O problema do Género

Portugal continua a ser um país que as notícias dão como muito mal situado nos “rankings” da Igualdade de Género. Num Índice do Fórum Económico Mundial, já do ano de 2014, o nosso país aparece classificado em 39º lugar, numa lista de 142 estados fechada pelo Iémen, o Paquistão e o Chade. No topo da lista aparecem a Islândia, a Finlândia e a Noruega.
Este é um tema que tem trazido preocupados sucessivos governos e que mantém na comunicação social uma actualidade constante há vários anos. É, certamente, uma área das políticas públicas e privadas que mais atenção merece e sobre a qual há ainda muito a fazer.
O quadro que se segue é um pequeno resumo estatístico retirado do Pordata, com números do ano de 2014.

Sem nome.numbers

Pordata Kids. Kids!?

pordatakidsÉ muito provável que os derivados do inglês venham a ser os crioulos do futuro, porque as ciências (incluindo algumas sociais)  e a tecnologia já se exprimem em língua inglesa ou, pelo menos, numa espécie de dialecto em que se misturam termos ingleses com resquícios da língua materna.

Ainda assim, continuo a acreditar que usar uma língua implica pensar sobre ela (e não apenas ficar a contemplar a sua evolução) e agir em sua defesa. É claro que defender a língua materna sem pensar poderia levar a exageros como preconizar que se substituísse Oxford por Oxónia, como já chegou a ser proposto. É igualmente claro que o português já está carregado de antigos empréstimos que acabaram por ser adquiridos, o que também faz parte da natureza das línguas. Por isso, e usando de um conservadorismo metódico, não combato palavras como “futebol”, mas irrita-me que as pessoas esperem feedbacks das propostas que fizeram. [Read more…]

Vale a pena pensar nisto!

fonte: eurostat

fonte: eurostat

Este mapa é elucidativo da percentagem de jovens de adultos europeus, com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos, que ainda vivem em casa dos seus pais.

O mapa evidência as manifestas diferenças de comportamentos entre os jovens do Norte e do Sul e os do Leste e do Oeste da Europa.

Em minha opinião, que é também partilhada por outros sociólogos, estas diferenças evidenciadas pelo mapa podem ser explicadas fundamentalmente pelas seguintes razões:

A primeira é que nos países mediterrânicos, como Portugal, a Itália e a Grécia, o valor família tem uma grande importância, sendo esta vista como um pilar fundamental da sociedade, por isso, não existe o estigma associado ao facto de um jovem adulto continuar a viver em casa dos pais.

A segunda é que a crise financeira em que a Europa tem estado mergulhada, nos últimos anos, é com toda a certeza também responsável por esta situação atendendo que os países que foram e continuam a ser mais atingidos pela crise têm coincidentemente números mais elevados de jovens adultos a viverem em casa dos seus pais.

Com base nestes dados, fornecidos pelo Eurostat, salienta-se a Eslováquia que tem a maior taxa de jovens adultos a viverem em casa dos seus pais, com um valor que atinge os 56,6%, por sua vez, a Dinamarca tem a menor taxa com apenas 1,8%.

Em comparação com estes dados dos paises europeus temos os EUA em que 13,9% da população, em análise, vive em casa dos pais.

Em Portugal 44,5% dos jovens adultos portugueses vivem ainda em casa dos seus pais. Estes números são também assustadores para o nosso País.

Estes dados deveriam merecer uma análise profunda dos politicos europeus, sendo que os politicos portugueses deveriam também olhar para este problema com muita preocupação, olhando para esta questão como estrutural da nossa sociedade.

Uma sociedade em que os jovens se autonomizam mais tarde será sempre uma sociedade mais envelhecida. A Europa vive num rigoroso ” inverno demográfico “, por isso, entendo que é  urgente que os políticos tomem medidas no sentido de rapidamente se inverter esta situação.

O governo tem razão

A economia está a crescer. Para baixo.

Números do emprego e fraude intelectual

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Por qualquer razão tinha Pedro Romano em conta de alguém com alguma honestidade intelectual. Tinha. Escrever um relambório, para não lhe chamar vomitório, sobre uma anunciada descida do desemprego está ao nível do milagre económico de S. Pires de Lima.

No 3º trimestre de 2012 tínhamos, segundo as estimativas do INE, 4 656 300 empregados. Em 2013 e para o mesmo período são 4 505 600, menos 2,2%. Claro que entretanto a taxa de desemprego baixou porque a emigração cresceu, num país onde a economia tem sido meticulosamente destruída por devotos do deus mercado, uma religião que tem por prática a crucificação dos outros. Pior ainda: subiu o emprego em 9,4 % numa categoria que diz tudo: trabalhadores familiares não remunerados e noutra, subemprego de trabalhadores a tempo parcial cresceu 5,5%. Estamos no bom caminho, temos mais escravos e donas de casa. [Read more…]

Os números torturados do nosso dia a dia

torturem os numerosSabia que em 2008 a dívida pública de Portugal “era inferior quer à da Alemanha, quer à da França, quer à média da Zona Euro, obviamente em proporção dos respetivos PIB”?

Que “a despesa pública não atingiu em momento algum 50% do PIB”?

Como nas “estatísticas oficiais algumas despesas que têm uma dupla função são contabilizadas duas vezes”?

Parece-lhe possível concluir que os impostos não aumentaram em Portugal nos últimos anos, uma vez tido em conta que os rendimentos, esses sim, aumentaram?

Sabe que “o número de horas trabalhadas por ano por cada trabalhador português excede em 1,1% o esforço de trabalho dos norte-americanos,e excede largamente,  (…) as horas trabalhadas nos países europeus”? [Read more…]

Ganhar nove vezes mais é pouco

Agora já devem ter conseguido ganhar mais.

Cuidado com os números

Ainda sobre a entrevista de Nuno Crato ao jornal angolano, dois argumentos numéricos são utilizados que contrariam a realidade. O primeiro é a já célebre descida do número de alunos por causa do raio da demografia. O raio das estatísticas é que não coincidem: o Paulo Guinote fez as contas e encontrou

uma diminuição inferior a 0,5% desde 2000 e mesmo um aumento desde 2005

Estranho? não, se pensarmos um bocadinho: a quebra de nascimentos demora uns anos a atingir o ensino, houve  imigração e reagrupamento de famílias, o número de anos na escola tem aumentado (e a partir de agora a frequência do secundário é obrigatória) e, é claro, tivemos as Novas Oportunidades (número que se pode desagregar quanto aos alunos, mas é praticamente impossível de fazer quanto aos professores, já que continuavam a ter turmas no ensino regular). Terá tendência para descer? claro que terá, mas no que respeita ao número de professores até tivemos

uma redução de 8,5% em 10 anos, mais acelerada desde meio da década…

Mas há outra piada, a da Áustria que teria um racio professores alunos inferior a Portugal. É verdade:

Fonte

Mas não passa de conversa de treta. Reparem que no ensino primário, ou seja no 1º ciclo, o racio é o mesmo. Ora esse é ó único número comparável porque corresponde a um regime de monodocência, ou seja um único professor por sala de aula, leccionando toda a matéria*.  A partir do 2º ciclo estas comparações são falaciosas porque o racio depende do número de disciplinas oferecidas.  Mais disciplinas, mais professores por aluno, é óbvio, o número de alunos por turma pode ser relevante, mas também pode não ser. O alemão não é língua que me assista e não encontrei dados sobre o funcionamento do ensino na Áustria que me permitam tirar conclusões, nem vale a pena, porque se falamos de países ricos e de pobres armado ao pingarelho, como Nuno Crato nos apelidou, valerá a pena é comparar o custo do ensino por aluno: [Read more…]

A greve nunca existiu, a imbecilidade cumpriu a rotina

De acordo com as estatísticas oficiais ontem não fiz greve, a minha escola não esteve fechada, não aconteceu nada. Nada.

Os dados estão disponíveis online, os totais e os parcelares.

Escolas Básicas e Secundárias do Centro em 46724 funcionários 0 grevistas.

Estatisticamente não existo. Estatisticamente como ontem não aconteceu nada espanta-me a indignação de tanto honesto trabalhador que continua por aí vociferando contra a meia-dúzia de perigosos sindicalistas que ontem fez greve, esquecendo o estado em que o país está, a necessidade de pagarmos 34400 milhões de euros só em juros à troika, vamos todos trabalhar, viva a austeridade essa proximidade possível com a penitência e o cilício, produzir mais, muito mais, comer e calar (e escolhi esta ilustração com duplo sentido, é verdade), abrir bem o esfíncter para eles entrarem melhor. Há coisas fantásticas, não há?

Um outro olhar sobre os olhares da OCDE

Por SANTANA CASTILHO

Não desisto de convocar políticos e cidadãos comuns para o debate das ideias e para o exercício de informar com seriedade e verdade. Sem informação e discussão não há vida democrática.
Há dias foi divulgado o “Education at a Glance 2010”, um olhar já clássico da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico sobre o estado dos sistemas educativos dos países que a compõem. São 472 páginas de uma complexa rede de indicadores quantitativos, tão úteis quanto perigosos. Esclareço: úteis porque ajudam a cotejar resultados de políticas, no quadro da educação comparada; perigosos porque são passados para a opinião pública sem indispensável informação complementar; porque muitos quadros nunca deviam ser divulgados isoladamente, outrossim em conjugação com outros que os clarificam e impedem grosseiras conclusões; porque, por essa via, conferem falsos fundamentos e legitimidade a políticas mais que questionáveis; porque o seu valor está hoje inaceitavelmente inflacionado e dá origem a uma política global de educação para problemas e culturas de estados membros bem diferentes; porque assumem que tudo se pode medir e reduzem as diferentes dimensões da educação ao interesse exclusivo da economia e do mercado.
Deixem-me fundamentar o afirmado com exemplos, a saber: [Read more…]

Os números não enganam

Diz Henrique Raposo que

“os números não enganam. Os portugueses trabalham 38.8 horas por semana, quando a média europeia é de 40. Os portugueses colocaram Portugal a crescer apenas 1,45% (entre 2004 e 2007), enquanto que a média europeia de crescimento foi de 2,63%. Mas, apesar disto, os portugueses receberam um aumento real de salários de 3,9%, enquanto que o aumento real na Europa foi só de 2,1%. Há aqui muita coisa que não está certa nas contas portuguesas.”

Pois não enganam:

Average monthly labour costs, in € (2005) €1,617 (2006) €2,981

São mais baratos, os portugueses. E quase não fazem greves:

Number of working days lost through industrial action per 1,000 employees (annual average 2004–2007) 13.5 days* 37.47 days (estimate)

Os números não enganam, agora cada um selecciona da mesma estatística os que acha mais relevantes para justificar a sua conclusão. Ele acha que trabalhamos pouco. Eu acho que somos dóceis e baratos. E sendo mais baratos ainda bem que trabalhamos menos, e devíamos ter mais aumentos para ganharmos como os outros. Se calhar até produzíamos como eles se recebêssemos o mesmo que eles, é até por isso que emigramos: para trabalhar mais 1,2 horas por semana mas receber mais 1364€ no fim do mês.

Isto para não falar de omitir os números que lhe estragam a conclusão:

Collectively agreed weekly working hours (2007) ~ 38.2 hours** 38.6 hours

Ou que me levariam a concluir que o resto da Europa trabalha mais e recebe mais porque tem mais horas extraordinárias, mas não gosto de manipular números, até porque sei que eles não enganam.

Enganado foi o Luís M. Jorge, um homem de boa fé que embora para tratar de assuntomais vasto respeitou as estatísticas ratadas pelo Raposo.