El caso Urdangarin.

La monarquía en España, como cualquier otra ideología, es un problema de nacionalismos. Sin monarquía, España no existe y eso, por supuesto, atrae a una gran mayoría que quiere dividir para gobernar. El caso Urdangarin es un excelente ejemplo de chivo expiatorio. No tiene implicaciones directas para el rey que es el jefe de Estado y que representa el país, pero este fue el fusible para quien en la actualidad prepara el asalto a la corona.
Varios cientos de manifestantes, según los medios de comunicación, se indignaron ante el tribunal donde el duque de Palma fué escuchado. Los manifestantes «foran convocados por la Organización de independencia Maulets, los Joves d’Esquerra Unida, Unidad Cívica Por la República (UCxR) y la Asamblea de Estudiantes de La UIB». ¿Es justo, todos los países tienen contristas – en una república son los monárquicos, en monarquía los republicanos. Pero es curioso que muchos de los carteles filmados por la televisión muestran frases que iban más allá de la simple manifestación: los protestantes son más que republicanos, son antimonárquicos. Esto demuestra claramente la incapacidad de estos grupos para el diálogo con la mainstream política y ideológica. Dudo que, para ellos, la propia idea de sistema republicano les sirva.
Y no hay ninguna cuestión si el yerno del rey es culpable o no. Si la esposa o la hija de un presidente de una republica está envuelta en negocios ilegales debería, por eso, terminarse el régimen?
Después de las acampadas, que eran particularmente expresivas y de la moda en España, se creó la ilusión de que a partir de ahora es más fácil para derrocar personas y regímenes. ¿Es coincidencia que esto ocurra en el país que ensayó la devastación de Europa en los años 30 y 40 del siglo pasado?

Creo que no.

Cavaco Silva fez o que devia ser feito

Aníbal Cavaco Silva condecorou a Infanta D. Maria Adelaide com a Ordem de Mérito.

Num país onde nos habituámos a assistir ao medalhar de futuros cadastrados, Cavaco Silva desta vez acertou nas obrigações implícitas ao cargo que ocupa. A Infanta D. Maria Adelaide nasceu na auspiciosa data de 31 de Janeiro, comemorativa da vitória da legalidade constitucional sobre o livre arbítrio e prepotência desordeira. Defensora abnegada da Liberdade, impiedosa crítica  daquilo que social e politicamente se passava no Portugal da II República, dedicou-se aos mais desfavorecidos e quase anonimamente durante décadas socorreu quem pôde, instando com os poderes públicos, normalmente sempre alheios a quem não tem capacidade de protesto. O seu currículo de beneficência – palavra hoje quase varrida  da nossa memória -, é impressionante. Presa pela Gestapo, condenada à morte pela justiça do III Reich, a Infanta merece o reconhecimento público.

A Infanta cumpre o seu centésimo aniversário dentro de dias. Cavaco Silva esteve bem, obliterando o vergonhoso esquecimento dos sátrapas que há mais de meio século o antecedem em Belém.

A Esquerda e o Voto.

Não gostei, ou melhor, não me agradou completamente a entrevista do Rodrigo Moita de Deus. Há coisas que não se devem dizer da forma como ele as disse. E não é por ser monárquico que vou concordar com elas. Por exemplo, não creio que «mudando o regime pode-se mudar qualquer coisa, sobretudo a mentalidade das pessoas.». Isso não aconteceu em 1910. Aliás, se há culpas a assacar aos políticos da monarquia foi o não terem criado uma literacia abrangente que politizasse e elevasse o nível cultural das classes baixa e média. Os republicanos esfregaram as mãos de contentes. Um povo culturamente atrasado é muito mais fácil de dominar. Em 6 de Outubro a república estava comunicada ao país, sem resistência. E em 1940 estava tudo pobrete, mas alegrete (como, aliás, ainda hoje).
Presentemente acontece algo muito semelhante. As pessoas recusam pensar. Mesmo que estejam mal. A um país de amorfos, junta-se a questão da inveja. Se eu não posso ser rei, porque é que alguém deve sê-lo? Para alguém que pensa assim, a monarquia não mesmo uma alternativa. Não me refiro aos rapazes do 5 Dias, que são como autistas. O movimento da cabeça que fazem para a frente e para trás é sinal de uma perfeita incapacidade de discutirem, com fundamentos, um assunto que lhes é perfeitamente inconcebível. Fazem parte daquele conjunto de pessoas que critica a monarquia por que é antidemocrática, mas aplaudem malabarismos constitucionais para prolongar mandatos e transformar o poder presidencialista ou ministerial em ditaduras. E é isto que não compreendo. Para eles a monarquia é uma coisa supérflua, uma corja de ricos, uma elite inócua de gente feia, mas no fim toda a ideia de poder  é isso mesmo. A únicas coisas que o podem contrapor são ou o suicídio ou a anarquia.
Devo acrescentar, aliás, que o Cinco Dias já foi um bom blogue. Agora, numa altura em que os títulos são maiores do que as postas, não há uma única ideia que se aproveite. Os seus blogueiros são os carros vassoura da internet. Nesta vaga de maniqueísmo que tem caracterizado a Esquerda, quando a Direita diz preto, eles dizem branco. E não saímos disto. Basta o Henrique Raposo, o Rodrigo ou a Helena Matos publicarem algo, que o alarme logo toca na sede do 5 Dias.
Bom, mas voltando à entrevista. Também não concordo com a relação FMI-Regime. E acho estapafúrdia a alusão ao sex appeal da Direita. Enfim, são gostos. Uma coisa é certa e isso é que é difícil de rebater: a despartidarização do poder. Aceitando-se a ideia de Estado-nação (coisa que pouca gente do 5 Dias aceitará mas finge que aceita) a monarquia é muito mais justa. Entre uma representatividade inerente (inerente mas reconhecida constitucionalmente) e uma representatividade aritmética fundada na escolha não universal (isso sim seria lógico) mas na partidização ou segmentação do auditório elegível – dando a ideia de um sistema justo e abrangente (mas simplesmente demagógico) -, a primeira solução bate aos pontos qualquer regime. E é por isso que, sobretudo a Esquerda, sempre fracturante e fracturada, tem medo de discutir as soluções. Não entendo, aliás, a insistência neste aspecto da eleição do presidente da república pois o voto é para a Esquerda, um adereço.  Que pode e deve ser substituído sempre que possível pela revolução, como bem sabemos.

Lição para ditadores


Com o Magrebe a pegar fogo, uma notícia parece surpreendente, mas perante os factos noticiados, a longa permanência no poder pode facultar algumas lições a reter.

Pelo que se diz, o sr. Muhamar Kadhafi precavê-se de qualquer eventualidade e olhando para um bem conhecido antecessor em certas praxis políticas – para mais, nosso vizinho -, decide-se a fazer aquilo que Salazar, Brezhnev e Ceausescu – entre outros, muitos outros – não quiseram ver e menos ainda, fazer. Franco parece ter sido o único e os resultados estão à vista.

Chegam notícias de uma possível instauração de Monarquia Constitucional na Líbia. Sabe-se que Kadhafi nutre uma profunda aversão por clericalismos e o facto da chamada Irmandade Muçulmana estar em avanço – só não o vê quem não quer -, impele o homem das sedas e tendas, a uma decisão que poderá ter consequências quanto à estabilidade na região.

“And basically, I think he’s setting himself up to do what Franco did in Spain, which was to return the country to a constitutional monarch.”

Esperemos para ver. Entretanto, para saber mais, este post e respectivo link, elucida-nos.

O Regicídio e a premonição do nosso século XX


“Perante tal atentado, tão selvagem tão planeado, o primeiro gesto é de indignação. Mas isso não exclui a lucidez. Que os povos não tenham ilusões. A revolução, onde quer que nasça e sejam quais forem os pretextos de que se arme, mata primeiro os reis para matar de seguida, mais à vontade, os povos. Faz o seu baptismo de sangue para prosseguir uma tarefa sanguinária. “Liberdade!”, grita o regicida, a maior parte das vezes um instrumentalizado e um impulsivo, o que não o torna mais respeitável. “Servidão”, responde a História.
Gentes de Portugal e doutras paragens: acreditem nos franceses experientes que passaram por todos os dramas, todas as loucuras e também todas as inanidades da miragem revolucionária. O que o complot antidinástico visa é precisamente esta ordem hereditária onde são possíveis liberdades, mesmo num visível constrangimento. Trata-se de instaurar a desordem, em regra parlamentar, onde uma fachada de abertura social mal consegue esconder a pior das tiranias. O assassínio do rei só tem como finalidade o advento de reizinhos anónimos, irresponsáveis e passageiros, os quais, não tendo interesse em conservar a nação, a devoram. Os tiros dirigidos ao soberano eaos seu herdeiro vão atingir o coração da pátria, da mesma forma que, segundo a expressão de Balzac, a Assembleia, condenando Luís XVI, cortava o pescoço a todos os pais de família. Os povos são solidários com os monarcas.”

Le Gaulois, Paris, 4 de Fevereiro de 1908

A Real Associação de Lisboa apela à comparência popular no acto de reparação do 1º de Fevereiro de 2011, a realizar-se na Igreja da Encarnação pelas 19.00H, em Lisboa (Chiado). Estará presente a Família Real.

Perguntas do Centenário da República


Sabia que em 22 de Abril de 1924, foi dada a ordem de venda, em Londres, de uma montanha de 146 toneladas de prata, guardada e amontoada pela “ruinosa e falida” monarquia deposta em 1910?

Serviu para estabilizar o Escudo em queda livre nos mercados cambiais. Durou pouco, essa estabilidade. Voltaria rapidamente à desvalorização, empurrando o país para a ditadura da 2ª República. Nada que não se saiba.

Centenário da república: a melhor vista, no alto do Parque

Não existiu qualquer profanação ou ofensa de nenhum dos símbolos históricos de Portugal, passados ou presentes. Num mastro deixado ao abandono desde Novembro de 2009, alguns fizeram brilhar ao sol, cores que ali não se viam há quase cem anos. O local tem sido profanado, isso sim, pela omnipresença de uma entidade bancária que fazendo publicidade, pretensamente oferece uma árvore de Natal aos lisboetas. No local panoramicamente mais conhecido da capital.
Para quem tenha qualquer dúvida, aqui está a prova, sem truques de perspectiva, photoshop ou outras habilidades do género. Alguns órgãos de comunicação social de “referência”, já iniciaram a campanha de desinformação, dizendo terem os “Carbonaros” substituído um certo – e respeitável – símbolo inestético e de má memória de um péssimo século, pela bandeira azul e branca.

Como sempre, mentem. A novidade é uma não-notícia, porque totalmente falsa!!

Nos sectores da blogosfera políticamente bem instalada na vida, a resposta obedece previsivelmente ao cânone clássico, preferindo-se desprezar a ousadia e invectivando os monárquicos de patuscos! São tão conservadores e elitistas, são reverentes ao poder, caquéticos, imobilistas e agarram-se ferozmente aos capitosos privilégios de casta! É o eterno argumento dos vencidos reduzidos à defensiva e incapazes de sequer colarem um cartaz, coisa que a passada juventude jamais lhes proporcionou. Sempre tiveram quem o fizesse por eles, a troco de metal sonante. No fundo, fica-lhes tão bem.

Não sabem o que é ser irreverente, com respeito por aquilo que deve ser respeitado.
Pois eu rio-me e muito.

Carbonara – Movimento Monárquico para as Massas:


A Carbonara – Movimento Monárquico de Massas, levou esta noite a cabo, a sua primeira acção directa. Esperem pela manhã de sexta-feira, 26 de Março. O prato servido a Portugal está bem condimentado e tem todos os ingredientes necessários para agradar. Pela irreverência e ousadia! Não perdem por esperar mais umas horas.

Dª Amélia em Centenário


Sempre que deparo com o nome de Dª Amélia numa montra de livraria, franzo o sobrolho. As más experiências que a minha curiosidade tem sofrido, ditam a desconfiança. É que não existem Corpechots, Rochas Martins e Ruis Ramos ao virar de cada esquina.

Acabei de ver em escaparate nas Amoreiras, o livro Dª Amélia, da autoria de Isabel Stilwell. Apenas folheei as derradeiras e demasiadamente sucintas páginas referentes à passagem da rainha no Portugal de 1945, parecendo corresponderem à verdade histórica, embora Stilwell pudesse ter sido mais rigorosa no epílogo, quando da imponente e multitudinária manifestação de pesar popular no funeral da Grande. Mas a obra não pretende ser uma análise histórica do momento social e político do Portugal da 2ª república.

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Fontes Pereira de Melo e Maria Filomena Mónica

 A verdade dita por Maria Filomena Mónica

 

 

Maria Filomena Mónica é uma mulher bonita, elegante e não a conhecendo pessoalmente, parece-me acessível.  Tem um certo ar de outros tempos, num misto de Marlene e de Deneuve, mas sem a frieza coquette da primeira ou o arrogante e desdenhoso olhar da gaulesa. Excelente comunicadora, é expansiva, ri com facilidade e o seu fácies expressivo testemunha aquilo que sente e a certeza do que diz. Não parece portuguesa porque exala optimismo, coisa tão afastada do clima que há tanto tempo se vive no nosso país, como se de uma longínqua galáxia se tratasse.

 


Ontem, tive o prazer de assistir à entrevista concedida a Mário Crespo, na Sic Notícias. Comentando a biografia que escreveu sobre o grande homem que foiFontes Pereira de Melo, Filomena Mónica mostrou uma total independência perante o comodismo académico ainda preponderante, dizendo de forma clara e inequívoca, estar o país a sofrer há mais de um século, o abusivo relato de uma história falseada, porque inexistente. Referindo-se ao período que a obra estuda – a Monarquia Constitucional – e comparando-a com o regime que se lhe sucedeu – a 1ª república -, a autora foi incisiva na afirmação daquilo que hoje se tornou impossível de esconder.

 

Disse uma grande verdade e tão incómoda quanto impiedosa: a inelutável lei da natureza, vai fazendo desaparecer os promotores de uma historiografia oficial que ao longo de cento e cinquenta anos se acirraram na promoção da ficção de uma história nada científica e apenas fundamentada no dogma, alinhamento partidário ou mero fanatismo de grupo. Em suma, os lóbis que se vão sucedendo no poder, vão amesquinhando o todo nacional, em benefício do arrivismo mais atrevido e seguidor de figurinos importados pela conveniência clubística do momento.

 

Todos sabemos que a Monarquia Constitucional consistiu no mais longo período de normalidade daquilo que o preceituado da cartilha liberal pressupunha. Fizeram-se todas as reformas necessárias que adequaram o país aos novos tempos anunciados por uma Europa saída do caldeirão fervente da agressão napoleónica e sem um rumo ainda bem definido, mercê da destruição da velha ordem pré-revolucionária e da derrota militar do imperialismo rapinante do Corso.

 

Estradas, caminhos de ferros e infra-estruturas correspondentes – pontes, túneis, portos, entrepostos comerciais, mercados -, abolição da Pena de Morte, modernização do sistema eleitoral, simplificação das medidas e sua normalização "à europeia", fomento de indústrias e promoção do conhecimento científico, eis sucintamente, o programa que foi sendo executado em Portugal ao longo de mais de três décadas. Uma autêntica revolução material e nas mentalidades, surgiu como possibilidade modernizadora que aproximaria Portugal de uma Europa que começava a descobrir as potencialidades de um Ultramar pelo qual se digladiaria. Independente o Brasil, Portugal prosseguiu fortemente ligado à antiga possessão além-mar, mas a África tornou-se numa outra possibilidade de expansão, onde o país contava com direitos históricos, tenuemente garantidos pela presença em presídios costeiros e tácito reconhecimento in absentia por parte de outras potências. 

 

A derrota da França em 1870-71, criou uma situação de status quo territorial na Europa, implicando paralelamente, a corrida aos mercados que no além-mar prometiam ser o sorvedouro dos produtos da  recente industrialização. Fontes foi o Presidente do Conselho num momento em que existiam os capitais estrangeiros destinados ao investimento em economias que pretendiam a modernização. Países como Portugal ou a Rússia a eles acorreram, conseguindo criar as bases de uma modernização urgente porque imperiosa para a própria segurança internacional dos Estados. A adequação do modelo social em todas as suas vertentes – movimento sindical, sistema eleitoral ou o despontar dos compromissos sociais patrocinados pelo Estado – suceder-se-iam normalmente.

 

Maria Filomena Mónica é uma boa comunicadora, de fala simples, incisiva e compreensível para a maioria dos interessados. Ontem, ousou dizer a verdade que geralmente anda tão afastada das crenças enraizadas por sucessivas gerações de eternos e privilegiados pensadores do pessimismo que amolece a nossa gente, destrói a consciência nacional e impede a verdadeira autodeterminação de cada um e de todos. A autora prestou um relevante serviço ao país que importa.

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