Da colecção O governo que destrói recursos humanos (3)

INEM quer contratar mais 70 profissionais para atendimento de emergência e 85 para ambulâncias

O campeonato dos hospitais

bigstockphoto_Victory_Podium_-_Winners_In_Go_3778414Para os iluminados pelo espírito empresarialês, o mundo não é mais do que um conglomerado empresarial (holding para os amigos), o que faz com que qualquer instituição seja vista como uma empresa. No fundo, o empresarialismo é uma religião, com os gestores, erigidos em sacerdotes abençoados pela infalibilidade, a anunciarem virtudes cardeais como a concorrência ou a competitividade ou o empreendedorismo.

Sendo uma religião proselítica, é claro que os clérigos tudo fizeram até impor as suas crenças a entidades que não eram empresas, como é o caso das escolas e dos hospitais. Assim, criaram a ilusão de que o sucesso é sempre mensurável: a Igreja fazia proclamações; o empresarialismo anuncia estatísticas, rankings e percentagens. Como sempre aconteceu, a maioria, embrutecida, repete a ladainha.

Mais uma vez, hoje, pude confirmar a omnipresença desta seita. Silvério Cordeiro, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Gaia/Espinho e antigo director do Centro de Formação Profissional da Indústria da Cortiça, queixava-se de falta de obras e de equipamentos, em entrevista ao Jornal de Notícias. Para o administrador, isso fez com que a instituição perdesse “claramente competitividade face aos hospitais da região.” [Read more…]

O natal das pessoas saudáveis

Dia de natal, sala de espera. Gente a chegar com cara de susto e de sono. Gente a cabecear nas cadeiras, a dormir sentado. Alguém comenta que no passado, não há tanto tempo assim, num dia como o de hoje estavam aqui muitas mais pessoas. O cartaz na admissão explica: são 20 euros por episódio de urgência. O cardeal de Lisboa celebra a missa na tv. Se eu estivesse em casa via um filme, comia uma rabanada. Tem-se fome e frio na sala de espera, mas não é que se tenha mesmo fome e frio, o que se tem é pena de si mesmo. O corpo pesa ao fim de umas horas, as cadeiras são duras e rangem, a vida parece sempre mais miserável.

“A luta mais importante na vida é contra a autocomiseração”, diz o bombeiro que entra agora pela porta automática. Não diz nada, é o meu sono ou a minha fome que me mentem. [Read more…]

Da série ai aguenta, aguenta (13)

Governo vai cortar mil camas nos hospitais do SNS. Num país em que há doentes internados em macas.

Outras opiniões de Manuela Ferreira Leite sobre a saúde dos portugueses


«É deplorável que se consinta que indivíduos que sofrem de moléstias incuráveis continuem a contaminar as pessoas sadias. Isso corresponde a um sentimento de humanidade do qual decorre o seguinte – para não fazer mal a um arruinam-se centenas.»

«Tornar impossível que indivíduos doentes procriem outros mais doentes é uma exigência que deve ser posta em prática de uma maneira metódica, pois se trata da mais humana das medidas.»

«Deve-se proceder, sem compaixões, no sentido do isolamento dos doentes incuráveis».

«Quem sabe exatamente se está doente ou não? Não se verificam inúmeros casos em que uma pessoa aparentemente curada, recai e causa desgraças horríveis, na perfeita ignorância da realidade?»

«Tudo o que se fez foi, ao mesmo tempo, insuficiente e irrisório. A corrupção do povo não foi evitada.»

«O papel do mais forte é dominar. Não se deve misturar com o mais fraco, sacrificando assim a grandeza própria.»

« Educando o indivíduo, o Estado deve ensinar que não é uma vergonha, mas uma lamentável infelicidade, ser fraco ou doente, mas é um crime e também uma vergonha.»

Estas e outras opiniões de Manuela Ferreira Leite na sua última obra

O Hospital de São João dá o exemplo!

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É o caso do Hospital São João do Porto, que reuniu 38 medidas de poupança, num só documento.

A ARS do Porto já enviou este documento para outros hospitais para que o exemplo de contenção seja seguido.

“Um exemplo de boas práticas nesta área, na medida em que propõe e contempla acções no sentido da redução dos custos em áreas não assistênciais, nunca colocando em causa nem a acessibilidade nem a qualidade de atendimento dos doentes no SNS!”, diz o Presidente da ARS do Porto.

O plano centra-se em quatro áreas: eficiência na aquisição, gestão e utilização de matérias, medicamentos e reagentes; redução dos serviços externos não indispensáveis para o atendimento do doente; gestão mais eficiente dos recursos humanos; rigor na na referênciação entre hospitais.

Estima-se uma redução de de 3.1 milhões de euros no fornecimento de serviços externos e de 1,2 milhões de euros nos subcontratos, bem como a redução de 5% nas horas extraordinárias, de 8 % nas horas de prevenção e de  10% nas remunerações-base dos membros do Conselho de Administração.

Ora aí está como é sempre possível reduzir custos sem mexer no que é fundamental. A qualidade!