O aceitável

Leio, na edição de hoje do “Público”, que pertencer à Frente Nacional (FN) de Marine Le Pen passou a ser “aceitável”. Quem o observa é Sylvain Crepon, um investigador da Universidade de Tours que estuda a extrema-direita francesa e que conta que, até há pouco, para irem colar cartazes os apoiantes de Le Pen faziam-se proteger com tacos de basebol e iam acompanhados por uns quantos skinheads.  “Agora podem fazer isso em plena luz do dia, o que mostra que as pessoas já estão mais habituadas à FN. Tornou-se mais aceitável.”

“Aceitável” graças sobretudo à sagacidade de Marine Le Pen, que soube empurrar para fora de cena um embaraçoso pai incapaz de conter o seu discurso de ódio. A hábil Le Pen faz-se agora chamar apenas de Marine nos cartazes, encheu os comícios de rosas azuis, afectos e sentimentalismo, fala da “França esquecida”, da “França sem voz mas não sem coragem” e reclama para o seu partido a personificação desses “valores franceses”, chavões de conteúdo vago, ideias míticas de uma “França perdida” que é preciso recuperar, um bastião a defender perante a invasão dos outros, dos estrangeiros, dos terroristas. [Read more…]

Gerda Taro

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Gerda Taro, Nos portões da morgue depois do bombardeamento, Valência 1937

18 de Julho: voltaremos, venceremos

A página mais negra do séc. XX ibérico: 18 de Julho de 1936, a pior das escórias humanas, verdadeiros suínumanos, levanta-se contra um governo de esquerda legitimamente eleito, lançando o estado espanhol num remoinho de atrocidades inomináveis.

Venceram, com o apoio de Hitler, Mussolini e Salazar. Mas a República voltará, e aos que por ela morreram será feita justiça. Lá chegaremos.

El caso Urdangarin.

La monarquía en España, como cualquier otra ideología, es un problema de nacionalismos. Sin monarquía, España no existe y eso, por supuesto, atrae a una gran mayoría que quiere dividir para gobernar. El caso Urdangarin es un excelente ejemplo de chivo expiatorio. No tiene implicaciones directas para el rey que es el jefe de Estado y que representa el país, pero este fue el fusible para quien en la actualidad prepara el asalto a la corona.
Varios cientos de manifestantes, según los medios de comunicación, se indignaron ante el tribunal donde el duque de Palma fué escuchado. Los manifestantes «foran convocados por la Organización de independencia Maulets, los Joves d’Esquerra Unida, Unidad Cívica Por la República (UCxR) y la Asamblea de Estudiantes de La UIB». ¿Es justo, todos los países tienen contristas – en una república son los monárquicos, en monarquía los republicanos. Pero es curioso que muchos de los carteles filmados por la televisión muestran frases que iban más allá de la simple manifestación: los protestantes son más que republicanos, son antimonárquicos. Esto demuestra claramente la incapacidad de estos grupos para el diálogo con la mainstream política y ideológica. Dudo que, para ellos, la propia idea de sistema republicano les sirva.
Y no hay ninguna cuestión si el yerno del rey es culpable o no. Si la esposa o la hija de un presidente de una republica está envuelta en negocios ilegales debería, por eso, terminarse el régimen?
Después de las acampadas, que eran particularmente expresivas y de la moda en España, se creó la ilusión de que a partir de ahora es más fácil para derrocar personas y regímenes. ¿Es coincidencia que esto ocurra en el país que ensayó la devastación de Europa en los años 30 y 40 del siglo pasado?

Creo que no.

Fraga Iribarne

Vai na blogosfera pró-soviética um tremendo banzé a propósito da morte do fascista Fraga Iribarne. Sem sequer procurarem proceder à oportuna materialista contabilização dos anos de vida do político galaico-espanhol, parece bastante fácil colar o apetecível labéu naquele que foi ministro de Franco. Precisamente o homem que marcarva o regresso da bibliografia marxista aos escaparates das livrarias espanholas, quando em Portugal tais coisas eram clandestinas, trazidas de Paris – lá tinha de ser… – e olhadas como se Bíblias ou Mein Kamp’s se tratassem, em suma, coisas de e para deuses. Pois bem, Fraga disse ao surpreendido Caudilho, …”deixe-os ler à vontade, se conseguirem!”. Tinha razão. Em 1975 quis presidir ao primeiro governo pós-franquista, já na Nova Monarquia de João Carlos I. Não conseguiu, pois sendo uma figura cimeira do anterior regime e uma das mais contundentes línguas políticas do país, não era do agrado do monarca interessado numa transição ordeira e em contraposição com aquilo que se passara em Portugal. Tinha razão o Rei.
Morreu Fraga Iribarne, trinta e seis anos após o fim do regime instaurado no rescaldo da Guerra Civil de 1936-39. Há poucos meses, no programa matinal “Desayunos de TVE”, tive o prazer de o ouvir em amena conversa com outro homem dos anos trinta, o antigo secretário-geral do PCE, Santiago Carrillo. Que diferença abissal entre aqueles dois dirigentes políticos que se defrontaram na mais cruenta das guerras e os homenzinhos sem pingo de interesse que quotidianamente povoam os nossos luso-painéis do politiquês jornaleiro. Feitas as reparações, entregues as mútuas desculpas, Fraga e Santiago falaram de uma Espanha muito diferente daquela que existira na juventude de ambos. Uma Espanha já sem ódios de morte, uma Espanha de liberdades e de um progresso que lhes deixava o indisfarçável orgulho que é próprio dos nacionais do país vizinho.
Fraga nasceu em 1922 e viveu trinta e oito anos em regime franquista, no qual desempenhou um papel relevante. Fraga acatou a Nova Monarquia e com ela conviveu no meio de antigos adversários e declarados inimigos, percorrendo estes trinta e seis anos, como figura incontornável no jogo partidário. Jamais foi chefe do governo, Presidente como lá se usa dizer. Dele poderemos dizer que é mesmo a cara da Galiza da Zara, da Pescanova, do turismo florescente e das infra-estruturas de fazer inveja. É o que dele mais fica.

A procura do luto

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Los fuzilamientos del 3 de Mayo no Madrid Bonapartista. Como os do Chile entre 1974 e 1989, que Sónia Ferreira estudou no sítio, orientada por mim.

Há lutos e lutos. Pela perda de um ser querido, por salvar à Pátria, por se rebelar contra militares assassínios, como no caso do Chile, que Sónia Ferreira estudou, com profunda tristeza, acompanhando as viúvas e mães que não conseguiam encontrar maridos e filhos. Tinham sido assassinados mas não perdiam a esperança… [Read more…]

Recuperar a memória

Documentário sobre o concerto de homenagem aos republicanos, que juntou em Rivas Vaciamadrid, 800 ex-combatientes, exiliados, orfãos da guerra, presos políticos, etc.

Lembrando os que defenderam a legalidade republicana, e foram vítimas de um dos maiores massacres fascistas do séc. XX. Apontando o dedo aos que continuam a tentar que o esquecimento apague os seus crimes.

O primeiro vídeo traz-nos  a belíssima actuação de Bebe, que abriu esta homenagem.

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A «Guernica» aplicada ao ensino da História


Desde sempre que procurei inovar nos métodos de ensino e no tipo de recursos apresentados aos alunos, mas agora que estou numa escola com computador ligado à internet em todas as salas de aula, a minha tarefa é muito mais fácil e aliciante. Vem isto a propósito da «Guernica», o famoso quadro de Picasso, que costumo utilizar quando abordo os antecedentes da II Guerra Mundial. Uma fotógrafa inglesa, Lena Gieseke, pegou no quadro e exporou-o minuciosamente em 3 D. Em menos de três minutos, qualquer aluno fica a perceber o mais pequeno pormenor. Palavras para quê?

Poemas com história: Trago uma voz encarcerada

O poeta Marcos Ana na Feira do Livro de Madrid, em Junho de 2009.

O escritor Marcos Ana, pseudónimo de Fernando Macarro Castillo, nasceu perto de Salamanca em 1920. Durante a Guerra Civil, integrado no Exército da República, participou na Batalha de Madrid. Preso, foi torturado e condenado à morte, embora a pena nunca tenha sido cumprida. Em meados dos anos 50 começou, na prisão, a escrever os seus poemas. A sua obra chegou a diversos intelectuais e gerou-se um movimento para a sua libertação. A Amnistia Internacional pressionou o governo de Franco e, em Novembro de 1961, foi exilado em França. [Read more…]

A máquina do tempo: onde está sepultado Federico García Lorca?

Este poema, um dos mais conhecidos de Federico García Lorca, descreve o ambiente trágico que rodeia uma tarde de touros. O autor do vídeo aplicou as palavras do poeta à tragédia da Guerra Civil de Espanha em cujo vórtice o autor de «Romance sonâmbulo» (a que o poema pertence) seria implacavelmente sugado.

Tinha prometido dedicar um destes textos ao grande poeta andaluz e hoje a nossa máquina vai começar a visitar a vida de um grande escritor, uma das âncoras da língua castelhana – Federico García Lorca. Chegou a altura de pagar essa dívida. Embora, neste primeiro texto, digamos que vou abordar, não propriamente a sua vida, mas as incidências da sua morte. E faço-o com a pergunta: onde está o corpo de Lorca? [Read more…]

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