Como bater no fundo: a mentira de Passos e a revolta dos abanadores de bandeiras

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Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Exposta mais uma mentira de Pedro Passos Coelho, vários foram os seus apoiantes que vieram a terreiro tentar contrariar os factos, com aquela indignação tão ternurenta de quem não perdoou uma aldrabice ao seu antecessor mas que está sempre preparado para negar, com unhas e dentes, todo e qualquer embuste do comandante. Um abanador de bandeiras será sempre um abanador de bandeiras.

Para aqueles que acham – ou foram enganados pelos abanadores – que o virtuoso Passos Coelho não mentiu, sugiro uma vista de olhos à fotogaleria do DN ou uma visita ao insuspeito ObservadorContinuar a ler “Como bater no fundo: a mentira de Passos e a revolta dos abanadores de bandeiras”

Diálogo possível em 2019

– Está sim, muito bom dia, fala o senhor João Filipe Silva?

– É o próprio.

– Olhe, é da parte da Segurança Social. Estivemos a analisar o seu processo e chegámos à conclusão que lhe foi diagnosticado um cancro terminal há três anos.

– Exactamente.

– Em 2016 não foi?

– Sim senhora.

– Pois e então de acordo com a legislação o senhor já devia ter falecido.

– Ah é?

– Sim, sim. E neste situação, como ainda não faleceu, vamos ter de lhe retirar a pensão de invalidez.

– Mas olhe que eu estou mesmo, mesmo a falecer.

– Mas quem é que me garante que isso é verdade? Disse o mesmo há três anos. E se durar mais três? Ou mesmo seis? São os contribuintes que pagam? Não, não, isto não é o da Joana.

– Ah pronto, então nesse caso, se calhar, o melhor é tentar falecer já.

– Pois, é precisamente isso que eu ia sugerir. É tentar esticar agora o pernil. Veja lá isso, está bem? Se não for do cancro, olhe, atravesse a rua sem ser nas passadeiras, até pode ser que seja atropelado. E com sorte pode ser que seja por um autocarro da CARRIS, assim era certinho.

– Tem toda a razão, a última coisa que eu quero é roubar dinheiro ao Estado.

– Está a ver? Pronto, resolva lá isso que para o próximo mês já deixa de ter a pensão de invalidez.

– OK, obrigadíssimo por ter ligado.

– Obrigado eu, com licença.

Isto não é eleitoralismo, são apenas aumentos salariais na função pública a 3 dias das eleições

Eleitoralismo

Apesar da confiança absoluta grande e boa na vitória este Domingo, as tropas da coligação não perdem uma oportunidade para fazer uso da arma do eleitoralismo, colocando ao seu serviço os recursos comuns do Estado bem como a influência dos seus governantes que nas últimas semanas pararam de trabalhar para se dedicarem à campanha dos seus partidos.

Sabemos que a caça ao voto desde São Bento já começou há alguns meses. Acenaram-nos com a possibilidade de descidas de impostos e reposição de cortes, mais recentemente com a devolução da sobretaxa em função do resultado da execução fiscal, imprevisível, e agora, na recta final, surgem alguns incentivos extra com todo o habitual descaramento a que estas coisas obrigam. Continuar a ler “Isto não é eleitoralismo, são apenas aumentos salariais na função pública a 3 dias das eleições”

Portugal à frente

portugal à frente

O país está melhor e ainda vai melhorar com a prioridade que vamos dar ao desemprego, menos impostos e respeito pelo Tribunal Constitucional. Tal como prometemos em 2011.

Prà, prà, prà e desorientação ortográfica

passos portas
© CDS-PP (http://on.fb.me/1Is6T5H)

 

Segundo o Sol, “João Villalobos ironiza com a infelicidade da associação ao passado”. Ora, já sabemos que “Prá frente Portugal” foi de facto uma infelicidade.

A exemplo de ‘à’ e ‘às’ ou de ‘ò’ e ‘òs’, recebem o acento grave certas formas que representam contracções de palavras inflexivas terminadas em ‘a’ com as formas articuladas ou pronominais ‘o’, ‘a’, ‘os’, ‘as’(Bases Analíticas, XXIV). Estão neste número (…) ‘prò’,‘prà‘, ‘pròs’ e ‘pràs’, contracções cujo primeiro elemento é ‘pra’, redução da preposição ‘para’

(1947: 185)

Quanto ao resto, o PSD e o CDS, nas linhas de orientação, mencionam o facto de o Governo “nunca ter abdicado de uma perspetiva prospetiva“. Ora, é urgente que abdiquem da “perspetiva prospetiva“.

Em primeiro lugar, porque “perspetiva prospetiva“, em português europeu, corresponde a *[pɨɾʃpɨˌtivɐ pɾuʃpɨˈtivɐ] , em vez de corresponder a [pɨɾʃpɛˌtivɐ pɾuʃpɛˈtivɐ].

Em segundo lugar, porque “perspetiva prospetiva“, além de ininteligível em português europeu, põe em causa a tese da “ortografia comum“, sendo igualmente incompreensível para quem estiver habituado a ler, por exemplo, o CLG em português do Brasil (2006: 247):

perspectiva prospectiva

Em terceiro lugar, porque um dos resultados tangíveis da “perspetiva prospetiva” é a patente desorientação ortográfica nas linhas de orientação:  objectivos (p. 11) e objetivos (p. 13), “participação activa” (p. 12) e “presença ativa” (p. 12) — sim, exactamente, na mesma página —, excepção (p. 10) e excecional (p. 3) e, claro, Junho (p. 13).

Recomendo o abandono da “perspetiva prospetiva“, espero que  haja a tal “discussão mais focada sobre as matérias mais controversas” e desejo-vos um óptimo fim-de-semana.