António Costa, o vencedor das Autárquicas 2021

Confesso que estou surpreendido com alguns comentários e comentadores que falam numa grande derrota do PS. E se é verdade que as derrotas de Coimbra e Funchal eram expectáveis, a queda de Medina é a grande surpresa da noite e um ponto importante para o PSD, que regressa ao poder na capital. Mas, sejamos sérios: controlar a capital vale por isso mesmo, pelo controle da capital, mas não equivale a vencer as eleições. E o controle que Moedas exercerá sobre a capital, convenhamos, tem muito que se lhe diga, na medida em que a sua coligação tem 7 vereadores, o PS outros 7, o PCP tem 2 e o BE tem 1. O mesmo se passará na Assembleia Municipal, onde Moedas não tem maioria e a direita tem menos quatro representantes do que a esquerda. Pelo que Moedas tem duas opções: ou negoceia à esquerda, ou não governará.

O que ganha eleições autárquicas, como em anos anteriores, é a conquista de mais câmaras municipais e freguesias. O PS conquistou 148, o PSD, sozinho ou nas múltiplas coligações em que se envolveu (e aqui vou incluir as câmaras do CDS, para dar volume à coisa) não chega às 120. Serão 119, se não estou em erro, menos 29 que o PS. Significa isto, portanto, que o PS mantém o controle sobre a Associação Nacional de Municípios.

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A Ternura da Extinção

Não deixo de sentir uma enorme ternura pela decorrente manifestação contra a fusão de freguesias, neste sábado à tarde, em Lisboa. Basta olhar para mim, um bairrista feroz pelo menos vinte anos da minha vida aqui por Gaia, recanto onde nasci. Por Lisboa, porém, o que se vê é a festa do protesto: desfile de diversidade, com ranchos folclóricos, associações culturais, recreativas e desportivas. Talvez nada impeça a metamorfose toponímica contra a qual lutam esses bravos portugueses no seu festivo esbracejar de náufrago: há tanto século acumulado, tanta vida, nesses lugares, lugarejos, freguesias, deliciosos pardieiros espirituais do País que o topónimo parece um absoluto. Mas os jovens e os velhos que hoje provincianizam a Capital sabem que terá valido bem a pena fazer a festa do protesto.

Sai uma rotunda ali para o canto, s.f.f.

Amadora

E quem diz uma rotunda, diz um um dos embelezamentos que agora começaram a brotar pelo país, um pavilhão multi-usos, uns semáforos, umas lombas e umas festas dos santos. O poder local é uma conquista e há que a manter. Haja dinheiro.

Os régulos.

Apareceu ainda há pouco na televisão um autarca (creio que de Pampilhosa da Serra) exasperado porque o novo mapa judiciário lhe ia tirar o tribunal, ausência que, segundo o mesmo, estimulará a desertificação, acentuará o abandono do interior, blá, blá, e o choradinho eleitoralista do costume. Pergunta: como é que a saída de um tribunal resulta em desertificação? Tomara nenhum cidadão precisar dos serviços destas criaturas amanuenses que neles copiam ou julgam. Se o meu instinto não me engana, e penso que não, um tribunal de comarca municipal não emprega mais que 20-50 pessoas, logo me parece ser causa para o aumento de desemprego (de resto, sob o suave jugo do Estado não serão despedidos, apenas transferidos). Não presta serviços relevantes à comunidade (se entre os serviços não contarmos o trabalho dos advogados e solicitadores que orbitam ao redor de tão grata instituição), que não aqueles estritamente determinados pela natureza dos crimes que aí se julgam (ora, é estatístico que a o volume e a gravidade dos crimes violentos se concentra nos maiores núcleos urbanos). Como, pois, a sua extinção influi na desertificação? [Read more…]