões, dos Hugos, dos Almeidas, dos Fernandos e de toda essa corja de assessores, chefes de gabinete, membros do Governo que usaram o seu tempo, pago pelo erário público, instalações do Estado, meios informáticos públicos e informação privilegiada para fins de combate político.
Ferreira Fernandes soube quem era Miguel Abrantes, mas nunca lhe ocorreu chamar patife ao autor de tal criação. Nunca lhe ocorreu deixar uma palavra que fosse sobre o assunto. Porque ele próprio fazia parte, quanto mais não fosse por omissão, da patifaria.

Efectivamente, era o fato

Fábio Poço/Global Imagens (http://bit.ly/100qyEx)

Fábio Poço/Global Imagens (http://bit.ly/100qyEx)

Naquele tempo, quando ainda escrevia numa inteligível ortografia portuguesa europeia, Ferreira Fernandes não acreditava que “fato e morada indiciassem um destino” — a propósito, a grafia da ficha técnica do DN daria para um tratado, mas hoje, como sabemos, é domingo.

Porém, segundo o Record,

Carlos Pinho, presidente do Arouca, destacou o fato de Pedro Emanuel sempre ter sido a primeira escolha

Já se sabe, é a vida: há quem atribua importância ao estilo de Mourinho, quem se deslumbre com os fatos de Costinha, quem prefira o fato de Jol, quem recomende os modelos de casaco de corte direito ou assertoado e quem se dedique ao catálogo das cores dos casacos de Merkel.

Depois do fato (de roupa), do fato de Monti, do fato no momento certo, do fato de Pinto Ribeiro, do fato de Octávio Ribeiro, dos fatos e afins do Diário da República, do fato daquela revista e da prova de fatos, temos o fato de Pedro Emanuel (pois, também temos um ‘projecto’, apesar dos *’objetivo’).

Sim, o fim-de-semana está prestes a acabar, mas ainda vamos, creio, a tempo de um desfile.

Parvoíces

Ferreira Fernandes, cronista do DN, tem algum talento para, a partir de minudências, não-assuntos e casos particulares, discorrer para o geral e para o exemplar. É um talento que possui, reconheço. O problema é que uma minudência, um não-assunto, parte das vezes não chega a dar assunto. Assim, Ferreira Fernandes derrapa, contorce-se, retorce-se e procura uma saída para transformar um campo estéril numa produção de sumo fresco natural, nem que para isso se muna de um exemplo passado na Patagónia em mil e troca o passo para chegar a uma generalização qualquer sobre Pequim. Parte das vezes não dá para espremer mais e a crónica termina de forma idiota.

Ferreira Fernandes não é parco em conselhos dirigidos a terceiros nas linhas ou nas entrelinhas dos seus textos. Eu, que sou mais poupado nos conselhos a outros, tenho um para Ferreira Fernandes: homem, poupe-se, isso de uma crónica diária anda a fazer-lhe mal, você não tem assunto para tanto. Olhe, escreva metade, ganhe metade, publique a cada dois dias e pode ser que arranje forma de concluir sem escrever parvoíces.

Macacos me mordam – esteja descansado, não vou perorar sobre nenhum macaco em particular, nem sobre a Patagónia – se percebo o que quer dizer ou onde quer chegar nas linhas finais da sua crónica de hoje. Mas lá que é uma grande parvoíce, isso é.